Sem protestos e divergências, esta foi a feira do silêncio, diz Carlos Sperotto



Expointer 2016 coletiva Farsul presidente da Farsul Carlos Sperotto foto Claiton Dornelles
CRÉDITO: CLAITON DORNELLES/JC
Marina Schmidt
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, descreveu com poucas palavras a 39ª Expointer: "foi a Expointer do silêncio", disse aos jornalistas na tarde deste domingo. A declaração reflete, sobretudo, o efeito da mudança na organização do evento, que teve sua abertura oficial realizada no primeiro dia de feira e não mais em conjunto com o desfile dos campeões.
Anteriormente realizado em espaço aberto, o pronunciamento das autoridades, por conta da alteração, ficou restrito a convidados e à imprensa em ambiente fechado. Diferentemente do ano passado, quando a cerimônia de abertura foi marcada por protesto dos servidores contra o parcelamento de salários, nesta edição, durante cerca de três horas, autoridades e representantes de entidades do setor discursaram sem qualquer tipo de enfrentamento, demonstrando, inclusive, alinhamento entre os segmentos.
O evento também fugiu a qualquer possibilidade de protestos como os que têm sido realizados desde o impeachment de Dilma Rousseff, na última quarta-feira. "As coisas boas aconteceram ao natural", ponderou o dirigente, que sinalizou a ausência de impasses e divergências nesta edição.
Sperotto destacou a presença maciça de autoridades na 39ª Expointer. O primeiro dia da exposição contou com a participação de quatro ministros: Eliseu Padilha (Casa Civil), Ronaldo Nogueira (Trabalho), Osmar Terra (Desenvolvimento Social) e Blairo Maggi (Agricultura).
O presidente da Farsul declarou que Nogueira e Maggi tiveram um diálogo mais próximo com a entidade, frisando, especialmente, a importância de Nogueira no "diálogo que se está construindo" a respeito da questão trabalhista. A visita dos ministros da Agricultura da Argentina, Ricardo Buryaile, e do Uruguai, Tabaré Aguirre, também foi ressaltada como um diferencial desta edição.
Avaliando o novo cenário político do País, Sperotto sublinhou que a Farsul só se manifestará sobre o governo de Michel Temer quando for o momento. "A casa não elegeu Michel Temer. Os eleitores de Dilma Rousseff é que elegeram", disparou. "Não deixaremos de atuar no momento em que for necessário", sustentou.
Depois de meses de discussão sobre os supostos crimes de responsabilidade da ex-presidente, em que se sobressaíram debates sobre o Plano Safra, a sensação é a de que a importância do crédito ao agricultor não foi bem retratada, salientou o dirigente. "Houve uma falha ao comentarem sobre o Plano Safra", declarou. A crítica é a de que faltou demonstrar que o setor agropecuário absorve muita tecnologia e depende bastante do crédito. Porém, é o segmento com as taxas de inadimplência mais baixas para o setor financeiro. "Todo o crédito vem lastreado na produção. Não existe verba a fundo perdido."


Publicado em 05/09/2016.