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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de novembro de 2016. Atualizado às 01h35.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 16/11/2016. Alterada em 15/11 às 21h25min

Brasil se une no combate ao javali

Espécie dizima lavouras e rebanhos, e não há estimativa de prejuízos causados por ela

Espécie dizima lavouras e rebanhos, e não há estimativa de prejuízos causados por ela


REDE JAVALI NO PAMPA/Divulgação/JC
Thiago Copetti
Poucas questões conseguiram tanto consenso entre produtores agrícolas e ambientalistas quanto a necessidade de combate aos javalis. A União Internacional pela Conservação da Natureza (IUNC), por exemplo, classifica o animal como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo. Hoje, no Rio Grande do Sul, para o agronegócio, os javalis podem ser considerados um dos maiores causadores de danos à lavoura e à pecuária. As perdas vão além da simples quantidade de animais. Em alguns casas, as varas (grupos de javalis) devoram animais que são fruto de melhoramento genético investido ao longo de gerações de ovinocultores, por exemplo.
Os javalis são onívoros (comem de tudo, qualquer tipo de grão e muitos animais, especialmente filhotes, como cordeiros). Além de fortes, não têm predador, o que torna a taxa de mortalidade baixa. Para piorar, se reproduz em alta quantidade (cada ninhada tem cerca de 12 animais). Com essa característica, não se sabe quantos são e nem qual o prejuízo exato no Estado. Os danos causados pelos javalis são tão extensos como o número de animais, o que até hoje dificulta mensurar ambos.
"Não há o que não comam. Se alimentam de qualquer grão, de ovinos e de animais domésticos também. Então é difícil dizer, hoje, qual o prejuízo exato para a pecuária e a agricultura. Mas é certo que dizimam muitas lavouras e reduzem rebanhos" diz Nilson Molinos, do site Rede Javali no Pampa, criado em 2013 e hoje referência nacional no tema.
O site foi criado a partir de um livro publicado pelo veterinário La Hire Medina Filho, com Marcelo Wallau e Tiago Xavier dos Reis. O livro o Javali no Pampa versava sobre um problema antigo. O javali asselvajado é combatido desde a década de 1990 e, mesmo com consenso entre ambientalistas e produtores sobre a necessidade de conter o avanço, tudo o que foi feito até agora, diz Molinos, são ações muito incipientes.
"O que temos de mais concreto é o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, coordenado Ibama", comemora Molinos.
Em março, um grupo técnico-cientifico se formou para unir conhecimentos e avaliar a situação brasileira. Há muito tempo o javali deixou de ser uma praga dos pampas para se tornar nacional _ há registros de danos mal em lavouras em Roraima, por exemplo. E vale lembrar que os registros históricos dão conta de que os animais ingressaram no Brasil via Uruguai, pelo Rio Grande do Sul, provavelmente no final do final dos anos 1980 (veja o que dizem os estudos no quadro).
Em agosto deste ano, um seminário em Brasília reunindo agentes públicos e produtores de todo o País, promovido pelos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, teve a equipe da Rede Javali no Pampa como palestrante. Após o evento, foi realizada uma consulta pública nacional para coletas dados de presença do animal, prejuízos e outros dados, que serão apresentados no final deste mês, ajudando a dimensionar melhor o problema.
A ideia, agora é traçar um diagnóstico do Brasil inteiro sobre o caso. Hoje, provavelmente, só não existe javali na Amazônia, de acordo com Molinos, por causa da presença da onça, predador natural do animal.
A maior aposta de produtores rurais para ver essa praga controlada é por meio do abate com armas letais, que foi aprovado pelo governo federal em 2013, em todo o território nacional. "Mas isso não tem surtido efeito, As ações até agora se resumem a grupos de caça sem organização, sem estratégia nenhuma. Outro problema é que se pode matar, mas não transportar. E aí, vai fazer o que com a carcaça?" questiona Molinos.
No Rio Grande do Sul, entre as ações previstas para este ano está a utilização de um motorhome da secretaria de Agricultura, que percorrerá as zonas mais atingidas, para um trabalho de educação de produtores no controle do Javali.

Preocupação vai além do campo

Além da questão econômica direta, há outros problemas referentes aos javalis que são uma ameaça ao homem: doenças sanitárias e possíveis ataques a crianças e animais domésticos. Com a expansão do número de animais no campo, a aproximação com o meio urbano começa a ocorrer. E causa apreensão. A questão sanitária tanto pode ser uma ameaça a rebanhos quanto para animais domésticos e ao próprio ser humano.
"Já tem javali andando no centro das cidades como Quaraí. Eles estão cada vez mais próximos do meio urbano, o que aumenta os riscos sanitários e para as crianças. São bichos fortes, que podem atacar uma pessoa, ainda mais uma criança" pondera Luis Fernando Pires, assessor da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
Neste ano, a preocupação sanitária também foi reforçada pela Ministério da Agricultura, que solicitou à Embrapa Suínos e Aves que estude o perfil sanitário dos javalis. Por ser um animal vida livre e hábitos alimentares variados, pode ser portador e transmissor de diferentes doenças infectocontagiosas e parasitárias. Na questão ambiental, um dos problemas é que o javali devora espécies nativas (e, em alguns casos, extermina), causando o desequilíbrio no ecossistema.

História do Javali

  • O javali (Sus scrofa) asselvajados teriam invadido o território brasileiro pela fronteira Sudoeste do Rio Grande do Sul com o Uruguai, motivados possivelmente pela diminuição na oferta de alimento no país vizinho.
  • Uma hipótese é que o fato teria ocorrido após a estiagem de 1989 quando o leito do rio Jaguarão baixou muito. Era para ficarem confinados numa estação de caça, no departamento de Colônia, mas escaparam e se multiplicaram.
  • Essas populações são formadas por animais híbridos (os chamados javaporcos), resultantes do cruzamento com porcos domésticos, ocorridos tanto na Argentina e Uruguai como em território brasileiro
  • O controle do javali asselvajado por meio do abate vem sendo realizado no Estado do Rio Grande do Sul desde 1995, data em que foi publicada a primeira Portaria.
  • Peso médio é de cerca de 120 quilos, para animal adulto, mas já foi abatido um com quase 300 quilos aqui no Estado.
Fontes: Estudo Dez Anos de Controle de Javalis asselvajados no Rio Grande do Sul (Deberdt, A. J., Fischer, W. A., Frankenberg, S. T. e Scherer, S. B - IBAMA) e Rede Javali no Pampa.
 
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