Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 29 de setembro de 2016. Atualizado às 22h38.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Educação

Notícia da edição impressa de 30/09/2016. Alterada em 29/09 às 20h32min

Novo reitor da Ufrgs, Oppermann defende gratuidade do ensino

Jane Tutikian (d) será a vice-reitora de Rui Vicente Oppermann

Jane Tutikian (d) será a vice-reitora de Rui Vicente Oppermann


FREDY VIEIRA/JC
Isabella Sander
A reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) está de cara nova - ou nem tanto, já que ela é bem conhecida pela comunidade universitária. Eleito em junho, o professor titular de Odontologia Rui Vicente Oppermann, que atua na instituição desde 1983, tomou posse como reitor nesta quinta-feira, juntamente com a nova vice-reitora, Jane Tutikian.
O docente, que terá um mandato de quatro anos, já era vice-reitor desde 2008. Em seu discurso de posse, Oppermann afirmou o compromisso dos novos gestores com o respeito à pluralidade de ideias, a preservação do caráter público das universidades federais, a gratuidade do ensino, a garantia de recursos financeiros para instituições federais, a autonomia universitária e uma política de investimento em educação, pesquisa e extensão.
A lembrança sobre a gratuidade do ensino se deve a um projeto de lei do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que propõe a cobrança de anuidade a estudantes de universidades federais com renda familiar mensal superior a 30 salários-mínimos. O projeto encontra-se na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania desde março, aguardando apreciação.
"Devemos considerar todas as propostas, mas entendemos que a gratuidade no ensino é constitucional. Além disso, há evidências de que poderíamos buscar fontes de financiamento da universidade perante a sociedade. Esse é o nosso grande desafio", observa o reitor. Como atualmente pelo menos 50% dos alunos das universidades federais são oriundos de escolas públicas, Oppermann considera, também, que, talvez, a medida fosse ineficaz, visto que poucos casos se enquadrariam em uma renda familiar tão alta.
O professor cita a atuação da Ufrgs nas áreas de ciência, inovação e tecnologia como uma possibilidade de geração de renda. "Temos sido muito tímidos nesse quesito, até por conta das regulações, que nos impedem de buscar essas alternativas. Em nível internacional, por exemplo, temos o banco de investimento do Brics (grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que constantemente propõe editais para as universidades parceiras", relata. Realizando pesquisas nesses campos, seria possível a captação de investimentos externos.
Diante de uma perspectiva de orçamento para 2017 com corte de 40% nos recursos de capital (para obras e compra de equipamentos) e de 18% no custeio (para manutenção da estrutura), a prioridade na gestão de Oppermann será buscar a sustentabilidade da universidade. "Essa é uma maneira de você racionalizar o uso que fazemos das coisas. Precisamos de uma política na nossa instituição que, ao mesmo tempo que reduza os custos, insira a universidade na forma do bem-viver", pontua. O conceito de bem-viver envolve não ter gastos inúteis, não poluir, ter uma gestão cuidadosa e economicamente eficaz. Mesmo assim, o novo reitor garante que luta, junto ao governo federal, pelo aumento do orçamento e pela instituição de uma política de investimento nas universidades públicas.
Tema recorrente nos últimos dias, a proposta de alteração no Programa de Ações Afirmativas será votada nesta sexta-feira pelo Conselho Universitário (Consun). Segundo Oppermann, a questão está resolvida. "Tivemos um diálogo muito enriquecedor com o Consun, os movimentos negros e o Diretório Central de Estudantes (DCE), e isso é democracia hoje, não é mais aquela democracia representativa. Agora, democracia é ter diálogo. Ao haver diálogo, construímos uma proposta", afirma. Apesar disso, os alunos que ocupam há uma semana o prédio da reitoria realizaram protestos em frente ao Salão de Atos durante a cerimônia de posse.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia