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transplantes

- Publicada em 17h57min, 03/10/2016. Atualizada em 16h16min, 15/10/2020.

40% dos familiares negam a doação de órgãos

Para Manfro, é importante que a pessoa que quer ser doadora converse com a família sobre sua intenção

Para Manfro, é importante que a pessoa que quer ser doadora converse com a família sobre sua intenção


CLÓVIS PRATES /DIVULGAÇÃO/JC
Entre os quatro pontos que o médico Valter Duro Garcia, chefe da Coordenação Interna de Captação de Órgãos da Santa Casa destaca no processo de transplantes, o mais urgente talvez seja a educação da sociedade. Segundo ele, nas faculdades de Medicina e Enfermagem já existem disciplinas optativas sobre o assunto. Conforme Garcia, cerca de 40% dos familiares não autorizam a doação de órgãos. O relatório da Central de Transplantes do Estado revela que em agosto 44% negaram, mas o índice chegou a 52% em março e 47% em abril. "Podemos melhorar, embora estejamos no caminho certo", afirma o médico.
Entre os quatro pontos que o médico Valter Duro Garcia, chefe da Coordenação Interna de Captação de Órgãos da Santa Casa destaca no processo de transplantes, o mais urgente talvez seja a educação da sociedade. Segundo ele, nas faculdades de Medicina e Enfermagem já existem disciplinas optativas sobre o assunto. Conforme Garcia, cerca de 40% dos familiares não autorizam a doação de órgãos. O relatório da Central de Transplantes do Estado revela que em agosto 44% negaram, mas o índice chegou a 52% em março e 47% em abril. "Podemos melhorar, embora estejamos no caminho certo", afirma o médico.
Para o nefrologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e presidente da Associação Brasileira de Transplantes, Roberto Manfro, é importante que a pessoa que quer ser doadora converse com a família sobre sua intenção, pois a legislação brasileira obriga o consentimento dos familiares. Já aquelas que têm dúvidas sobre os procedimentos, o médico indica que procure profissionais da área da saúde e se informe. "Quando é diagnosticada a morte encefálica é porque não passa mais sangue pelo cérebro e os outros órgãos só estão funcionando porque medicamentos e aparelhos estão sendo usados", explica Manfro, ressaltando que a lei é bastante rígida sobre o assunto.
Mesmo com a resistência de boa parte da população sobre o assunto e as limitações do sistema público de saúde, o Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo SUS. Hoje, mais de 80% dos transplantes são realizados com sucesso. "Há 30 anos, os medicamentos não eram não potentes. Atualmente, se consegue tratar com sucesso mais de 95% das rejeições", garante Manfro. O transplante de rim, por exemplo, se tornou um procedimento corriqueiro com sobrevida de 95% do paciente após o procedimento e 90% do órgão. Cerca de 20% dos procedimentos de rim são realizados com a doação de um familiar vivo.
Os transplantes mais delicados são os de pulmão. No entanto, o médico explica que a pessoa com indicação para o procedimento tem mais chance de complicações do que se não fizer a cirurgia. "Temos um índice alto de sucesso com o pulmão, mas ainda é preciso melhorar", completa.
A professora aposentada e psicóloga Elisa Kern, 66 anos, passou sete anos fazendo hemodiálise e seis anos na fila de espera por um rim. Ela foi diagnosticada com insuficiência renal aos 30 anos. Neste período não podia fazer viagens longas, já que precisava do procedimento até três vezes pó semana. Antes de encontrar o órgão, foi chamada quatro vezes para fazer os testes que indicam ou não o transplante. Elisa lembra que foi uma das últimas pacientes a ser operada no Hospital Maia Filho, em Porto Alegre. Após 45 dias de internação, hoje leva uma vida praticamente normal, com os cuidados que todas as pessoas a sua idade devem ter. "Por mais avançada e segura que é uma hemodiálise, o paciente vive preso a uma máquina. A conscientização da sociedade sobre a importância da doação é muito importante", diz ela.

Cinco perguntas sobre doação de órgãos

  • Como posso ser um doador? No Brasil, o transplante só acontece com a autorização de um familiar do doador. Por isso, é fundamental falar coma família sobre o desejo da doação. A doação de órgãos só acontece após autorização por escrito de familiar.
  • Que tipos de doador existem? Qualquer pessoa saudável pode doar um dos rins, parte do fígado, medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até 4º grau e cônjuges podem ser doadores; não-parentes, somente com autorização judicial.
  • Quais órgãos e tecidos podem ser doados? Coração, pulmão, fígado, pâncreas, rim, córnea, ossos, músculos e pele.
  • Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados? Aquele que estiver na lista de espera gerenciada pela Central de Transplantes do Estado, e for compatível com o doador.
  • O que diz a lei brasileira de transplante? A lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei nº 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar.
Fonte: Secretaria Estadual de Saúde/RS

Nove mitos sobre transplantes

  • Se os médicos do setor de emergência souberem que você é um doador, não vão se esforçar para salvá-lo. Se você está doente ou ferido e foi admitido no hospital, a prioridade número um é salvar a sua vida. A doação de órgãos somente será considerada após sua morte e após o consentimento de sua família.
  • Quando você está esperando um transplante, sua condição financeira ou seu status é tão importante quanto sua condição médica. Quando você está na lista de espera por uma doação de órgão, o que realmente conta é a gravidade de sua doença, tempo de espera, tipo de sangue e outras informações médicas importantes.
  • Necessidade de qualquer documento ou registro expressando minha vontade de ser doador. Não há necessidade de qualquer documento ou registro, apenas informe sua família sobre sua vontade de ser doador.
  • Somente corações, fígados e rins podem ser transplantados. Órgãos necessários incluem coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Tecidos que podem ser doados incluem: córneas, pele, ossos, valvas cardíacas e tendões.
  • Seu histórico médico acusa que seus órgãos ou tecidos estão impossibilitados para a doação. Na ocasião da morte, os profissionais médicos especializados farão uma revisão de seu histórico médico para determinar se você pode ou não ser um doador. Com os recentes avanços na área de transplantes, muito mais pessoas podem ser doadoras.
  • Você está muito velho para ser um doador. Pessoas de todas as idades e históricos médicos podem ser consideradas potenciais doadoras. Sua condição médica no momento da morte determinará quais órgãos e tecidos poderão ser doados.
  • A doação dos órgãos desfigura o corpo e altera sua aparência na urna funerária. Os órgãos doados são removidos cirurgicamente, numa operação de rotina, similar a uma cirurgia de vesícula biliar ou remoção de apêndice. Você poderá até ter sua urna funeral aberta.
  • Sua religião proíbe a doação de órgãos. Todas as organizações religiosas aprovam a doação de órgãos e tecidos e a consideram um ato de caridade.
  • Há um verdadeiro perigo de alguém poder ser drogado e quando acordar, encontrar-se sem um ou ambos os rins, removidos para ser utilizado no mercado negro dos transplantes? Não há absolutamente qualquer evidência de tal atividade ter ocorrido. Mesmo soando como verdadeira, essa história não se baseia na realidade dos transplantes de órgãos.
Fonte: Associação Brasileira de Transplantes
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