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HOSPITAIS

- Publicada em 13h46min, 18/10/2016. Atualizada em 15h56min, 15/10/2020.

Santa Casa: cuidados especiais até o fim da vida

Castilho defende formas de dar mais dignidade e aliviar o sofrimento de doentes graves

Castilho defende formas de dar mais dignidade e aliviar o sofrimento de doentes graves


MARCO QUINTANA/JC
Aliviar o sofrimento de doentes e seus familiares. Essa é a principal missão da equipe do Programa Gerenciado de Cuidados Paliativos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, liderada pelo médico Rodrigo Castilho. O conceito, ainda novo, foi definido pela Organização Mundial de Saúde em 2002 como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida das pessoas que sofrem de uma doença que pode levar à morte. O trabalho multidisciplinar existe na instituição de saúde há três anos. São três médicos, uma enfermeira e uma assistente social exclusivos. Outros profissionais de fisioterapia, nutrição, psicologia, odontologia, farmácia e fonoaudiologia também estão envolvidos. O grupo conta ainda com um assistente espiritual, que atende todos, independentemente de religião. Além dos sintomas físicos, os profissionais precisam avaliar os efeitos sociais, emocionais e espirituais envolvidos de forma individualizada.
Aliviar o sofrimento de doentes e seus familiares. Essa é a principal missão da equipe do Programa Gerenciado de Cuidados Paliativos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, liderada pelo médico Rodrigo Castilho. O conceito, ainda novo, foi definido pela Organização Mundial de Saúde em 2002 como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida das pessoas que sofrem de uma doença que pode levar à morte. O trabalho multidisciplinar existe na instituição de saúde há três anos. São três médicos, uma enfermeira e uma assistente social exclusivos. Outros profissionais de fisioterapia, nutrição, psicologia, odontologia, farmácia e fonoaudiologia também estão envolvidos. O grupo conta ainda com um assistente espiritual, que atende todos, independentemente de religião. Além dos sintomas físicos, os profissionais precisam avaliar os efeitos sociais, emocionais e espirituais envolvidos de forma individualizada.
Castilho diz que a grande maioria dos atendimentos é de pessoas com câncer, mas o trabalho paliativo é realizado em todas as unidades da instituição, inclusive no Hospital da Criança Santo Antônio. Médico intensivista por formação, ele conta que a experiência em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) o fez decidir por esse caminho profissional. "Percebi que existe muita informação que não é divulgada e que o assunto é pouco discutido na formação acadêmica. Apenas três ou quatro faculdades de Medicina tratam do tema na grade curricular. Acredito que possa haver mais dignidade, mesmo nesta fase da vida, em que o paciente, muitas vezes, fica isolado em uma UTI. O retorno tem sido positivo", comenta.
Colega de Castilho neste trabalho, a enfermeira líder do programa na Santa Casa, Karine Reys, afirma que o envolvimento é grande e que não pode deixar para trás quando vai para casa. "Não tem como, e não quero separar os sentimentos. São muitas histórias de vidas, e é gratificante ver, na prática, que o nosso auxílio foi importante para uma pessoa, uma família", conta ela, que iniciou no programa como participante e, há um ano, está exclusiva na tarefa. Karine explica que cada paciente é único e que o procedimento a ser adotado varia de acordo com a situação. A primeira ação, segundo ela, é amenizar os sintomas físicos, como dor e falta de ar. Só assim, a pessoa doente poderá conversar sobre suas angústias e ansiedades. "Quando as pessoas se sentem acolhidas, muda o relacionamento entre os familiares e com os outros profissionais envolvidos no tratamento", garante. Com aquelas famílias que não têm como permanecer muito tempo no hospital com o paciente, o grupo tenta agendar um horário para que esse momento ocorra. "Sempre respeitamos a autonomia do paciente, se ele quer falar e saber da sua situação", completa.

Apoio para os que ficam

Karine enfatiza o vínculo da instituição com as famílias dos pacientes
Santa Casa (cuidados paliativos). Na foto: Rodrigo Castilho ( médico )
MARCO QUINTANA/JC
O trabalho de cuidados paliativos não se encerra com a morte, com a alta do paciente. Os profissionais mantêm o vínculo com as famílias no período de luto. "Mesmo com a morte, as famílias são assistidas e acompanhadas durante esse momento difícil", informa o médico Rodrigo Castilho. Uma vez por semana ocorre o Grupo de Enlutados, no qual familiares trocam experiências e recebem orientação. A enfermeira Karine Reys diz que a recomendação é de que o hospital faça contato com a família entre sete e 10 dias após o falecimento para fazer o convite para que participem dos encontros. No entanto, é comum as pessoas procurarem a equipe antes, já que, durante a internação, criaram um vínculo com ela.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, no modelo de intervenção em cuidados paliativos, as ações têm início no momento do diagnóstico, e a atenção se desenvolve de forma conjunta com as terapêuticas. Para os familiares, as iniciativas se dividem entre apoio social e espiritual e intervenções psicoterapêuticas do diagnóstico ao período do luto. Conforme a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, um programa adequado inclui ainda medidas de sustentação espiritual e de psicoterapia para os profissionais da equipe, além de educação continuada.

Atendimento também por telefone

O Programa Gerenciado de Cuidados Paliativos da Santa Casa funciona de duas formas: consultoria quando a equipe é acionada pelo médico assistente do paciente ou internação direta (nesses casos, o serviço está disponível somente para particulares e convênios). O médico Rodrigo Castilho explica que, em alguns casos, o atendimento é feito durante as consultas ambulatoriais. Os doentes e seus familiares podem contar ainda com apoio telefônico. "Os assistidos têm os telefones dos médicos e dos demais profissionais do programa. Todos podem fazer contato e falar sobre as suas angústias e dúvidas", diz o coordenador da equipe.
No Brasil, conforme a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, as atividades relacionadas aos cuidados paliativos precisam ser regularizadas, pois se confunde atendimento paliativo com eutanásia e existe até preconceito com relação ao uso de medicamentos para o alívio da dor. No entanto, a associação prevê que, nos próximos anos, a situação mude. A regularização legal e das profissões, por exemplo, permitirá que os planos de saúde incluam cuidados paliativos em suas coberturas. Segundo a entidade, está provado que o tratamento diminui os custos dos serviços de saúde e traz benefícios aos pacientes e seus familiares.
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