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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de setembro de 2016. Atualizado às 00h06.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 08/09/2016. Alterada em 07/09 às 21h30min

Povo heroico!

A Semana da Pátria é ocasião propícia para revigorar o espírito cívico. A "pátria amada" necessita que seus filhos e filhas resgatem o amor e o respeito pelos valores que constituem a nação.
Vivemos não só uma grave crise política e econômica, mas também e especialmente uma crise antropológica. Tal situação favorece práticas que não condizem com os princípios éticos e morais que devem nortear o convívio social.
Há quem diga que as instituições estão preservadas e que há maturidade democrática. No entanto, o povo sofre as consequências das mazelas de alguns setores das classes política e empresarial. O desemprego atinge multidões; a violência alcança níveis preocupantes; o Sistema Único de Saúde expressa o descaso do poder público pelos menos favorecidos da sociedade; o sistema educacional dá sinais de esgotamento; a família, célula básica da sociedade, é diminuída em sua dignidade.
Assumir o desafio que se vive no momento presente exige da nação discernimento, serenidade, sabedoria e responsabilidade. No centro das decisões devem estar as necessidades do povo, especialmente as dos mais pobres.
A superação da crise passa pelo senso patriótico de todos. Passa pela determinação em transformar a atividade política naquilo que lhe é próprio: o cuidado e a promoção do bem comum. Passa pela firme recusa de toda e qualquer forma de corrupção. Passa pelo incremento do desenvolvimento sustentável, não simplesmente guiado pela lógica do mercado.
As instituições políticas têm a missão de tornar acessíveis a todos os bens necessários para levar uma vida verdadeiramente humana. Para tanto é necessário que os dirigentes da nação se empenhem seriamente em harmonizar, com justiça, os diversos interesses setoriais.
Em um Estado autenticamente democrático, os homens e as mulheres com responsabilidade de governo - o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário - têm o dever de interpretar o bem comum da nação. Não se pode, portanto, simplesmente seguir as orientações da maioria dos que estão no poder, pois é necessário estar atento ao bem efetivo de todos os cidadãos, inclusive dos pertencentes às minorias sociais.
O momento atual vivido pelo Brasil é grave. Não se trata simplesmente de jogo político, pois fortes interesses econômicos também se encontram em questão. Neste contexto, é sobretudo a compreensão da pessoa humana que merece consideração. O ser humano não pode ser visto apenas como "número" ou detalhe neste jogo cruel de interesses escusos.
O povo brasileiro sofre as consequências de decisões equivocadas daqueles que se esforçam para se manter na condução dos processos. Os desdobramentos desta situação repercutem em distintas esferas da vida social. Somente com determinação e coragem será possível promover e implantar as reformas política, tributária, agrária, urbana, previdenciária e do judiciário, das quais o Brasil tanto precisa.
Diante da situação sociopolítica e econômica da nação, qual a missão dos cristãos leigos? "A eles cabe, de maneira singular, a exigência do Evangelho de construir o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. Contribui para isso a participação consciente no processo eleitoral, escolhendo e votando em candidatos honestos e competentes. Associando fé e vida, a cidadania não se esgota no direito-dever de votar, mas se dá também no acompanhamento do mandato dos eleitos."
Nesta Semana da Pátria - e igualmente nas celebrações da Semana Farroupilha -, precisamos resgatar o essencial da atividade política, do ponto de vista ético: "o conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos, grupos, nações que ofereçam condições para a realização do bem comum".
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