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Porto Alegre, quarta-feira, 03 de agosto de 2016. Atualizado às 23h54.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 04/08/2016. Alterada em 03/08 às 22h15min

Setor agropecuário fecha 14 mil vagas no Rio Grande do Sul

Dentro da porteira, foram mais de 6.500 trabalhadores dispensados

Dentro da porteira, foram mais de 6.500 trabalhadores dispensados


ITAMAR AGUIAR/PALÁCIO PIRATINI/JC
Guilherme Daroit
O desempenho do mercado de trabalho ligado ao agronegócio no Estado, no segundo trimestre do ano, conseguiu ser o exato oposto do primeiro. Se até março o Rio Grande do Sul liderava a criação de vagas no setor no País, entre abril e junho acabou registrando o maior fechamento de postos entre todos os estados. Ao todo, foram extintos 14.017 empregos formais no ramo gaúcho, enquanto no Brasil o saldo foi positivo em 90.519 vagas. A boa notícia é que, na soma total do primeiro semestre, o dado acabou favorável no Rio Grande do Sul, com 7.185 novos empregos.
"O resultado negativo no segundo trimestre, que é reflexo da forte elevação no primeiro trimestre, mostra a sazonalidade do setor no Rio Grande do Sul", analisa Rodrigo Daniel Feix, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE). Por conta da força das safras de verão, é normal que haja um movimento de admissões no início do ano, que é depois seguido pela desmobilização da mão de obra no inverno. O fechamento de vagas neste ano, porém, é o maior para o segundo trimestre desde pelo menos 2007, primeiro ano com dados disponíveis na série.
Ao todo, no fim de junho, existiam 321.758 vagas com carteira assinada no agronegócio do Estado, número que também é 1,9% menor do que o registrado um ano antes. Na pesquisa, o agronegócio é dividido em três segmentos: antes da porteira (máquinas e insumos, por exemplo), dentro da porteira (a produção em si) e depois da porteira (armazenagem, transporte e industrialização até a segunda transformação da matéria-prima). Foi nesse último, que envolve as atividades após a colheita e representa quase dois terços do emprego no ramo, o pior resultado visto no segundo trimestre, com mais de 7 mil vagas fechadas.
Por setor, os maiores fechamentos de vagas foram registrados no comércio atacadista (-3.510 vagas), nas produções de lavouras temporárias (-3.314) e permanentes (-2.531). Chamam a atenção também os desligamentos na fabricação de produtos do fumo (-752 vagas), que havia puxado a expansão do emprego no início do ano; e no abate e fabricação de produtos de carne (-552). Neste último, uma das causas pode ser a alta no preço dos alimentos para engorda dos animais, principalmente o milho. "Com isso, o setor teve suas margens afetadas, e o mercado de trabalho percebe o desdobramento dessa frustração", argumenta Feix.
Já nas indústrias de máquinas e tratores, a análise é quase paradoxal: a situação pode ser vista como ruim, em termos absolutos, já que foram fechados 752 empregos no ramo no segundo trimestre. Ao mesmo tempo, porém, a expectativa é de que o panorama tenha parado de piorar. No mesmo período de 2015, por exemplo, tinham sido fechados mais de 1,5 mil vagas no setor, e, levando-se em conta o número total de empregos nessas indústrias, havia em junho quase 900 trabalhadores a mais do que no mesmo mês do ano passado.
"O movimento é estrutural, pois estamos vindo de constantes quedas nas compras de máquinas e tratores", analisa. "Mas, para os próximos meses, a perspectiva é favorável, pois já se aponta crescimento nas vendas desses produtos, e começa a haver novas admissões", continua o pesquisador. O melhor resultado em termos de emprego no semestre foi visto na fabricação de adubos e fertilizantes, que, preparando-se para a próxima safra de verão, criou 470 novas vagas formais.
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