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DOENÇAS DEGENERATIVAS

- Publicada em 14h52min, 03/10/2016. Atualizada em 16h19min, 15/10/2020.

Alzheimer: enfermidade tamanho família

Maia destaca importância dos grupos de apoio e dedicação das famílias

Maia destaca importância dos grupos de apoio e dedicação das famílias


FREDY VIEIRA/JC
Conviver com uma pessoa portadora da doença de Alzheimer é doloroso e requer muita paciência. Os sintomas começam com perda de memória recente, desorientação, inquietação e agressividade, podendo se agravar até a pessoa ficar acamada. Nesta luta diária com a enfermidade, a família precisa estar preparada para uma nova rotina de cuidados e organização. Oferecer ao paciente um ambiente tranquilo é fundamental, segundo o neurogeriatra Alberto Maia. "O cuidador de uma pessoa com Alzheimer precisa estar descansado. Caso contrário, serão duas pessoas doentes", diz o médico, ressaltando que só a família é que pode dar o afeto que o portador precisa.
Conviver com uma pessoa portadora da doença de Alzheimer é doloroso e requer muita paciência. Os sintomas começam com perda de memória recente, desorientação, inquietação e agressividade, podendo se agravar até a pessoa ficar acamada. Nesta luta diária com a enfermidade, a família precisa estar preparada para uma nova rotina de cuidados e organização. Oferecer ao paciente um ambiente tranquilo é fundamental, segundo o neurogeriatra Alberto Maia. "O cuidador de uma pessoa com Alzheimer precisa estar descansado. Caso contrário, serão duas pessoas doentes", diz o médico, ressaltando que só a família é que pode dar o afeto que o portador precisa.
Para ajudar as famílias, os grupos de apoio têm papel fundamental, pois são nestes encontros que os cuidadores podem trocar experiências e receber informações de profissionais das mais diversas áreas. "Conversar com pessoas que enfrentam o mesmo problema ajuda a pensar novas estratégias de como melhorar a qualidade de vida do paciente e dos que estão ao seu redor", comenta o médico. No Hospital Moinhos de Vento (rua Tiradentes, 333, térreo) ocorrem reuniões gratuitas duas segundas-feiras por mês, das 15h30min às 16h30min. O telefone para obter mais informações é o (51) 3314.3434.
Há sete anos, os pais da dentista caxiense Caroline Marca, 38 anos, estavam em um casamento quando o pai, Romeu Marca, teve um apagão de memória. De repente, ele não sabia mais onde estava. Caroline lembra que um ano antes desse episódio - que os fez buscar ajuda médica - ele já apresentava lapsos de memória e repetições, que, com o tempo, foram se tornando mais frequentes. "Perdia objetos pessoais, esquecia as conversas ou combinações que fazia com a minha mãe. Também estava com dificuldade de admitir o que estava ocorrendo", conta.
Após tomografia e exames complementares, começou um tratamento com medicações específicas, natação, caminhadas diárias e exercícios direcionados para a memória. Todas as noites, escrevia um diário de suas atividades e fazia outras tarefas que enviava por e-mail para sua neuropsicóloga. Um infarto anos depois fez com que a doença progredisse, ficando muito difícil para a família cuidá-lo. "Era preciso sempre ter alguém junto, ele já não saía mais de casa sozinho, pois se perdia na rua. Normalmente, minha mãe estava sempre orientando a rotina, separava a roupa para ele vestir e dizia o que tinha de fazer", diz a dentista, lembrando que o pai perdeu o interesse por atividades que gostava, como ler jornal ou assistir à televisão.
No último ano de vida, embora estivesse em estágio avançado da doença, ainda tinha momentos de lucidez. A agitação e agressividade quando era contrariado e o não reconhecimento de pessoas próximas e da própria casa levou a família a tomar uma decisão difícil: deixá-lo aos cuidados de profissionais capacitados em uma casa geriátrica. Marca ficou lá por oito meses, até falecer, em julho, aos 78 anos. "O mais importante desde a descoberta do Alzheimer é ter muito amor. O amor transcende a doença e o paciente sente. Não existe melhor canal de comunicação com um portador dessa doença que não seja pelo amor dos familiares e cuidadores", completa Caroline.

Risco de desenvolver a doença pode ser de 1% aos 60 anos

A Associação Brasileira de Alzheimer estima que cerca de 1,2 milhão de pessoas sofram da doença no País, a maior parte delas ainda sem diagnóstico. É comum que os sintomas iniciais sejam confundidos com o processo de envelhecimento. Apesar de cada mais vez difundida, o neurogeriatra Alberto Maia afirma que apenas 1% da população com 60 anos desenvolverá a doença. O risco dobra a cada cinco anos. "O Alzheimer é um evento raro na terceira idade. O mais provável é que os idosos não tenham e mantenham suas capacidades cognitivas íntegras. Envelhecer não é sinônimo de demência", diz.
A queixa de perda de memória não quer dizer que a pessoa esteja desenvolvendo a doença. Segundo Maia, esse sintoma tem de vir acompanhado da perda da independência no dia a dia. O primeiro passo é fazer uma avaliação com clínico geral e, depois, buscar um especialista. "Nenhum exame mostra o Alzheimer. Os exames são feitos para descartar outras patologias. O diagnóstico é clínico, conversando com o paciente e sua família", explica.
O Alzheimer não tem cura, mas tratamento. Nos últimos anos, os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença. Está em desenvolvimento nos Estados Unidos uma vacina para estancar a inflamação da molécula tóxica beta-amiloide, que destrói os neurônios e causa a doença. Enquanto novos medicamentos estão em estudo, os pacientes são tratados com remédios específicos para a memória e para controlar a agitação e depressão. Além disso, tratamentos não farmacológicos também são recomendados, como atividades de estimulação cognitiva, social e física. Estudos mostram que pacientes mais ativos utilizam o cérebro de maneira mais ampla e sentem-se mais seguros e confiantes.
DICAS DE PREVENÇÃO
  • Controlar a hipertensão
  • Evitar o tabagismo
  • Manter a atividade intelectual. A leitura é o melhor exercício.
  • Fazer atividade física
  • Ter uma vida social
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