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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de setembro de 2016. Atualizado às 00h04.

Jornal do Comércio

Política

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operação lava jato

Notícia da edição impressa de 15/09/2016. Alterada em 15/09 às 00h01min

Após denúncia, Lula se compara a Juscelino

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu com indignação a informação de que ele e a mulher, Marisa Letícia, foram denunciados ontem pelo Ministério Público Federal (MPF). O petista foi informado por um assessor após o almoço, enquanto tomava café.
Segundo presentes à mesa, Lula ficou particularmente incomodado com a inclusão de dona Marisa. Ele leu a notícia no celular de um dos assessores. "Ficamos todos indignados", disse o ex-ministro Carlos Gabas, que testemunhou a reação.
Também presente no café, Fernando Morais disse que não há surpresa, já que Lula é, na sua opinião, o alvo de um golpe. "Seria o cúmulo da ingenuidade supor que fariam o carnaval que fizeram para depois deixar o Lula ganhar a eleição em 2018", disse.
Antes mesmo da entrevista em que os procuradores dariam detalhes da decisão, o ex-presidente divulgou nas redes sociais um texto em que se compara ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. "Curiosidade histórica: JK foi acusado de ser dono de imóvel em nome de amigo", publicou.
Horas antes, Lula avisou aos petistas que não pretende assumir a presidência do PT porque seria alvo de ataques. E, ao ser atingido, o partido também seria abatido.
Após o almoço com Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que "se houver um mínimo de justiça no País, a denúncia não será acatada". Falcão afirmou também que não cogita a prisão de Lula porque seria "uma arbitrariedade impensável". Ao comentar a reação de Lula, Falcão afirmou que o ex-presidente "tem o couro duro".
Denunciado pelo MPF por recebimento de vantagens da empreiteira OAS na reforma de um triplex em Guarujá (SP), Lula voltou a negar que seja dono do imóvel. Em sua conta no Facebook, disse que desde 30 de janeiro tornou públicos os documentos que provariam que ele não é proprietário do triplex.
"Lula esteve apenas uma vez no edifício, quando sua família avaliava comprar o imóvel. Jamais foi proprietário dele ou sequer dormiu uma noite no suposto apartamento que a Lava Jato desesperadamente tenta atribuir ao ex-presidente", diz o post.
Na publicação, o ex-presidente anexou um arquivo com vários documentos que, segundo ele e seus advogados, "desmontam farsa" sobre a titularidade do imóvel localizado no Condomínio Solaris.
Em nota, o advogado do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, Fernando Augusto Fernandes, rejeitou a acusação de lavagem de dinheiro referente ao fato de a OAS ter pago pelo armazenamento de bens de Lula depois que ele deixou a presidência. Ressaltou que o valor pago, com nota fiscal, refere-se a conservação de acervo que é patrimônio cultural.

Denúncia contra Lula 'é mais uma perseguição', diz Falcão

O presidente do PT, Rui Falcão, disse ontem que a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem o objetivo de impedi-lo de participar de novas eleições. De acordo com Falcão, a denúncia apresentada hoje pelo Ministério Público Federal (MPF) no Paraná contra Lula é mais um episódio de perseguição a que o ex-presidente está submetido.
"Todo o processo é sem prova, um processo em função de delações, e ele tem um objetivo claro, nós declaramos desde o início: trata-se de tentar interditar o presidente Lula, que não cometeu nenhum crime. Insiste-se a atribuir a ele esse tipo de ilegalidade", disse Falcão, que participou de reunião do PT na capital paulista, na qual Lula também esteve. "Eles não veem como suportar uma eleição direta. Depois de um bombardeio de mais de 10 anos, ele (Lula) continua liderando as pesquisas", acrescentou o presidente do PT.
Falcão disse que a denúncia do MPF já era esperada e faz parte de uma tentativa de criminalização do ex-presidente e de impedimento de que ele se candidate no futuro.
"Nós não entendemos as razões, mas se houver um mínimo de justiça, essa denúncia não deveria ser acatada, porque está mais do que comprovado que o presidente Lula nunca foi proprietário de apartamento, nunca se beneficiou legalmente de nada, usando seu cargo. É mais um episódio de perseguição."

'É lamentável denúncia sem provas', avalia Dilma Rousseff

Em nota divulgada na noite de ontem, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) considerou "lamentável" a denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba contra o ex-presidente Lula (PT) e sua mulher Marisa Letícia, comparou o caso dele ao processo de impeachment sofrido por ela e disse que a ação judicial tem o objetivo de impedir a candidatura de Lula em 2018.
"Mais uma vez, a democracia é ferida. Mais uma vez, grave injustiça é cometida sem fundamentos reais. Agora, o alvo é o ex-presidente Lula", afirmou Dilma, dizendo ainda que "é evidente que esta denúncia atende ao objetivo daqueles que pretendem impedir sua candidatura em 2018".
"Certamente, ele saberá se defender e as pessoas de bem saberão reagir", concluiu a petista. Desde que foi alvo de um processo de impeachment, Dilma tem reiterado que foi alvo de um golpe.
De outro lado, adversários políticos de Lula afirmaram que a denúncia comprova que o petista comandou o esquema de corrupção instalado na Petrobras.
"Não há organização criminosa sem um comando. Era uma jabuticaba brasileira", disse o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP).
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, adotou um tom mais moderado. "O partido aguarda a importante e necessária decisão da Justiça sobre as acusações feitas e que, se confirmadas na sua integridade, não deixarão mais qualquer dúvida sobre a complexa estrutura da organização criminosa estabelecida pelo PT."

Defesa do ex-presidente diz que faltam provas e critica 'espetáculo midiático'

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), denunciado ontem pela força-tarefa da Operação Lava Jato, classificaram a acusação do Ministério Público Federal (MPF) como um "truque de ilusionismo" que carece de provas.
"Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, muito menos uma prova", disse o advogado dele, Cristiano Zanin Martins, que leu uma nota redigida pela defesa do ex-presidente.
"A força-tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial e midiático", criticou, em referência à coletiva de imprensa.
O defensor afirmou que Lula e sua mulher, Marisa Letícia, repudiam a denúncia, "baseada em peça jurídica em inconsistência cristalina".
Zanin atacou o que chamou de "deplorável espetáculo de verborragia" apresentado pela força-tarefa da Lava Jato.
"O MPF elegeu Lula como maestro de uma organização criminosa mas esqueceu do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados", sustentou o advogado.
De acordo com Zanin, a acusação tem cunho político e a Lava Jato visa impor "condenação a qualquer custo" a Lula e Marisa. "Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal", afirmou o advogado.
Zanin acusou o procurador Deltan Dallagnol, líder da força-tarefa da Lava Jato, de "conduta política incompatível com o cargo" e de gastar recursos da Procuradoria para "divulgar suas teses".
A defesa reiterou que o casal nunca foi dono do triplex em Guarujá (SP) cuja reforma foi feita pela OAS.

Nova chefe da AGU contesta 'abafa'

Temer dá posse a Grace Mendonça como chefe da Advocacia da União
Temer dá posse a Grace Mendonça como chefe da Advocacia da União
ANTONIO CRUZ/ABR/JC
Após tomar posse como advogada-geral da União, Grace Mendonça rebateu ontem seu antecessor, Fábio Medina Osório, e disse que "não há qualquer tipo de ruptura ou obstrução" do governo de Michel Temer (PMDB) em relação à Operação Lava Jato. "Não há qualquer irregularidade na condução dos trabalhos da AGU em qualquer processo. Não há ruptura, obstáculo ou entrave", afirmou. Um dia após sua demissão, na semana passada, Osório afirmou que o governo Temer queria "abafar a Lava Jato".
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