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Porto Alegre, sexta-feira, 12 de agosto de 2016. Atualizado às 00h06.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Notícia da edição impressa de 12/08/2016. Alterada em 11/08 às 21h13min

O que o médico não deveria dizer

João Gomes Mariante
Uma palavra do médico, um aviso, uma concepção equivale, quase sempre, a uma advertência, a uma repreensão, talvez, a uma moção de esperança, mensagem de vida, ou, ao contrário, a um prenúncio de morte ou um julgamento bíblico.
A inabilidade de um profissional - o que comumente ocorre - poderá conduzir o paciente a experimentar sérios distúrbios psíquicos e fenômenos psicológicos, da mesma forma que a interação medicamentosa abrange as do corpo. Ser humano portador do juramento hipocrático, que assim procede, não só desrespeita o milenar voto sacroprofissional, como sugere o suicídio do paciente, com desesperadores momentos aos seus familiares. Cláudia Colluci, em artigo na imprensa, intitulado "Palavras que machucam", relata o que um médico disse à sua paciente portadora de câncer ósseo: "Aproveita o teu filho por que você tem pouco tempo de vida". E tal comunicação foi diante de um filho de 9 anos, ao seu lado.
A criança não se abateu e retrucou: "Deus não vai deixar acontecer nada com você". Quando os homens falham em seus propósitos, os deuses compensam com seu perdão. Cláudia Colluci informa também que outra paciente, portadora de um tumor cerebral, quando seu marido perguntou ao neurologista o que poderia esperar: "A morte", foi a resposta. Tais comportamentos, além de antiéticos, encerram em seu íntimo uma interjeição de ódio e a suspensão de resquícios de esperança nos portadores de enfermidades fatais. Nada substitui a esperança, nem mesmo o mais potente entorpecente. Ao médico, diante da dor, cabe assumir uma postura de contemplação e compaixão. A ausência de sentimento humano, de respeito pelo sofrimento e pela dor atroz de quem está entregue à própria sorte, não considera a profissão hipocrática - que um dia foi sacerdócio. Uma palavra inadequada ou agressiva poderá, no contexto da relação médico- paciente, levá-lo à cassação do diploma, e o paciente, ao túmulo.
Jornalista e psicanalista
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