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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de setembro de 2016. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Economia

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Receita Federal

Notícia da edição impressa de 02/09/2016. Alterada em 01/09 às 22h01min

Auditores intensificam protestos por reajuste

Na aduana de Uruguaiana, 800 caminhões esperavam no pátio na tarde desta quinta-feira

Na aduana de Uruguaiana, 800 caminhões esperavam no pátio na tarde desta quinta-feira


SINDIFISCO NACIONAL/DIVULGAÇÃO/JC
Manifestações em portos, aeroportos e postos de fronteiras de diversas localidades do País estão sendo realizadas pelos auditores fiscais da Receita Federal devido ao não cumprimento do acordo salarial, fechado em 23 de março passado. No caso de Uruguaiana, conforme o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), a quinta-feira foi o dia em que os protestos, iniciados na segunda-feira, foram mais fortes.
Na cidade gaúcha, a intensificação da fiscalização aduaneira das cargas implicou um aumento de quase o dobro da quantidade de caminhões estacionados no pátio do seu Porto Seco Rodoviário, o maior da América Latina, totalizando, no início da tarde desta quinta-feira, cerca de 800 caminhões no pátio, com quase 100 na fila esperando vaga para ingresso. Com a divulgação da suspensão dos reajustes de servidores federais pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o Sindifisco Nacional deliberou em assembleia por uma mobilização de segunda até esta sexta-feira.
No Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, os auditores permaneceram em uma área no desembarque internacional de passageiros, no Terminal 2, mas sem causar impacto nas operações do terminal. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, os servidores estenderam faixas no Terminal 3, de embarque e desembarque internacional. Além dos aeroportos e Uruguaiana, o sindicato dos auditores anunciou ações nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Suape (PE), na Ponte da Amizade, fronteira do Brasil com o Paraguai, e também no posto de Ponta Porã (MS) e no Porto Seco de Anápolis (GO).
Os protestos dos servidores da Receita Federal foram retomados para pressionar o Congresso a dar celeridade ao projeto de Lei nº 5.864/2016, que trata do aumento salarial da categoria e da criação de um bônus de eficiência, pago a servidores e aposentados. O texto foi encaminhado em julho, após diversas manifestações dos auditores, que reclamavam da demora - a negociação havia sido concluída em março e previa efeitos já a partir de agosto deste ano.
O projeto tramita em regime de urgência, mas o Sindifisco teme que os prazos não sejam seguidos. Nas últimas semanas, líderes do PSDB se insurgiram contra o governo do presidente Michel Temer, que vinha concedendo os reajustes em meio ao cenário de severa restrição fiscal. Para tentar agradar o partido aliado, o governo orientou que os projetos de aumentos ainda em tramitação fossem contidos, pelo menos, até a conclusão do processo de impeachment - cujo desfecho ocorreu na quarta-feira.
Insatisfeita com a mudança da posição do governo, uma ala do chamado Centrão (grupo de 12 partidos liderados por PP, PSD e PTB) chegou a defender nos bastidores que os projetos de reajustes ainda em tramitação na Câmara dos Deputados - como é o caso dos auditores - fossem engavetados de vez. Ainda não há definição se essa ideia será levada a cabo. Por enquanto, o projeto dos auditores segue em análise por uma comissão especial na Casa. Mesmo sem a aprovação do texto, o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, adiantou, na quarta-feira, que todos os reajustes, sancionados ou em tramitação, já foram contabilizados no projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2017, ou seja, têm verba garantida. Apesar disso, destacou que a prática não se traduz em apoio aos projetos, apenas "é o correto do ponto de vista fiscal".

Negociações salariais têm pior primeiro semestre desde 2003, informa o Dieese

Refletindo o mau momento econômico do País, as negociações salariais tiveram, neste ano, o pior resultado para um primeiro semestre desde 2003. Segundo dados do Dieese divulgados nesta quinta-feira, pouco menos de um quarto dos reajustes (24%) resultaram em aumentos reais aos salários, 37% tiveram reajustes em valor igual à inflação e 39%, reajustes abaixo, tomando por referência a variação do INPC em cada data-base.
No Rio Grande do Sul, os dados revelam o momento adverso que passam as negociações salariais. Pouco menos de um terço (29,2%) resultaram em aumentos reais aos salários, 62,5% tiveram reajustes em valor igual à inflação e 8,3%, reajustes abaixo. Em função deste quadro, a variação real média dos reajustes no primeiro semestre, no Estado, foi de 0,4% acima da inflação.
A maior dificuldade para manter ou ampliar o poder aquisitivo dos salários pode ser explicada, em grande medida, pela elevação dos índices de inflação desde meados de 2015 e pela desaceleração do nível de atividade econômica. A inflação média acumulada em 12 meses no primeiro semestre de 2016 ficou em 10,5%, patamar muito próximo à média registrada no segundo semestre de 2015 (10%) e acima do primeiro semestre de 2015 (7,8%).
No primeiro semestre de 2016, 79,2% dos reajustes salariais analisados foram pagos de forma integral; e 20,8%, pagos em duas ou mais parcelas.
No País, entre as categorias que tiveram aumento real, os ganhos foram, em sua maioria, de até 0,5%. Já as que registraram reajuste abaixo da inflação tiveram perdas de até 2%. Em todo o primeiro semestre, o mês de janeiro é o que apresentou o maior percentual de negociações com reajustes abaixo do INPC-IBGE: 48%.
Nos dois meses seguintes, segundo o Dieese, houve recuo na proporção de reajustes inferiores à inflação e um "aumento significativo na proporção dos reajustes em valor igual".
Quanto aos aumentos reais, constatados em apenas 22% das negociações de janeiro, tiveram a ocorrência reduzida para 20% em fevereiro e depois para 16% em março.
No entanto, a partir de abril, aumenta a proporção de reajustes com ganhos reais, atingindo o percentual de 39% em junho, em que pese o pequeno número de negociações computadas nessa data-base.
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