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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de novembro de 2016. Atualizado às 12h23.

Jornal do Comércio

Economia

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Crédito

24/11/2016 - 13h25min. Alterada em 24/11 às 13h26min

Crédito ainda não reflete alguma recuperação da economia, avalia BC

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Renato Baldini, afirmou nesta quinta-feira, 24, que o crédito no Brasil ainda não reflete "alguma recuperação" da economia. Segundo ele, o crédito segue em trajetória de retração em 12 meses e a greve dos bancários, encerrada apenas no início de outubro, impactou as concessões de algumas modalidades.
"As modalidades mais afetadas pela greve foram o consignado e o crédito imobiliário", disse Baldini. "São modalidades que requerem mais a presença das pessoas nas agências", acrescentou.
Baldini chamou atenção para o fato de que as concessões de crédito consignado cresceram 13,8% em outubro, na margem, após caírem 24,4% em setembro, em função da greve dos bancários. "A alta do consignado em outubro não recuperou toda a queda vista em setembro, com a greve", disse Baldini, lembrando que o movimento grevista na Caixa Econômica Federal foi encerrado um pouco depois que nos outros bancos. Como a Caixa é referência na concessão de crédito imobiliário, isso também afetou a modalidade.
De acordo com Baldini, a expectativa é que o crédito imobiliário melhore em novembro, mesmo porque a Caixa reduziu os juros cobrados recentemente.
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central disse durante coletiva à imprensa para apresentação dos dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, que as taxas de inadimplência, embora estáveis, permanecem em índices altos.
De fato, o BC informou nesta quinta que a inadimplência no crédito com recursos livres atingiu 5,9% em outubro, mesmo patamar de setembro. Em outubro do ano passado, estava em 5,0% e em dezembro de 2014, antes do aprofundamento da crise econômica, estava em 4,3%.
Baldini afirmou, no entanto, que a expectativa do BC é que o quadro econômico siga melhorando, com avanços na área fiscal. "No futuro, a expectativa é de redução das taxas de juros e dos spreads", afirmou.
Ele pontuou, no entanto, que é difícil dizer quando a redução da Selic (a taxa básica de juros da economia) levará a uma diminuição das taxas cobradas também de empresas e famílias.
O chefe-adjunto lembrou que os spreads - diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é, de fato, cobrado dos clientes - refletem a incerteza da economia. Em outubro, conforme os dados do BC, o spread com recursos livres avançou 1,0 ponto porcentual, de 41,2 para 42,2 pontos porcentuais. Este movimento ocorreu a despeito de a taxa de captação de recursos pelos bancos ter recuado 0,4 ponto porcentual no período.
Baldini destacou ainda a alta da inadimplência em financiamentos com recursos do Bndes. Em setembro, houve avanço de 0,6% ante setembro, considerando todas as modalidades, e elevação de 0,7% no financiamento para investimento. No entanto, segundo ele, a série sugere que isso foi um fato isolado, que tende a não se repetir em novembro.
Ao avaliar o crédito para capital de giro de empresas, ele chamou atenção para o fato de que o saldo das operações ficou estável, em R$ 335,502 bilhões, em outubro ante setembro. Foi o primeiro mês de estabilidade após nove meses de queda, lembrou Baldini.
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