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DOENÇAS TROPICAIS

- Publicada em 14h48min, 03/10/2016. Atualizada em 16h15min, 15/10/2020.

Rio Grande do Sul já registra dois casos de microcefalia

Bebês foram encaminhados para tratamentos em suas cidades, diz Lavínia

Bebês foram encaminhados para tratamentos em suas cidades, diz Lavínia


CLÓVIS SOUZA PRATES/DIVULGAÇÃO/JC
Desde o início das notificações de microcefalia, em outubro de 2015, o Rio Grande do Sul registrou dois casos em recém-nascidos com relação à infecção pelo zika vírus, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Os bebês nascidos em 2016 são dos municípios de Esteio e Cachoeira do Sul e tiveram relação identificada com a infecção da mãe pelo vírus durante a gestação. A suspeita é de que as mulheres foram infectadas fora do Estado. Uma tinha registro de viagem para Pernambuco e outra para São Paulo. A geneticista Lavínia Schüler explica que essas crianças foram atendidas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência para o diagnóstico, e encaminhadas para atendimento multidisciplinar nas redes públicas de suas cidades.
Desde o início das notificações de microcefalia, em outubro de 2015, o Rio Grande do Sul registrou dois casos em recém-nascidos com relação à infecção pelo zika vírus, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Os bebês nascidos em 2016 são dos municípios de Esteio e Cachoeira do Sul e tiveram relação identificada com a infecção da mãe pelo vírus durante a gestação. A suspeita é de que as mulheres foram infectadas fora do Estado. Uma tinha registro de viagem para Pernambuco e outra para São Paulo. A geneticista Lavínia Schüler explica que essas crianças foram atendidas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência para o diagnóstico, e encaminhadas para atendimento multidisciplinar nas redes públicas de suas cidades.
A microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Os bebês nascem com perímetro cefálico menor que o normal, que habitualmente é superior a 32 cm. A doença é progressiva e não tem cura. Também não há tratamento específico, pois cada criança desenvolve complicações diferentes - entre elas, respiratórias, neurológicas e motoras. O acompanhamento por diferentes especialistas vai depender das funções que ficarem comprometidas.
A principal recomendação a gestantes é a de adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes. Segundo a geneticista Maria Teresa Sanseverino, o primeiro trimestre da gravidez parece ser o de maior risco. "O cuidado para não entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da gestação", alerta a especialista.
Conforme o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, até 25 de junho, foram confirmados 1.638 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso em todo o País, que sugerem ter sido causados por infecção congênita. Outros 3.061 casos suspeitos de microcefalia ainda estão sendo investigados. Desde o início das investigações, em outubro do ano passado, 8.165 casos suspeitos de microcefalia foram notificados ao Ministério da Saúde. Desses, 3.466 foram descartados. Do total de casos confirmados, 270 tiveram comprovação laboratorial de que foram causados pelo vírus zika.
Um estudo divulgado no mês passado pela revista científica britânica The Lancet Infectious Diseases reforça que a epidemia de microcefalia registrada no Brasil em 2015 é resultado de infecção congênita da mãe para o bebê por zika. "Devemos nos preparar para uma epidemia global de microcefalia e outras manifestações da Síndrome Congênita do zika", dizem os autores da pesquisa. Intitulado Association between Zika Virus infection and microcephaly in Brazil, January to May 2016: Preliminary report of a case control study, o estudo analisou 32 crianças nascidas com microcefalia e 62 controles (crianças sem microcefalia nascidas no dia posterior ao nascimento do caso e na mesma região), em oito hospitais públicos do Recife, em Pernambuco, entre janeiro e maio deste ano.
A relação entre a infecção de gestantes por zika e o nascimento de bebês com microcefalia já é amplamente aceita no mundo acadêmico, porém ainda são necessários estudos que detalhem a ocorrência da malformação e deem mais embasamento científico.

Sintomas, perigos e complicações distintos

Testes de laboratório confirmam 270 casos de microcefalia pelo vírus zika
dia do medico 2016 reportagem especial Lavinia Schuller credito Clóvis S. Prates divulgacao jc
CLÓVIS SOUZA PRATES/DIVULGAÇÃO/JC
Embora tenham o mesmo transmissor, o Aedes aegypti, dengue, zika e chikungunya são enfermidades com sintomas e desdobramentos diferentes. No caso da dengue, a mais comum das doenças, o primeiro sintoma é a febre alta, entre 39° e 40°C, de início repentino e duração de dois a sete dias. Os sintomas também são dores de cabeça, no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira no corpo. Perda de peso, náuseas e vômitos também podem ocorrer.
Já a chikungunya se manifesta através de sintomas como febre alta, dores musculares, nas articulações e cabeça e erupções na pele, que costumam durar de três a 10 dias. No zika, o principal sintoma é a erupção na pele com coceira, que pode ser acompanhada de febre baixa ou ausência dela. Olhos vermelhos sem secreção ou coceira, dor nas articulações, nos músculos e na cabeça também podem ocorrer e, normalmente, os sintomas desaparecem após três a sete dias.
Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes devem ficar atentos aos perigos e complicações que cada uma das doenças podem causar e buscar atendimento médico aos primeiros sintomas. A dengue, por exemplo, pode acarretar desidratação grave, que ocorre sem a pessoa perceber. Por isso, é importante tomar bastante líquido. Na chikungunya, a principal dificuldade aos pacientes é a permanência, por longo tempo, de dores e inchaço nas articulações, o que pode chegar, em alguns casos, a impedir o doente de retornar às suas atividades. No zika, as complicações mais observadas têm sido as manifestações neurológicas como paralisia facial e fraqueza nas pernas, a exemplo do desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré.

Para evitar a proliferação do mosquito

  • Tampe os tonéis e caixaS d’água
  • Mantenha as calhas sempre limpas
  • Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo
  • Mantenha lixeiras bem tampadas
  • Deixe ralos limpos e com aplicação de tela
  • Limpe semanalmente ou preencha pratos de vasos de plantas com areia
  • Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais
  • Retire água acumulada na área de serviço e atrás da máquina de lavar roupa
  • Fonte: Ministério da Saúde

Como eliminar os focos

  • Lavar as bordas dos recipientes que acumulam água com sabão e escova/bucha
  • Jogar as larvas na terra ou no chão seco
  • Para grandes depósitos de água e outros reservatórios de água para consumo humano é necessária a presença de agente de saúde para aplicação do larvicida
  • Em recipientes com larvas onde não é possível eliminar ou dar a destinação adequada, colocar produtos de limpeza (sabão em pó, detergente, desinfetante e cloro de piscina) e inspecionar semanalmente o recipiente, desde que a água não seja destinada ao consumo humano ou animal.
  • Importante solicitar a presença de agente de saúde para realizar o tratamento com larvicida.
  • Fonte: Ministério da Saúde
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