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Porto Alegre, quarta-feira, 23 de novembro de 2016. Atualizado às 22h53.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Montadoras

Notícia da edição impressa de 24/11/2016. Alterada em 23/11 às 16h20min

Montadoras apostam no salão para terminar ano com retomada

Empresas levaram os lançamentos mais sofisticados para tentar atrais a atenção dos consumidores

Empresas levaram os lançamentos mais sofisticados para tentar atrais a atenção dos consumidores


FABRÍCIO BOMJARDIM/BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS/JC
Embora os números da indústria automobilística divulgados nesta segunda (7) não demonstrem uma recuperação robusta do mercado automotivo, a Anfavea (associação nacional que representa as montadoras) mantém o discurso otimista que adotou desde o impeachment de Dilma Rousseff.
"Acredito que teremos dois meses fortes de produção até o fim deste ano", afirma Antonio Megale, presidente da Anfavea.
O executivo crê que o "o salão do automóvel [que será aberto ao público na quinta (10)] representará a virada que precisamos, com o mercado voltando a crescer". A entidade prevê que haverá crescimento "de um dígito parrudo" acima de 5% em 2017.
Contudo, as bases de comparação serão baixas. De acordo com a Anfavea, as vendas de veículos acumulam queda de 22,3% entre janeiro e outubro, na comparação com igual período de 2015. Os dados incluem carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.
"Tivemos 159 mil licenciamentos em outubro, praticamente o mesmo que em setembro, com estabilidade nos emplacamentos diários [cerca de 8.000 carros/dia]", afirma Megale.
O estoque de 209 mil unidades, suficiente para atender a 40 dias de vendas, é considerado equilibrado pela entidade.
O crédito disponível continua a ser um problema. Os financiamentos foram baixos, representando 51,7% das vendas de veículos. Setores ligados à produção de caminhões e maquinário agrícola também querem mudanças na distribuição das linhas de financiamento.
"Temos uma expectativa de crescimento forte com o agronegócio. Nossa preocupação é com o financiamento. Buscamos uma alocação de crédito mais adequada ao momento atual", afirma Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea.
A produção total teve pequena melhora entre setembro e outubro, com alta de 2,3%. No acumulado do ano, há queda de 17,7%.
Ao analisar a fabricação apenas de carros de passeio, o aumento entre setembro e outubro chega a 6%, o que reflete a retomada da produção nas unidades da Volkswagen, que vem tendo sucessivos problemas com fornecedores neste ano.
A Anfavea prevê que as exportações devam ter alta em 2017, movida por acordos pontuais com países da América Latina. O próximo será o Peru, de acordo com o presidente da entidade.
A boa vontade que a entidade demonstra em relação ao governo faz parte de uma estratégia que busca obter medidas mais previsíveis, que poderão vir com as esperadas mudanças na política industrial do país.
"A nova política industrial deve sair pronta. No exemplo do Inovar-Auto, a regulamentação foi saindo aos poucos", afirma Megale.
As exportações acumulam alta de 19,7% até outubro, em unidades. Em valores, há queda de 1,9%, de acordo com a Anfavea.

Supermáquinas estão no 'espaço dos sonhos'

Mais que tecnologias e lançamentos, são as máquinas com motores barulhentos e preços milionários que atraem os apaixonados por carros aos salões. Nesta edição de São Paulo, que, após 46 anos, deixa as dependências do Centro de Exposições Anhembi e passa a ocorrer no São Paulo Expo, na zona Sul da capital, houve um espaço dedicado a supermáquinas e carros inusitados.
Batizado de "Espaço dos Sonhos", ele mostrou modelos de marcas como Ferrari, Lamborghini e até da norte-americana Tesla, que inicia as vendas do sedã elétrico Model S no País a R$ 745 mil. Carrões também puderam ser vistos nos estandes das montadoras.
O Audi R8, cuja segunda geração chega ao Brasil em dezembro, tem motor de 610 cv e preço de
R$ 1,17 milhão. A Jaguar mostrará a versão preparada do F-Type, a SVR, que acelera de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos. A Chevrolet destaca a nova geração do clássico norte-americano Camaro.
Muitos superesportivos foram trazidos apenas para a exposição, pois eles não têm previsão de serem vendidos no Brasil. Nesse grupo, o grande destaque foi o exclusivo Ford GT, com produção limitada a 500 unidades, todas já vendidas lá fora. Já o envenenado Dodge Challenger Hellcat tem nada menos que 717 cv de potência.
Quem foi ao salão pôde fazer test drive com carros de várias marcas. No estande da Volkswagen, por exemplo, foi oferecido o "Desafio Cross" - com óculos de realidade virtual, o visitante pôde visitar o Grand Canyon para ver a nova Saveiro. Durante os 10 dias do salão, passaram 750 mil visitantes pelos estandes.

Salão mostra o triunfo dos SUVs compactos

A 29ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo mostrou o novo panorama do mercado brasileiro. As principais atrações foram do segmento que mais cresce no Brasil desde 2014, o de utilitários-esportivos compactos. A categoria não é a maior em volume de vendas, por causa dos preços iniciais sempre próximos aos
R$ 70 mil.
Porém, após o sucesso de Honda HR-V e do Jeep Renegade, mostrados na última edição do evento, há dois anos, tornou-se prioridade para a maioria das montadoras - enquanto os hatches e sedãs pequenos, ainda líderes de emplacamentos, perdem espaço nos cronogramas de lançamentos.
Entre os destaques, há o primeiro Honda desenvolvido no Brasil, o WR-V. O modelo, a ser produzido em Sumaré (SP) a partir do ano que vem, usará a mesma plataforma do Fit, com o qual deverá também compartilhar o motor 1.5 flexível. Menor que o HR-V, o WR-V colocará a Honda na briga com as versões de entrada de dois modelos veteranos, Ford EcoSport e Renault Duster.
Atual líder de mercado, o HR-V parte de R$ 79.900, ante os R$ 68.690 iniciais de EcoSport e os R$ 67.170 do Duster. A expectativa é de que o novato seja posicionado nessa faixa de preço.
Pioneiro no segmento e líder de mercado até a chegada do Honda e do Renegade, o EcoSport passará por reestilização, que não está pronta. O mexicano Tracker, importado pela General Motors, também recebe mudanças no visual. Mais que a estética, o que deve atrair os clientes é o motor 1.4 turbo flexível de até 153 cv, que substituiu o 2.0.
Entre os modelos inéditos, o Creta promete ameaçar a hegemonia de HR-V e Renegade. Terceiro carro a ser produzido pela Hyundai em Piracicaba (SP), o jipinho, que em alguns mercados chama-se ix25, terá no País visual exclusivo. Feito sobre a mesma plataforma do importado Elantra, ele trará duas opções de motor, ambas com comando variável de válvulas duplo (na admissão e no escape). O das versões de topo será 2.0. O dos modelos mais básico é uma evolução do 1.6 usado na linha HB20.
Outro utilitário que estreou no salão é a versão brasileira do Captur, da Renault. Mais sofisticado que o Duster - embora tenha porte menor -, o modelo é a aposta da montadora para ganhar força na briga com os líderes. Ele será produzido em São José dos Pinhais (PR).
Já a Toyota trará o conceito C-HR, que na Europa já tem versão definitiva. A montadora deve produzi-lo no Brasil até o fim desta década. Os utilitários médios e os de luxo também tiveram espaço no evento. Entre eles, o destaque é o Jeep Compass, terceiro produto da fábrica da FCA em Goiana (PE). O modelo está chegando às lojas com motores 2.0 a gasolina e a diesel.
A importadora Kia trará o utilitário híbrido Niro; e a Land Rover, uma novidade mundial, o Discovery. O modelo foi mostrado há cerca de um mês, no Salão de Paris, e esta será sua segunda aparição pública. A Mercedes-Benz terá entre os destaques o GLC Coupé, um crossover que une linhas de SUV e cupê. Ele chega da Alemanha para concorrer com o agora brasileiro BMW X4. Também deve fazer sucesso entre público o Levante, primeiro utilitário da marca de luxo italiana Maserati.
Os hatches compactos receberam pouca atenção no evento. De inédito, haverá apenas o Renault Kwid, sucessor do veterano Clio. As vendas do modelo, a ser produzido no Paraná, começam em 2017. A marca francesa promoverá ainda a estreia de Logan e Sandero em versões com o novo motor 1.0 de três cilindros.
Para o segmento de carros médios, duas estreias chamaram a atenção dos consumidores. O Chevrolet Cruze Sport6 terá nova geração, enquanto o renovado sedã Kia Cerato aparecerá em versão importada do México - hoje, ele vem da Coreia do Sul.
Também foram expostos alguns protótipos que mostram tecnologias de propulsão com emissões baixas ou nulas, realidade ainda distante do mercado brasileiro. Nesse grupo, o destaque é o Chevrolet Bolt, carro elétrico com autonomia de 280 quilômetros.

Depois dos utilitários, chega a vez das picapes

Depois dos utilitários-esportivos, veículos que ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro e, por isso, foram as estrelas do Salão do Automóvel de São Paulo, a nova onda serão as picapes, especialmente as de médio porte. Muitas, aliás, serão derivadas dos SUVs que estão sendo lançados no evento.
Um dos sinais dessa tendência, que já ocorre em mercados internacionais e deve chegar em breve ao País, é a apresentação, no salão, da picape Creta STC, conceito da Hyundai. A STC ainda é um "exercício de design", mas, futuramente, deve ser a primeira picape da marca coreana.
"É um segmento em que não atuamos, mas tem despertado interesse da marca", confirma Maurício Jordão, diretor de relação públicas da Hyundai. Segundo ele, a aparição da picape servirá para testar a recepção do público ao produto.
Outro alerta de que as picapes vão ganhar terreno globalmente foi o anúncio, no mês passado, da produção da primeira picape Mercedes-Benz. A Classe X erá capacidade para cinco passageiros e deve acabar de vez com a imagem de veículo de trabalho desses veículos.
"Estamos abrindo e transformando o segmento das picapes de médio porte com a primeira picape premium do mundo adequada ao estilo de vida urbano e moderno", disse o diretor da Mercedes alemã, Volker Mornhinweg.
Também será o primeiro produto da parceria global entre Mercedes e Renault/Nissan. A Classe X será produzida em 2017 pela Nissan na Espanha e, no ano seguinte, pela Renault na Argentina, de onde virá para o Brasil. Na visão da Mercedes, o mercado de picapes médias está em transformação no mundo. É cada vez mais percebida como veículo versátil para ser usado na vida pessoal e profissional.
Segundo Mornhinweg, "os consumidores, assim como as empresas, procuram cada vez mais veículos com características típicas dos automóveis de passeio, com acabamento mais confortável". Entre os principais mercados para a Classe X estão Austrália (14,1% das vendas); Argentina (11,6%), Brasil (5%), Turquia (1,4%), Reino Unido (1,3%), Rússia (0,8%) e Alemanha (0,5%).
No Brasil, a chegada da Toro, em fevereiro, produzida na fábrica da FCA Fiat Chrysler em Goiana (PR), provocou rápida mudança na lista das picapes mais vendidas no País. O modelo derivado do Jeep Renegade já é o mais vendido entre as picapes médias e grandes, com 31,9 mil unidades até outubro.
Outra novidade entre picapes médias, a Renault Oroch ajudou a reverter preferências. O segmento das pequenas, que vendeu 157,3 mil unidades de janeiro a outubro de 2015, teve queda de 42% neste ano (para 90,9 mil unidades), enquanto o de picapes médias e grandes cresceu 25,5%, de 99,4 mil unidades para 124,8 mil.
"O segmento de picapes está sendo recriado", diz Milad Kalume Neto, da consultoria Jato Dynamics. Assim como os SUVs, as picapes com design diferenciado, tecnologia e conforto trazem maior valor agregado à fabricante, e o tíquete médio de venda é bem superior ao de um carro compacto.
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