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Porto Alegre, quarta-feira, 30 de novembro de 2016. Atualizado às 21h33.

Jornal do Comércio

Colunas

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 01/12/2016. Alterada em 30/11 às 21h53min

Reforma do Ensino Médio

Educar as novas gerações, propondo orientações para a vida que auxiliem na obra do discernimento entre o bem e o mal, oferecendo indicações que possam ser úteis em vista de uma vida mais saudável, um mundo mais justo e fraterno, o convívio social ético e sustentado por valores não é tarefa fácil. Há uma tendência difusa a compreender o processo educativo como sendo limitado a noções e informações gerais, tendo em vista, sobretudo, o mercado de trabalho. Desconsidera-se a necessidade de favorecer aos jovens encontrar um justo equilíbrio entre a liberdade e a disciplina. Só assim se forma o caráter da pessoa.
Está se propondo uma reforma do Ensino Médio no Brasil. É sabido que a questão da educação brasileira requer reflexão, escolhas e decisões. Com o intuito de colaborar neste âmbito com a sociedade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no dia 23 de novembro, lançou a seguinte nota:
(...) "Segundo o poder executivo, a MP 746/16 é uma proposta para a superação das reconhecidas fragilidades do Ensino Médio brasileiro. Sabe-se que o modelo atual, não prepara os estudantes para os desafios da contemporaneidade. Assim, são louváveis iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar essa realidade.
Contudo, assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução. Questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais.
Toda a vez que um processo dessa grandeza ignora a sociedade civil como interlocutora, ele se desqualifica. É inadequado e abusivo que esse assunto seja tratado através de uma Medida Provisória.
A educação deve formar integralmente o ser humano. O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental. Há que se contemplar igualmente as dimensões ética, estética, religiosa, política e social. A escola é um dos ambientes educativos no qual se cresce e se aprende a viver. Ela não amplia apenas a dimensão intelectual, mas todas as dimensões do ser humano, na busca do sentido da vida. Afinal, que tipo de homem e de mulher essa Medida Provisória vislumbra?
Em um contexto de crise ética como o atual, é um contrassenso propor uma medida que intenta preparar para o mercado e não para a cidadania. Dizer que disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes e música são opcionais na formação do ser humano é apostar em um modelo formativo tecnicista que favorece a lógica do mercado e não o desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade.
Quando a sociedade não é ouvida ela se faz ouvir. No caso da MP 746/16, os estudantes reclamaram seu protagonismo. Os professores, já penalizados por baixos salários, também foram ignorados. Estes são sinais claros da surdez social das instâncias competentes.
Conclamamos a sociedade, particularmente os estudantes e suas famílias, a não se deixar vencer pelo clima de apatia e resignação. É fundamental a participação popular pacífica na busca de soluções, sempre respeitando a pessoa e o patrimônio público. A falta de criticidade com relação a essa questão trará sérias consequências para a vida democrática da sociedade.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por nós."
 
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