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Porto Alegre, quarta-feira, 02 de novembro de 2016. Atualizado às 09h33.

Jornal do Comércio

Internacional

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Estados Unidos

02/11/2016 - 09h07min. Alterada em 02/11 às 10h36min

Fenômeno Trump surgiu da insatisfação com políticos tradicionais, diz professor

Professor diz que Trump tira proveito da insatisfação dos eleitores com os políticos tradicionais

Professor diz que Trump tira proveito da insatisfação dos eleitores com os políticos tradicionais


AFP/JC
Agência Brasil
As eleições presidenciais dos Estados Unidos chegam à reta final. Na próxima terça-feira (8) os norte-americanos escolherão entre o empresário republicano Donald Trump e a ex-senadora e ex-secretária de Estado dos EUA, a democrata Hillary Clinton.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Juliano da Silva Cortinhas, o candidato republicano tem tirado melhor proveito de um fenômeno bastante conhecido no país: a insatisfação com os políticos tradicionais.
"Donald Trump capitalizou muito isso em torno da figura dele, que não é um político tradicional de Washington. Esse descontentamento com o sistema político é um início interessante para que ele comece a ser ouvido pela população que pretende votar nele", disse Cortinhas no programa Diálogo Brasil, da TV Brasil.
Para o professor, a postura e ideias conservadoras de Trump encontraram abrigo em vários eleitores do país. "Ele tem um apelo grande para uma parcela importante da população que enfatiza o porte de armas para sua segurança. Num ambiente tomado, desde 2001, por uma sensação constante de insegurança, isso tem conseguido um apelo grande no eleitor do Trump. E a forma como ele tratou a Hillary, acusando-a, fortemente. Existe uma boa parte do eleitorado que gosta de um candidato forte, que demonstra pela força as suas opiniões".
A candidata democrata, por sua vez, começa a patinar nas pesquisas após reabertura de investigação sobre o envio de emails da conta pessoal dela com a suposta presença de informações classificadas como de uso restrito do governo. "O anúncio de reabertura [das investigações] impactou fortemente os eleitores nas pesquisas de opinião. Se ela vai conseguir combater isso e se sair melhor nas pesquisas até terça, ninguém sabe", disse o cientista político norte-americano naturalizado brasileiro David Fleischer, também da UnB.
Ambos avaliam, contudo, que o resultado vai depender do comparecimento às urnas, uma vez que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos e nenhum dos candidatos empolga muito. "Nenhum dos dois candidatos anima muito o eleitor. O eleitor do Trump é mais 'lutador', digamos assim, e o da Hillary é um pouco menos animado", avaliou Cortinhas. "A grande tarefa dela é fazer com que esses jovens que não estão plenamente animados com sua campanha compareçam às urnas, mesmo que seja apenas com o intuito de derrotar Trump".
Quanto às relações com o Brasil, Cortinhas diz que não são ideais, mas seriam de continuidade com Hillary e imprevisíveis com o republicano. Fleisher acrescenta que os Clinton têm relação próxima com o país, construída ainda nos mandatos do marido da candidata, Bill Clinton. Do ponto de vista do comércio bilateral, o cientista político e o professor de Relações Internacionais diz que a política norte-americana é pragmática.
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