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Porto Alegre, quarta-feira, 30 de novembro de 2016. Atualizado às 21h39.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 01/12/2016. Alterada em 30/11 às 20h56min

Desemprego apresenta leve queda em outubro

Setor de construção civil registrou crescimento de 8,2% na criação de vagas de emprego no período

Setor de construção civil registrou crescimento de 8,2% na criação de vagas de emprego no período


ANTONIO PAZ/JC
Guilherme Daroit
Pela primeira vez desde maio, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre caiu, em outubro. O indicador, divulgado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), caiu dos 11% de setembro para 10,8%, redução que é vista como uma "relativa estabilidade". O resultado foi puxado pela criação de 23 mil ocupações no mês, ao mesmo tempo em que o número de desempregados diminuiu em 2 mil pessoas. A taxa, entretanto, ainda é maior do que a vista há um ano, quando o desemprego estava em 10,1% na região.
A relação com o ano passado é ressaltada pela economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Iracema Castelo Branco para relativizar a diminuição do desemprego em outubro. "Apenas pelos dados mensais, há a impressão de que a situação é positiva, mas, quando se vê o comportamento de longo prazo, se vê que não é bem assim", argumenta Iracema. Mesmo que pareça uma queda relativamente pequena em relação ao ano passado, o dado é preocupante, porque acontece sobre uma base que já estava deprimida em outubro de 2015.
Quando analisado apenas sobre o resultado mensal, porém, alguns fatores são levados em conta para explicar o aumento das ocupações. Um deles é a contratação para o fim de ano, em especial o Natal, que tradicionalmente aquece o mercado de trabalho. O comércio, setor que mais contrata nesse período, gerou, apenas em outubro, 13 mil novos postos, um aumento de 3,9% em relação a setembro. "Mesmo comum, vale ressaltar que, no ano passado, esse movimento não aconteceu", comenta a economista da FEE.
No mês, também foram registrados aumento de vagas na construção ( 8,2%) e nos serviços ( 1,1%). Já a indústria percebeu queda (-3,3%). Em relação às posições, foram vistos crescimento de ocupações no setor público ( 5,3%) e nos autônomos ( 6,3%), e queda, novamente, no setor privado (-1%).
"Os rendimentos dos trabalhadores também seguem caindo, e estamos, atualmente, com índices próximos aos do ano 2000", argumenta o coordenador da pesquisa na FEE, Rafael Caumo. Em 2014, argumenta Caumo, os rendimentos eram 40% maiores do que os de 2000, que são usados como baliza pela PED. Desde lá, esses ganhos derreteram, e, nos vencimentos de setembro (a renda é pesquisada sobre o mês anterior pela PED), essa diferença era de apenas 2,1%. Levando em conta o total de ocupados, o rendimento médio em setembro foi de R$ 1.847,00. A queda em um ano é de 11,1%.
O crescimento dos autônomos, que acumula 19% em 12 meses, é visto pelos pesquisadores como um indício da deterioração do mercado de trabalho, que vem acontecendo desde o ano passado. São eles os trabalhadores com menores vencimentos e, também, menos segurança previdenciária e trabalhista.
"O mercado de trabalho retoma o comportamento da década de 1990, com aumento das posições mais precárias e retrocedendo de maneira muito rápida ao avanço das posições com carteira que ocorreu na década de 2000", analisa Iracema. Os pesquisadores ressaltam, porém, que, mesmo que o cenário seja semelhante ao que ocorreu nas outras crises econômicas do País, desta vez, há uma vantagem demográfica. Há menos jovens, por exemplo, para entrar no mercado de trabalho e pressioná-lo. "Se não tivéssemos uma estrutura demográfica diferente atualmente, a taxa de desemprego hoje estaria muito mais elevada, como acontecia antigamente", acrescenta Iracema. O auge do desemprego na região, calculado pela PED desde 1992, aconteceu em agosto de 1999, quando chegou a 19,6%.
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