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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 16h08.

Jornal do Comércio

Seguros & Previdência 2016

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Educação financeira

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 31/10 às 17h09min

Uma escola para ensinar a olhar o presente e o futuro

Brasileiro  é despreocupado e imprevidente, diz Luciane

Brasileiro é despreocupado e imprevidente, diz Luciane


Arquivo Pessoal/Divulgação/JC
Para a psicóloga Luciane Fagundes, professora de Psicologia Econômica no MBA em Previdência Complementar da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), os dilemas da previdência, sob a ótica do consumidor, podem ser vistos sob dois aspectos principais: o viés do presente e a falta de visão sobre o futuro. Ao se aprofundar no tema, Luciane acabou virando uma referência sobre Psicologia Econômica, educação financeira e previdenciária. Também consultora da empresa Mirador Atuarial, a psicóloga participa do projeto Oficina do Futuro, criado pela Icatu Seguros para o Sicredi, que propõe uma abordagem nova para o mercado, com o desenvolvimento de estratégias sensibilizadoras, apoiadas nos fundamentos da Psicologia Econômica, para incentivar os cooperados da companhia a fazer as melhores escolhas de mecanismos de proteção contra os riscos de curto e longo prazo, como invalidez e doenças incapacitantes, mortalidade e aspectos como a longevidade, por exemplo. Os dois temas (presente e futuro) são o grande foco desse trabalho.
Para Luciane, o mundo está mudando, e teremos uma série de desafios pela frente. "A expectativa média de vida e o envelhecimento da população vêm aumentando e, em contrapartida, a estrutura das famílias está encolhendo. Diante dessas mudanças, o modelo atual da Previdência Social chegou ao seu esgotamento", comenta. Atualmente, 70% dos benefícios pagos pelo Regime Geral da Previdência Social são de até um salário-mínimo. Essas mudanças geram um fenômeno social recente e crescente: dos 15 milhões de aposentados hoje, 4,5 milhões continuam na ativa, segundo o Instituto Grasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que mais da metade precisa continuar trabalhando, porque sua renda é insuficiente, ou porque precisa ajudar financeiramente a família.
Se o modelo atual da Previdência Social não acompanha o envelhecimento da população, daqui para frente o desafio será "cada um por si", ou seja, cada um será responsável por complementar a aposentadoria oficial para viabilizar a sustentabilidade financeira. "Se quisermos viver muito e viver bem (com qualidade de vida), teremos que ter fôlego financeiro para que nossos recursos financeiros acompanhem os anos a mais de vida que estamos ganhando", completa. Apesar desse cenário, por exemplo, apenas 8,7% da população brasileira possui um plano de previdência complementar, segundo dados da Superintendência Nacional de Previdência Complementar(Previc). "Sob este aspecto, a relação do brasileiro com o seu dinheiro e o seu futuro é de despreocupação e imprevidência. Precisamos planejar o futuro, caso contrário teremos que improvisar e, com sorte, contar com a ajuda de terceiros", completa a psicóloga.

Instinto de sobrevivência

As razões pelas quais as pessoas tendem a pensar mais nas necessidades do presente do que nas demandas do futuro remetem a nossos ancestrais mais remotos e à genética: o homem das cavernas e o instinto de sobrevivência imediata. Herdamos o imediatismo de valorizar mais o "hoje" em detrimento do "amanhã", o que foi necessário durante muito tempo, mas que hoje nos prejudica. "O foco no presente foi fundamental para garantir a sobrevivência dos nossos antepassados. No tempo das cavernas, não havia a possibilidade de estocar e preservar alimentos, e um dos desafios era comer", explica a psicóloga Luciane Fagundes, especializada em Psicologia Econômica.
Esse comportamento, que já foi fundamental, se transformou em um obstáculo a ser vencido nos dias de hoje. Para os brasileiros, o ato de planejar a longo prazo é inexistente, em muitos casos. "Somos movidos pelo desejo e pela busca da satisfação imediata", diz a psicóloga. Ela cita estudo da Universidade do Colorado em Boulder (Estados Unidos), que identificou os genes responsáveis pela impulsividade e procrastinação, que significa deixar para depois algo que poderia ser feito no momento. Para Luciane, herdamos uma espécie de miopia temporal, uma visão encurtada que prioriza o presente e negligencia o futuro. "Poupar hoje para desfrutar algo no futuro é uma habilidade que temos que treinar e nos esforçar, pois não está nos nossos genes", explica a psicóloga.
O exemplo diário da procrastinação está na rotina de quase todo mundo, em expressões e pensamentos como "ainda tem tempo" ou "no mês que vem eu começo". Isso se aplica ao poupar, ao economizar e ao começar a investir em um plano de previdência ou seguro de vida também. "É assim que seguimos arriscando o nosso futuro", alerta Luciane, que exemplifica com um dos produtos líderes do mercado de seguros essa tendência de comportamento. Os motoristas, especialmente quando adquirem um veículo novo, correm para proteger o patrimônio, porque há um risco eminente de roubo ou danos em acidentes. Já o seguro de vida ainda é pouco procurado.
"Sabemos, com 100% de certeza, que vamos morrer, mas só 10% da população brasileira tem seguro de vida. Tememos os riscos, reconhecemos a necessidade de nos protegermos, mas não contratamos produtos de proteção como deveríamos por falta de percepção imediata de necessidade", diz ela, lembrando que a teoria do Viés do Presente é tão importante que o estudo de dois psicólogos israelenses, Daniel Kahneman e Amos Tversky, sobre o tema é a razão pela qual eles receberam o Nobel de Economia de 2002 e ganharam relevância no mundo dos investimentos.
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