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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de novembro de 2016. Atualizado às 19h48.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

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Notícia da edição impressa de 25/11/2016. Alterada em 24/11 às 17h36min

Milhares perderam o sono

Doadores de sono (Record, 166 páginas, tradução de Cláudia Costa Guimarães) é o novo título da talentosa escritora norte-americana Karean Russel, autora de Uma terra fantástica: Swamplândia!, finalista do Prêmio Pulitzer 2012, e de duas coletâneas de contos Vampires in the Lemon (best-seller do N.York Times) e Saint Lucy Home for the girls Raised by Wolves. Ela foi mencionada como um dos melhores autores com menos de 40 anos pela revista The New Yorker e na de menos de 35 pela The National Book Foundation.
Doadores de sono trata de um tema atual: a falta de sono, a morte por falta de sono. A narrativa fala de milhares de pessoas que perdem a capacidade de dormir e do aparecimento da Corpo do Sono, organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce e ela aparece nas principais cidades norte-americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.
Ninguém menos que o célebre Stephen King, autor de clássicos de mistério, suspense e terror, assina a apresentação da obra. Ele escreveu: "Doadores de sono é um misto brilhante de ficção científica hard com fantasia e ficção científica clássica. Livro digno de um Prêmio Hugo. É desenvolvido com uma beleza artesanal e o que realmente me impressiona foi a facilidade com a qual Karen reuniu várias idéias eletrizantes. Em primeiro lugar, a culpa da sobrevivente Trish, a melhor integrante da equipe de doadores de sono. Em segundo lugar, vem a moralidade da doação forçada. A Bebê A, uma doadora universal, sofre pressões constantes para salvar vidas. Com a autorização dos pais, o pessoal da Van do Sono explora a bebê como uma mina. Em último lugar está o subtexto, no qual a propagação de uma doença causada pela privação do sono, começando com o Paciente Zero, lembra a propagação da AIDS. Além disso há o temor de que o fornecimento do "sono bom" tenha sido contaminado pelo pesadelo maligno e recorrente do Doador Q. "
Este romance vem em boa hora, num mundo em que há preocupação, especialmente com jovens, que não dormem o suficente e nem horas boas de sono, indispensáveis para uma vida saudável. O uso de celulares e computadores, nos quartos de dormir e nas camas, muitas vezes no escuro, comprovadamente contribuem para que muitos não durmam o suficiente ou durmam mal, tendo por isso problemas de depressão, obesidade, déficit de atenção e outros.
A ficção de Karen Russel é um alerta e, desculpem o clichê, mostra que quando pesadelos são reais, dormir passa a ser um privilégio.

Aristides Bertuol e o tempo das carreteiras

Aristides Bertuol - O Piloto da Carreteira Nº 4, biografia ilustrada do grande empresário, piloto e político bento-gonçalvense Aristides Bertuol, nascido em 1916 e falecido em 1979, destaca uma das maiores personalidades da cidade e um piloto campeão que marcou época num nos períodos de ouro do automobilismo brasileiro.
A obra foi produzida a partir de pesquisa histórica de Gilberto Mejolaro, apresenta vasto matéria fotográfico inédito e traz muitos textos do jornalista Fabiano Mazzottti. A publicação mapeia a trajetória do piloto e as curiosidades das sessenta corridas das quais participou, entre elas a pioneira Copa do Rio Grande.
Com apoio do Ministério da Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura do Estado e patrocínio do Bradesco, Meber, Geremia Redutores e Vinhos Salton, a alentada e bem editada obra mostra a vida de Aristides, sua trajetória familiar e pessoal e destaca o fato de hoje, em Bento, a mais alta condecoração oferecida pelo município levar seu nome. A "Medalha Aristides Bertuol" só pode ser concedida uma vez por ano pela Câmara de Vereadores. O Kartódromo de Bento Gonçalves leva o nome de Aristides. Bertuol foi vereador, prefeito de Bento e deputado estadual.
Com sua legendária carreteira, conquistou fãs em todo o Brasil e ganhou prêmios importantes em Interlagos, Circuito da Uva e Grande Prêmio Cidade de Porto Alegre. O número 4 foi o mais adotado por Aristides para a carreteira Chevrolet Sedanet 1948, ano em que iniciou sua brilhante carreira.
O projeto do livro foi lançado no Vale dos Vinhedos em 2015 e há poucos dias foi lançada a obra em Bento Gonçalves e na Feira do Livro em Porto Alegre. Todos garantem que quem testemunhou a época não esquece e quem viveu aqueles tempos das carreteiras, com Aristides, Breno Fornari, Asmuz, Andreatta e outros, sente saudade das lendárias corridas de "carreteras", que ferveram as estradas da Serra e do Estado nos anos 1940, 1950 e 1960. Sem dúvida, Bertuol foi um dos seus mais emblemáticos personagens e neste ano em que se completa o centenário de seu nascimento o reconhecimento é mais do que merecido.
Em 1957, Bertuol sagrou-se campeão gaúcho, pouco tempo depois abandonou a carreira, passando a competir com um Opala. Sua última prova foi em 23 de dezembro de 1969, nas "Três horas de Guaporé", na corrida de inauguração do autódromo.
Em 1956, Bertuol e Valdir Rebeschini conquistaram o terceiro lugar na 1ª Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos, São Paulo e no ano de 1957 Bertuol chegou em primeiro lugar no 1º Circuito da Uva, em Bento Gonçalves, prova de estrada que ocorreu entre Nova Prata, Bento Gonçalves e Caxias do Sul.

lançamentos

  • Palavras 2016 - Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - Ajeb, com organização de Hilda Hübner Flores e coordenação de Maria Odila Menezes de Souza, traz textos, crônicas e poemas delas e de Teniza de Freitas Spinelli, Maria Inês Rodrigues, Avelino Alexandre Collet e outros.
  • Experimentos contra a realidade - o destino da cultura na pós-modernidade (É Realizações, 368 páginas), do jornalista e professor Rober Kimball, um dos maiores críticos culturais americanos, explora as bases literárias e filosóficas da modernidade, para pensar sobre o futuro.
  • 50 Tons de Rosa - Pelotas no tempo da ditadura (Artes e Ofícios, 260 páginas), com organização do escritor e jornalista Lourenço Cazarré, traz textos bem-humorados dele, de Geraldo Hasse, Kledir Ramil, José de Abreu, Ayrton Centeno e outros sobre vivências em Pelotas nos anos de chumbo.

a propósito...

Lendo-se os textos e contemplando-se as fotos, especialmente as em preto e branco, não há como não sentir saudade daqueles tempos de automobilismo heroico, romântico, com poeira, ronco de carreteiras, fãs nas ruas e estradas e automóveis com suas carrocerias de linhas com curvas sensuais como as dos corpos femininos. O automobilismo de hoje é mais veloz, tecnológico e tudo mais, todo mundo sabe. Mas quem curtiu nas calçadas as carreteiras passando sabe muito bem do que estou falando. Bom, quem não curtiu, pode curtir o livro, que está ótimo.
 
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