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Porto Alegre, terça-feira, 29 de novembro de 2016. Atualizado às 13h58.

Jornal do Comércio

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acidente

29/11/2016 - 14h42min. Alterada em 29/11 às 15h00min

Prefeito diz que time deveria ter partido em avião fretado de Guarulhos

O acidente com o avião que levava a equipe do Chapecoense e 21 jornalistas

O acidente com o avião que levava a equipe do Chapecoense e 21 jornalistas


RAUL ARBOLEDA/STR /AFP/JC
Agência Brasil
O prefeito de Chapecó, Luciano Bluigon, contou que a aeronave que levaria o time da Chapecoense, dirigentes e imprensa deveria ter partido de Guarulhos nessa segunda-feira 928). A partida não ocorreu pois a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não autorizou.
Segundo Bluigon, existe um regulamento internacional que só permite que empresas aéreas façam fretamento com origem no próprio país. "Não é do nosso cotidiano [fretamento de voos internacionais], a gente só ficou sabendo no domingo à noite. A Chapecoense redimensionou a logística", explicou o prefeito.
A equipe acabou voando em um avião comercial de Guarulhos para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. De lá, partiu em um avião fretado com destino a Medellín. A aeronave deveria ter chegado à 1h (horário de Brasília) na cidade colombiana. A aeronave caiu a 30 km da cabeceira do aeroporto. "Houve pane elétrica", disse o prefeito.
"Eu recebi a notícia às 3h30min da manhã. Meu telefone fica no silencioso, eu estava dormindo no hotel. O que me despertou foi o telefone do hotel, imediatamente, eu olhei meu celular e tinha várias ligações da minha cunhada, que mora em Los Angeles. Talvez, pelo fuso horário, ficou sabendo primeiro. Foi um impacto muito grande", lembrou Bluigon.

"O time vivia um sonho"

O prefeito de Chapecó, Luciano Bluigon, disse nesta terça-feira (29) que o time da Chapecoense estava em seu melhor momento e que a cidade "vivia um sonho".  "A Chapecoense passava por um grande momento. Nós vivíamos um sonho, eu nunca cansei de dizer isso. Uma cidade do interior, três vezes na série A do Campeonato Brasileiro, disputadíssimo", disse Bluigon.
Ele afirmou que acredita ter uma missão a cumprir, após o acidente com o avião da equipe da Chapecoense que caiu na madrugada de hoje (29) próximo a Medellín, na Colômbia. "Estou agradecendo a Deus. O que me fez chorar foi a minha filha, que me ligou agora, disse que está feliz. Eu acredito que fiquei para cumprir a missão de resgatar a nossa autoestima", disse.
O prefeito embarcaria junto com a equipe, mas decidiu ficar na capital paulista para uma reunião na manhã de hoje que trataria de parcerias público-privadas para Chapecó e pediu para que o presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Plínio David de Nes Filho, também ficasse. O acidente com o avião que levava a equipe do Chapecoense e 21 jornalistas matou 75 pessoas.
Segundo o prefeito, os dois embarcariam num voo comercial às 15h50min de hoje e chegariam à 1h (horário de Brasília) em Medellín para assistir a primeira final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, marcada inicialmente para amanhã (30). Depois do acidente, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) adiou a partida. Uma nova data só deverá ser definida a partir do dia 21 de dezembro.
O governo federal liberou duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para levar autoridades, além de médicos e a equipe do jurídico da Chapecoense para auxiliar os sobreviventes e fazer o translado dos corpos.
A cidade de Chapecó decretou 30 dias de luto e a suspensão das aulas. As festividades de Natal estão canceladas. A equipe médica do time embarcou às 9h40 em Chapecó com destino a Guarulhos. Eles partem para Medellín, às 16h.
"Estamos preocupados com a dor das famílias, todas aquelas pessoas que estavam naquele avião são conhecidos íntimos nossos. Uma cidade de 210 mil habitantes não é tão grande assim, a gente conhece todos eles. É muito dolorido", disse o prefeito.
O prefeito disse que o zagueiro Hélio Zampier Neto sofreu traumatismo craniano e que os médicos pediram tempo apara avaliar a gravidade do estado do atleta. O lateral-esquerdo Alan Ruschel, que também foi resgatado, sofreu lesões que não o deixaram falar no momento do socorro. "Em estado de choque, ele tirou a aliança e pediu para entregar para a mulher", contou.
"Essas pessoas estão dando um fio de esperança para nós. Vamos cuidar deles. Os médicos da Chapecoense são profissionais gabaritados, com longo histórico de dedicação."
Segundo o prefeito de Chapecó, o avião foi fretado para reduzir o desgaste dos jogadores. Ele disse que a aeronave já atendeu às seleções da Bolívia e Argentina. Bluigon afirmou ainda que já havia voado com a tripulação, incluindo o piloto, que também era proprietário da empresa venezuelana LaMia, sigla para Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación.
Os voos ocorreram durante os últimos jogos da Copa Sul-Americana. "Foi um voo tranquilo, o piloto acabou virando torcedor da Chapecoense, assistiu o jogo. Era uma pessoa tranquila, bom piloto", disse Bluigon.
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