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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de setembro de 2016. Atualizado às 23h27.

Jornal do Comércio

Política

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eleições 2016

Notícia da edição impressa de 16/09/2016. Alterada em 15/09 às 20h39min

Silvana Conti quer reflexão na escola

Silvana Conti está no PCdoB há 10 anos

Silvana Conti está no PCdoB há 10 anos


Marco Quintana/JC
Carolina Hickmann
A candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Raul Pont (PT) não tem nada de "bela, recatada e do lar", segundo sua autodefinição. Professora, mulher, lésbica e filha de Oxum, Silvana Conti (PCdoB) faz de sua profissão a chance de trazer liberdade para seus alunos. Ao descobrir sua sexualidade, morava em Santa Cruz do Sul. Lá foi bastante discriminada e fez disso a sua bandeira.
A partir de então, procurou promover uma educação que auxilie seus alunos na reflexão sobre igualdade de gênero, sexual e racial. Com este pensamento, Silvana critica o projeto Escola Sem Partido. "Eles põem esse nome de propósito, para dar a entender que quem busca a temática da igualdade quer partidarizar a escola. Nós queremos uma Escola Sem Mordaça", defende.
Para Silvana, o ideal seria que todos os educadores tivessem conhecimento sobre direitos humanos. "Precisamos buscar que as professoras e os professores tenham essa formação específica para além do acolhimento. Precisamos disso nos projetos político-pedagógicos", propõe. Ela acredita que, no contexto da política nacional, esta é uma medida para conter o pensamento crítico da população. "Eles querem a gente no fogão."
Ela se aproximou do PCdoB há 10 anos, após notar que o partido dava espaço para lideranças femininas. "Os partidos fazem inúmeras leituras da realidade. Nós trabalhamos com aquilo que está posto, e eu tenho espaço para discutir os temas que atuo", pontua. Atualmente, ela é secretária de Mulheres do PCdoB, braço partidário integrante da União Brasileira de Mulheres.
Silvana nasceu em um momento turbulento da história do País, no Hospital Beneficência Portuguesa em Porto Alegre, em 1964, ano em que teve início a ditadura militar. Seu registro de nascimento aconteceu em 26 de fevereiro, mas ela nasceu no dia 31 de janeiro. "Como era o período militar, meu pai passava por problemas financeiros e não pôde me registrar na data certa, mas comemoro na data certa", conta.
Silvana diz que o dia 2 de abril de 1987 foi "o dia mais feliz de sua vida". Nesta data, após passar em concurso público, foi nomeada como professora do município de Porto Alegre, na Escola Aramy Silva, no bairro Cristal. "Foi nesse dia que eu senti que consegui!", conta, com expressão de alívio. Silvana afirma ser uma conhecedora da realidade das escolas municipais. Ela também lecionou na Escola Gabriel Obino, na Glória; na Escola Campus do Cristal, onde hoje é o Barrashopping; em projetos educacionais da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc); e na Escola Mário Quintana, na Restinga.
Sua ligação com a capital gaúcha também está atrelada a sua religiosidade. Moradora da Vila Nova, Silvana tem o costume de visitar as margens do lago Guaíba como maneira de conexão religiosa. "Sou de religião de matriz africana. Para nós, é Oxum que está lá na beira do rio", comenta. Assim, ela promete um olhar diferenciado ao local, já que também acumula lembranças de confraternização com sua família à beira do Guaíba.

O que fará como vice-prefeita

Silvana Conti (PCdoB), vice na coligação Porto Alegre Democrática, encabeçada pelo petista Raul Pont, afirma que este nome não foi escolhido em vão. Ela defende devolver para a cidade democracia e participação popular. "Porto Alegre já teve um Orçamento Participativo (OP) no qual era possível dialogar com as pessoas diretamente", comenta. Ela acredita que é possível tornar isso concreto novamente, como alega que os governos petistas já fizeram.
Silvana também acredita que só é possível pensar em políticas públicas por meio desse viés democrático. Para ela, a população sabe quais devem ser as prioridades da administração pública de cada região, aos moldes do OP. "O que mais precisamos no momento é uma Porto Alegre segura, com muita participação popular e democracia", propõe.
Para que haja possibilidade de concretização total destes objetivos, a candidata afirma que é fundamental que a Proposta de Emenda à Constituição nº 241, que limita o teto de gastos das contas públicas no limite atual por 20 anos, não seja aprovada no Congresso. "Imagina em 2036 como ficará a saúde, educação e assistência social com a verba que temos hoje", comenta Silvana, que vê na medida uma maneira de sucatear o serviço público para que ele seja entregue à iniciativa privada.
Silvana também expressa preocupação com os parques da cidade, especialmente o Parque Farroupilha (Redenção). "Vejo ali um lugar democrático, que aceita a Parada Livre, com famílias ao redor, enquanto pessoas vendem seu artesanato e ganham o seu sustento", observa. Ela diz que sua chapa é totalmente contrária ao cercamento do parque. "O que poderíamos ter é um cercamento eletrônico, com câmeras e, claro, melhorar a iluminação para que o lugar possa ser utilizado à noite." Ela conta que tem lembranças de comemorar o aniversário da cidade em segurança lá.
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