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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de setembro de 2016. Atualizado às 22h38.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura Internacional

Notícia da edição impressa de 06/09/2016. Alterada em 05/09 às 21h29min

G-20 avalia que crescimento global segue fraco

Documento repete as advertência do presidente chinês Xi Jinping

Documento repete as advertência do presidente chinês Xi Jinping


JOHANNES EISELE/AFP/JC
As 20 maiores economias do mundo repetiram a avaliação de que a economia global cresce, mas em ritmo mais fraco do que o desejado. Comunicado final da reunião realizada, em Hangzhou, na China, repete os riscos já mencionados pelo presidente chinês, Xi Jinping, como volatilidade financeira, flutuação do preço das commodities e fraqueza no comércio exterior. O grupo repetiu a avaliação de que a política monetária não pode fazer todo o trabalho para a retomada do crescimento equilibrado, reforçando a importância das reformas estruturais e execução de ajustes para reduzir desequilíbrios.
"O crescimento continua mais fraco que o desejado. Riscos permanecem diante do potencial de volatilidade dos mercados financeiros, flutuações do preço das commodities, fraqueza no comércio e investimento, e lenta produtividade e crescimento do emprego em alguns países", cita o comunicado divulgado pela União Europeia. Até 1h40min da madrugada da terça-feira na China (14h40 em Brasília), o texto final não havia sido divulgado na página oficial do G-20 na internet, nem distribuído aos jornalistas.
Além dos riscos globais, o G-20 reconhece que há desafios "nos desenvolvimentos geopolíticos, aumento do fluxo de refugiados assim como terrorismo e conflitos que também complicam a perspectiva econômica global".
Diante dessa avaliação, o grupo das 20 maiores economias do mundo diz que "a política monetária não pode liderar sozinha o crescimento equilibrado" da economia. Por isso, o grupo reforça a importância das reformas estruturais e insta líderes a executar ajustes para reduzir os desequilíbrios.
O comunicado final reconhece o problema do excesso de capacidade na produção global de aço. Além de o potencial de produção disponível ser maior que a demanda existente, o problema é agravado pela fraca atividade econômica global. A China é apontada como principal razão para o problema. Para combater a questão, o grupo anunciou a criação de um Fórum Global sobre o excesso de capacidade da indústria mundial.
"Nós reconhecemos que há problemas estruturais, inclusive excesso de capacidade em algumas indústrias, fato exacerbado por uma recuperação econômica fraca e a demanda do mercado deprimida. Isso tem causado impacto negativo no comércio e nos trabalhadores", cita o texto. O comunicado indica que o problema atinge "o aço e outras indústrias", o que é um entrave global que requer respostas coletivas".
O excesso de produção de aço é registrado especialmente na anfitriã China, onde a capacidade excede em muito a demanda do mercado, que tem desacelerado ano após ano. Em julho, algumas siderúrgicas chinesas anunciaram o início de processo de consolidação que deve reduzir o parque industrial do setor no país. O problema tem gerado "fábricas zumbis" - que não produzem por simples falta de compradores - e também atinge de maneira menos evidente outros setores, como de cimento, carvão e vidro.
 

Michel Temer defende que as principais economias do mundo trabalhem para gerar mais empregos

Presidente brasileiro participou do encontro em Hangzhou, na China
Presidente brasileiro participou do encontro em Hangzhou, na China
ETIENNE OLIVEAU/AFP/JC
O presidente Michel Temer defendeu, nesta segunda-feira, na cúpula do G-20 que os principais países do mundo trabalhem para gerar empregos, necessários para a expansão econômica. "Não há crescimento sustentável e inclusivo sem a criação de empregos de qualidade e promoção do trabalho decente", disse Temer em discurso durante almoço de trabalho na cidade chinesa de Hangzhou. "Temos de agir para criar empregos para nossas populações."
Em um momento em que o Brasil soma quase 12 milhões de desempregados, Temer, que foi efetivado na presidência na semana passada após o impeachment de Dilma Rousseff, disse que o País está reordenando sua economia para "criar as condições para a geração de empregos de qualidade".
Temer aproveitou também para reafirmar a posição brasileira em defesa de uma maior abertura do comércio internacional para as nações em desenvolvimento. "O Brasil tem ressaltado a importância de um sistema de comércio internacional mais aberto e menos discriminatório para os países em desenvolvimento, que dependem muito das exportações agrícolas."
Os líderes do G-20 saíram, nesta segunda-feira, em defesa da globalização e do livre comércio como melhor fórmula para estimular o crescimento, em um contexto marcado pelo protecionismo em muitos países do mundo. "Decidimos apoiar um sistema comercial multilateral e nos opor ao protecionismo", declarou o presidente chinês, Xi Jinping, cujo país abrigou, durante dois dias, a cúpula do grupo na cidade de Hangzhou.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI),
Christine Lagarde, foi mais contundente e denunciou os "ataques populistas" contra a globalização. "A maneira como a China conseguiu tirar 700 milhões da pobreza para formar uma classe média são histórias que não se incluem no discurso ouvido agora", lamentou, embora tenha reconhecido que a cúpula não pode beneficiar apenas alguns.
Lagarde disse que o consenso no G-20 é que deve haver mais crescimento e que ele deve ser mais inclusivo. E afirmou que o crescimento tem sido muito baixo por muito tempo e que as reformas estruturais não devem ser apenas pensadas, mas implementadas.
A denúncia do protecionismo foi o fio condutor desta cúpula. Nunca os países do grupo haviam adotado tantas medidas protecionistas, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desde 2008-2009, o crescimento dos intercâmbios comerciais está estancado abaixo de 3%, contra os 7% das últimas duas décadas.
"A globalização não tem conotações positivas, também implica grandes desigualdades", reconheceu Angela Merkel, igualmente preocupada com a ascensão em seu país do partido de ultradireita AfD. O presidente argentino, Mauricio Macri, também defendeu o "combate ao protecionismo em todas as suas formas, incluindo o protecionismo agrícola, um dos mais arraigados".
No texto final, o G-20 também fez referência ao dumping e aos seus "efeitos negativos sobre o comércio e os trabalhadores". A questão é delicada, e Europa e Estados Unidos denunciaram reiteradamente a questão do aço chinês, que o gigante asiático vende a preços muito baixos em detrimento dos produtores locais.

Banco Central Europeu não deve mudar sua política agora, mas analistas veem chance de um ajuste

O Banco Central Europeu (BCE) anuncia sua decisão de política monetária nesta quinta-feira. Analistas em geral avaliam que não deve haver mudança na estratégia da instituição, mas não descartam novas ações ainda neste ano e falam até mesmo sobre a possibilidade de um ajuste ser anunciado nesta semana.
O JPMorgan não espera que o BCE mude a taxa de depósito ou o programa de relaxamento quantitativo agora. Para o banco, porém, há uma "minoria considerável" que espera alguma novidade. O JPMorgan, contudo, espera que o BCE realize mudanças nas compras de bônus ainda neste ano.
O BCE não indicou uma mudança na política, mas o economista-chefe da Berenberg, Holger Schmieding, acredita que o Banco Central pode usar as projeções dos economistas da instituição como justificativa para mais relaxamento, em meio a pressões inflacionárias fracas. "Os dados sugerem que não há uma necessidade premente de que o BCE relaxe mais sua política monetária neste momento", afirmou o especialista em nota. Ele admite, porém, que não há certeza absoluta e disse que o BCE poderia inclusive anunciar, já nesta quinta-feira, a ampliação do prazo de seu programa de compra de bônus para além do previsto, março de 2017. "Eu vejo uma probabilidade de 40% de que isso possa acontecer."
Para Howard Archer, economista-chefe para Reino Unido e Europa da IHS Global Insight, é "muito possível" que o BCE faça ajustes em seu programa. Segundo Archer, não está claro se o banco central poderia cortar mais os juros. O economista aponta que, embora a instituição tenha aventado essa possibilidade, há preocupação sobre o impacto que as taxas de juros negativas podem gerar sobre os bancos da zona do euro.
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