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Internacional

- Publicada em 27 de Novembro de 2016 às 16:34

Havana é preparada para tributos à Fidel Castro

Líder que comandou a revolução comunista na ilha, morreu na sexta-feira, aos 90 anos

Líder que comandou a revolução comunista na ilha, morreu na sexta-feira, aos 90 anos


ADALBERTO ROQUE/AFP/JC
A capital de Cuba, Havana, está sendo preparada para dois dias de tributos à Fidel Castro. O governo declarou nove dias de luto oficial pela morte do líder cubano, aos 90 anos, ocorrida na noite de sexta-feira. Ontem, trabalhadores limpavam e montavam cercas na Praça da Revolução, para onde o corpo de Fidel Castro será levado hoje.
A capital de Cuba, Havana, está sendo preparada para dois dias de tributos à Fidel Castro. O governo declarou nove dias de luto oficial pela morte do líder cubano, aos 90 anos, ocorrida na noite de sexta-feira. Ontem, trabalhadores limpavam e montavam cercas na Praça da Revolução, para onde o corpo de Fidel Castro será levado hoje.
Fidel Alejandro Castro Ruz morreu em Havana, cidade que tomou em 1959, aos 32 anos. Alvo de dezenas de atentados e de frequentes rumores sobre sua saúde, o líder cubano teve a morte anunciada por um dos combatentes que o acompanharam, seu irmão mais novo Raul Castro, atual presidente cubano. "Às 22h29 de sexta-feira, morreu o comandante e chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro", disse Raúl, cujo período na presidência da ilha está previsto para terminar em 2018.
A morte do "comandante" provocou reações antagônicas, compatíveis com a controvérsia que marcou sua trajetória. Enquanto em Miami dissidentes celebravam e previam uma aceleração no processo de abertura econômica e redução na repressão política, dentro da ilha, boa parte da geração que apoiou a derrocada de Fulgêncio Batista lamentou e aderiu ao luto de nove dias.
O período se encerrará com o funeral, em 4 de dezembro. Fidel deixou o poder em 2006, após sobreviver a uma enfermidade intestinal. O líder comunista morreu no mesmo dia em que o barco Granma saiu em 1957 do México com o grupo de guerrilheiros, entre eles o médico Ernesto Che Guevara, para dar início à revolução. Fidel exerceu o poder na ilha até o dia 31 de julho de 2006, quando o transmitiu ao seu irmão.
Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou definitivamente à presidência de Cuba e quase três anos depois, em abril de 2011, desligou-se definitivamente da liderança do Partido Comunista. Ele chegou a ser o governante em exercício por mais tempo no mundo. Sob seu comando, nasceram 70% dos 11 milhões de cubanos.
Ao instalar um regime comunista a 150 quilômetros dos EUA, o líder cubano despertou amor e ódio. Foi considerado por alguns um símbolo da soberania latino-americana e de justiça social. Por outros, um ditador megalomaníaco e cruel.
O triunfo da revolução inspirou movimentos guerrilheiros semelhantes em todo o mundo, incluindo o brasileiro. Fidel enfrentou 11 presidentes americanos, a Invasão da Baía dos Porcos pela CIA em 1961, a Crise dos Mísseis, e o embargo econômico. Sobreviveu também à queda do Muro de Berlim e à desintegração da União Soviética.

Morte aumenta incertezas sobre reaproximação com os EUA

A morte de Fidel Castro, somada a recente eleição de Donald Trump para a presidência dos estados Unidos, aumentou o ar de incertezas sobre o futuro da reaproximação entre Cuba e EUA. Apesar de todas as etapas de retomada diplomática terem sido cumpridas entre o castrismo e o governo de Barack Obama, a eleição do republicano à Casa Branca provoca temores de que o degelo seja desfeito pelo presidente eleito.
No sábado, Trump não sinalizou se romperá com Havana, mas foi muito duro quanto a Fidel. "Hoje, o mundo marca a morte de um ditador brutal que oprimiu seu próprio povo por quase seis décadas. Seu legado é um de pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e negação dos direitos humanos fundamentais", disse em comunicado. "Nosso governo fará de tudo que puder para garantir que o povo cubano possa finalmente começar sua jornada rumo à prosperidade e à liberdade."
O tom de Trump foi muito distinto daquele do atual chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, que se mostrou mais cordial. "A História registrará e julgará o enorme impacto de sua personalidade singular no povo e no mundo em volta dele. Durante minha presidência, trabalhamos duro para deixar o passado para trás, perseguindo um futuro no qual a relação seja definida não por nossas diferenças, mas pelo que compartilhamos como vizinhos e amigos."

Para Itamaraty, Fidel foi "uma das lideranças políticas mais emblemáticas do século XX"

Assinada pelo chanceler José Serra, o Ministério das Relações Exteriores divulgou no sábado nota sobre a morte do ex-presidente de Cuba. O texto diz que "o governo brasileiro tomou conhecimento com pesar da morte do líder cubano Fidel Castro."
A nota prossegue afirmando que "como dirigente máximo de seu país por cinco décadas, marcou profundamente a política cubana e o cenário internacional. Entra para a história como uma das lideranças políticas mais emblemáticas do século XX. Não é possível entender a história de nosso continente sem referência a Fidel, suas ideias e ações à frente da revolução cubana e do governo de seu país".
O presidente da República, Michel Temer, divulgou nota na manhã de sábado."Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século 20 com a defesa firme das ideias em que acreditava", afirmou Temer em nota. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Fidel foi "o maior de todos os latino-americanos". "Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei", disse Lula em nota publicada em sua página no Facebook.
A ex-presidente Dilma Rousseff disse que a morte do líder da revolução "é motivo de luto e dor". "Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte", disse a ex-presidente.

Líderes da América Latina comentam morte

O falecimento do ex-presidente cubano gerou forte reação por parte dos líderes latino-americanos. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, lamentou a morte de um líder que lutou pela "dignidade e justiça social em Cuba e na América Latina". O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que ficou "afligido com a partida do irmão comandante Fidel", em declaração à rede de televisão Telesur via telefone. O presidente boliviano disse que a maior homenagem a Fidel "é a unidade dos povos do mundo, é nunca esquecer sua resistência ao modelo imperialista e ao modelo capitalista".
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro afirmou que cabe agora a todos os "revolucionários do mundo continuar o caminho" de Fidel, que ele chamou de "gigante da humanidade". No Twitter, o presidente colombiano Juan Manuel Santos lamentou a morte do líder e prestou solidariedade a Raúl Castro e ao povo cubano. "Fidel Castro reconheceu ao final da vida que a luta armada não era o caminho. Contribuiu assim para o fim do conflito colombiano", disse.
Na Argentina, a ministra das Relações Exteriores, Suzana Malcorra, disse que a morte de Fidel Castro fecha "um importante capítulo da história latino-americana". Na opinião dela, Fidel entregou o poder ao irmão, Raúl, porque sabia que era hora de fazer mudanças em Cuba.
O presidente do México por sua vez, Enrique Peña Nieto, lamentou a morte do líder da Revolução Cubana. "Fidel Castro foi um amigo do México, promotor de uma relação bilateral baseada no respeito, diálogo e solidariedade".
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