Porto Alegre, sexta-feira, 16 de outubro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 16 de outubro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

DOENÇAS DEGENERATIVAS

- Publicada em 13h47min, 18/10/2016. Atualizada em 16h07min, 15/10/2020.

Buscar ajuda é fundamental para enfrentar a Doença de Parkinson

Sheila alerta que doença se apresenta de forma diferente em cada paciente

Sheila alerta que doença se apresenta de forma diferente em cada paciente


HOSPITAL SÃO LUCAS DA PUCRS/DIVULGAÇÃO/JC
Há 18 anos Norimar Santos Castanheiro foi diagnosticada com a Doença de Parkinson. Vendedora, viajava bastante e tinha apenas 49 anos quando a mão falhou ao fazer um relatório. "Fui ao médico e achei um absurdo o diagnóstico. Não acreditei e procurei outros quatro profissionais. Até hoje, me trato com o primeiro que descobriu a doença", conta ela, que preside  Associação de Parkinson do Rio Grande do Sul.
Há 18 anos Norimar Santos Castanheiro foi diagnosticada com a Doença de Parkinson. Vendedora, viajava bastante e tinha apenas 49 anos quando a mão falhou ao fazer um relatório. "Fui ao médico e achei um absurdo o diagnóstico. Não acreditei e procurei outros quatro profissionais. Até hoje, me trato com o primeiro que descobriu a doença", conta ela, que preside  Associação de Parkinson do Rio Grande do Sul.
No grupo há 15 anos, Norimar garante que é mais fácil conviver com a doença quando se troca experiência e se divide angústias. O grupo não tem sede própria, mas se reúne todas as terças e quintas-feiras à tarde, em uma sala cedida pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs). "Muitos portadores têm vergonha e é difícil dar o primeiro passo e buscar ajuda no grupo de apoio. Mas vale a pena, nos encontros a gente descobre que não é tão horrível assim", diz ela. Aos 67 anos, toma remédios de três em três horas e pratica hidroginástica e alongamento.
A neurologista Sheila Trentin, do Hospital São Lucas da Pucrs, diz que os grupos de apoio ajudam muito alguns pacientes, pois contam com equipe multidisciplinar. No entanto, nem todos os portadores se sentem bem com os encontros, pois veem pacientes em fases mais avançadas e temem ficar na mesma situação. "Esse sentimento é um equívoco, pois o Parkinson apresenta-se de forma diferente em cada pessoa", explica ela.
Assim como outras doenças degenerativas, o Parkinson é difícil para o portador e a família. "O apoio familiar é muito importante para a aceitação da doença e melhor qualidade de vida. O sofrimento ocorre muito pela incerteza do futuro", afirma Sheila. Para enfrentar a situação da melhor forma, buscar informação é fundamental. Em Porto Alegre, são ministrados cursos específicos para parentes e cuidadores, e há muitos livros sobre o tema. De acordo com a médica, a família deve tentar ajudar, mas sempre permitindo que o paciente mantenha a maior autonomia possível. Nos primeiros anos da doença o paciente vai conseguir fazer quase tudo de forma independente. Com o passar dos anos, necessitará cada vez mais de ajuda, já que a doença é neurodegenerativa. "Observar o paciente, a variação dos sintomas ao longo do dia pode ajudar bastante, pois o médico ajusta os remédios baseado no exame físico e  relatos do paciente e familiares", recomenda.

Atividade física é aliada

"Um dos aspectos cruciais do tratamento é manter-se física e mentalmente ativo", diz a neurologista Sheila Trentin. A atividade física melhora tanto os sintomas motores quanto o raciocínio. A fisioterapia também é importante e deve ser feita desde o início da doença. As várias modalidades de tratamento ajudam a amenizar os sintomas e permitem uma vida com qualidade. "Existem muitas pesquisas por terapias que freiem a progressão da doença e algumas mostram tendência de medicamentos nesse sentido, mas nada comprovado cientificamente", explica ela.
Assim como os grupos de apoio, o acompanhamento com psicólogos e/ou psiquiatras também é importante. "Se possível, nutricionista, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional ajudarão bastante. Quanto mais modalidades terapêuticas envolvidas, maior será o sucesso do tratamento", afirma. A médica explica que cabe ao neurologista prescrever as medicações e verificar se o paciente tem indicação para a cirurgia de implantação de eletrodos no cérebro, que estimulam áreas como um marcapasso e têm ajudado muitos pacientes. 

Causa ainda é desconhecida

De 10 a 15% das causas do Parkinson são genéticas, pois já foram descobertos genes associados ao desenvolvimento da doença. No entanto, explica a neurologista Sheila Trentin, a testagem só é feita para fins de pesquisa, já que o tratamento não difere dos casos cuja causa da doença ainda é desconhecida. "Acredita-se que possa haver uma predisposição individual a desenvolver a doença, deflagrada por algum fator ambiental. Já foram identificados agrotóxicos, por exemplo, associados a um maior risco de desenvolver a doença", diz.
Ela lembra ainda que existem outras causas de parkinsonismo, sintomas muito parecidos com os do Parkinson, que podem ser causados por medicamentos, lesões cerebrais isquêmicas, infecções cerebrais etc. "Esses outros fatores devem ser excluídos para que se faça o diagnóstico correto da doença", comenta a médica.
O Parkinson apresenta sintomas motores, como tremores, rigidez e lentificação dos movimentos. Os não motores podem aparecer anos antes, como alteração da capacidade de sentir cheiros adequadamente e distúrbios do sono, que levam o paciente a sonhos agitados. Alterações de humor, de raciocínio e alucinações também são comuns. Os primeiros sintomas motores costumam ocorrer entre os 50 e 60 anos, mas existem casos mais precoces ou tardios. Segundo a neurologista, não existem muitas pesquisas epidemiológicos sobre a doença no Brasil, mas estudo realizado em Minas Gerais aponta cerca de 3% da população acima de 60 anos com Parkinson. "Sabe-se que a prevalência em homens é ligeiramente maior, cerca de 1,5 para cada mulher afetada", comenta.
O diagnóstico médico é feito, de preferência, por um neurologista. "Não existe um exame de sangue que indique o diagnóstico. O mais importante é a avaliação da história da evolução e apresentação dos sintomas. O diagnóstico pode ser feito apenas com a avaliação clínica", diz ela.
Comentários CORRIGIR TEXTO