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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 12h08.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 27/10/2016. Alterada em 26/10 às 20h06min

Tempo de viver e de morrer

"Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta" (Eclesiastes 3,1-2). A sabedoria bíblica faz refletir sobre a realidade da vida e da morte.
O ser humano é a única criatura que tem consciência de sua finitude. Sabe que o viver comporta o morrer. A consciência da mortalidade leva a pessoa ao desejo de imortalidade. É uma inquietude que permanece, refratando as hipóteses de um dia a pessoa não mais existir.
Em diferentes épocas, povos de diversas culturas construíram diferentes concepções sobre o sentido da morte e a possibilidade de existir após esta vida. Basearam-se em percepções da natureza, em revelações sobrenaturais, no desejo de transcendência, em livros sagrados ou em mensagens de profetas e mestres. As religiões nascem do encontro do humano com o divino para estabelecer um sentido para viver, partindo de uma releitura sobre o morrer e possibilitar novas escolhas para enfrentar a vida que tende à morte.
Não é possível verificar empiricamente e consensualmente a existência de alguma realidade no pós-morte. As afirmações da ciência tendem a revelar o silêncio abissal sobre essa realidade. Por outro lado, não há nenhuma comprovação de que nada exista após a morte. Assim, o crente sustenta que há vida eterna, o ateu declara que nada existe após a vida. Enfim, a resposta pode variar, porque ela não é apenas intelectual. Ela se desprende da experiência que se realiza durante a vida. Entretanto, a maioria das pessoas que vem a este mundo tende perceber, para além das crenças e religiões, que há um elemento comum na humanidade: há algo no humano que não morre. Quem consegue fazer essa experiência durante a vida percebe a morte de outra forma. O melhor sinalizador de tudo isso é que as crenças e religiões da humanidade afirmam, por diferentes caminhos, que o ser humano é criado no tempo, mas tende à eternidade.
A reflexão sobre a morte não pode abstrair desta vida, mas busca um sentido mais profundo para ela. Desta forma, exorcizam-se a apatia e o descaso com os dias transcorridos na terra, evidenciando-se o amor e o encanto pela vida.
Apesar deste tempo ser marcado pelo imediatismo, quando poucas pessoas se ocupam de cemitérios e memoriais para os mortos, permanece a questão do sentido da vida diante do morrer. Por mais que alguns tendam a mascarar essa inquietação compensando toda incerteza pela eternização do presente, não faltam reflexões que tendem a dizer que a vida é mais forte que a morte, como afirma o livro do Cântico dos Cânticos.
O Dia de Finados é um apelo, também para os distraídos, sobre o valor da vida que também conhece seu ocaso, seu "pôr do sol", seu epílogo. E quanta beleza pode haver no ocaso da vida! Fazer memória dos mortos é tomar consciência de que cada ser humano é marcado pela experiência da vida que o precede e o sucede.
 
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Comentários
geraldo beauclair 31/10/2016 12h58min
Oportuna observação deste alto dignatário da Igreja.