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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de setembro de 2016. Atualizado às 07h43.

Jornal do Comércio

Política

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lava jato

Notícia da edição impressa de 23/09/2016. Alterada em 26/09 às 07h44min

Mantega é detido e Moro revoga a prisão

Guido Mantega foi conduzido na portaria do hospital Albert Einstein

Guido Mantega foi conduzido na portaria do hospital Albert Einstein


MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/JC
O juiz federal Sérgio Moro, revogou, no início da tarde desta quinta-feira, a prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que havia sido detido temporariamente pela Polícia Federal na 34ª fase da Operação Lava Jato.
A decisão saiu às 12h20min. O motivo foi a situação de saúde da mulher de Mantega, que passava por uma cirurgia no hospital Albert Einstein quando a operação ocorreu.
O ex-ministro é acusado de solicitar ao empresário Eike Batista o repasse de R$ 5 milhões ao PT para pagar dívidas de campanha, em novembro de 2012 (os investigadores ainda não sabem a que campanhas o ex-ministro se referia).
A equipe da Polícia Federal pretendia prender Mantega em sua residência, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Na casa - que foi o alvo das buscas -, entretanto, só estavam seu filho, de 16 anos, e a empregada doméstica.
A Polícia Federal decidiu, então, ir até o hospital para encontrar Mantega. Em nota, a PF negou que tenha havido ação no hospital e que a coincidência com a internação da mulher do ex-ministro foi infeliz.
"Nas proximidades do hospital, policiais federais fizeram contato telefônico com o investigado, que se apresentou espontaneamente na portaria do edifício", informou a corporação, em nota.
"De forma discreta e em viatura não ostensiva, o investigado acompanhou a equipe até o apartamento e, já tendo feito contato com seu advogado, foi então iniciado o procedimento de busca", completou o comunicado da Polícia Federal.
A deflagração da 34ª fase da Operação Lava Jato, que tem o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, como um dos alvos, foi possível em parte pela participação crucial do ex-bilionário Eike Batista. O empresário prestou depoimento espontâneo à força-tarefa da Operação Lava Jato, no qual explicou em detalhes como Guido Mantega pediu doação ao Partido dos Trabalhadores, no valor de R$ 5 milhões, em forma de quitação de campanha. A reunião foi no dia 1 de novembro de 2012, fora de período eleitoral.
Presos temporariamente na operação
> Luiz Eduardo Neto Tachard - na condição de dirigente do grupo Tecna/Isolux, teria intermediado parte das propinas.
> Francisco Corrales Kindelan - na condição de dirigente do grupo Tecna/Isolux, teria intermediado parte das propinas e assinado o termo de compromisso.
> Ruben Maciel da Costa Val - pela Mendes Jr., teria participado da troca de mensagens eletrônicas relativas à contratação da Isolux, empresa que teria sido utilizada para repasse de propinas.
> Luiz Cláudio Machado Ribeiro - pela Mendes Jr., teria participado da troca de mensagens eletrônicas relativas à contratação da Isolux, empresa que teria sido utilizada para repasse de propinas, e assinado o termo de compromisso.
> Danilo Sousa Baptista - pela OSX, teria participado da troca de mensagens eletrônicas relativas à contratação da Isolux, empresa que teria sido utilizada para repasse de propinas.
> Luiz Eduardo Guimarães Carneiro - pela OSX, é citado pelo colaborador Eduardo Costa Vaz Musa e pela testemunha Ivo Dworschak Filho como responsável pelo esquema Alvo de mandado de prisão, mas ainda não detido.
> Júlio César Oliveira Silva - na condição de dirigente do grupo Tecna/Isolux, teria intermediado parte das propinas.

Advogado diz que ex-ministro jamais falou com empresário

O advogado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, José Roberto Batochio, disse que seu cliente "jamais conversou com o ex-bilionário Eike Batista a respeito desses fatos". O defensor do ex-ministro falou com a imprensa quando deixava a superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo. "Estamos sabendo desses fatos agora, esses fatos eram absolutamente secretos", declarou.
Batochio também criticou o fato de Guido Mantega ter pedido de prisão expedido e Eike Batista estar solto, já que o crime de corrupção pressupõe o corrompido e o corruptor. Ele classifica a prisão de Mantega como desnecessária. "Quer ouvir, quer investigar, chama, intima. Qual é a necessidade disto?", questionou o defensor.
Depois que a prisão foi revogada pelo juiz Sérgio Moro devido à cirurgia da mulher de Mantega, Batochio afirmou: "Com cirurgia ou sem cirurgia, a prisão é arbitrária e odiosa, autoritária e inaceitável".
As circunstâncias da prisão provocaram críticas de lideranças petistas. O presidente do PT, Rui Falcão, se disse "revoltado" com a operação policial e afirmou que o "estilo de arbitrariedade e violação de direitos humanos e abuso de poder" da força-tarefa da Lava Jato é "insuportável".
As bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado também reagiram à prisão do ex-ministro. Em nota, chamaram a operação desta manhã de "seletiva e abusiva". Os parlamentares falam em violação da "dignidade e direitos fundamentais" de Mantega e sua família. Para os deputados, o "espetáculo político-administrativo" visa "interferir na disputa política" no País.
"Resta óbvia a orientação político-partidária da investigação: atacar o Partidos dos Trabalhadores e tentar inviabilizar uma candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República em 2018", destaca a nota do PT da Câmara. Falando em indignação, os senadores destacam o "repúdio" à ação da PF.

Agenda oficial do ministério confirma a reunião mencionada por Eike Batista

A agenda oficial de Guido Mantega como chefe do Ministério da Fazenda confirma reunião dele no dia 1 de novembro de 2012 com o empresário Eike Batista. A data foi mencionada por Eike em depoimento à Lava Jato em que contou ter recebido do ministro um pedido de R$ 5 milhões para ser repassado ao PT.  Segundo o empresário, o encontro ocorreu no gabinete do ministro. A agenda de 1 de novembro de 2012, registrada no banco de dados do ministério, informa: "Audiência com o empresário Eike Batista, do Grupo EBX, Horário: 12h, Local: Ministério da Fazenda". Segundo a mesma agenda, Mantega se encontraria com a presidente Dilma
Rousseff (PT) às 10h. Na época, Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Sob orientação do PT, Eike teria firmado contrato fraudulento com empresa do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, para pagar
US$ 2,35 milhões no exterior.
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