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Porto Alegre, segunda-feira, 01 de agosto de 2016. Atualizado às 22h36.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios corporativos

Notícia da edição impressa de 02/08/2016. Alterada em 01/08 às 21h59min

Fusões e aquisições caem com efeito da instabilidade

Setor de TI foi destaque com 52 transações concretizadas no período

Setor de TI foi destaque com 52 transações concretizadas no período


JUSTIN SULLIVAN/AFP/JC
"O Brasil está em liquidação", constata o norte-americano Michael Herlo, diretor da Frate Associated, empresa brasileira que atua com internacionalização de empresas, fusões e aquisições, e intermediação financeira. A observação de Herlo, que vive no Rio Grande do Sul há seis anos, é verdadeira, mas está longe de gerar o efeito logicamente esperado: o ingresso de capital estrangeiros nas organizações brasileiras.
A expectativa de que a crise tornaria atrativos ativos no País vem sendo derrubada. Números da consultoria KPMG demonstram que, no segundo trimestre deste ano, as operações de fusões e aquisições caíram em cerca de 20% na comparação com o mesmo período do ano passado. O que está interferindo nas negociações é a instabilidade pela qual o Brasil passa. "A parte política é a mais assustadora para os investidores de fora", avalia Herlo.
O sócio da KPMG no Brasil e responsável pelo estudo, Luis Motta, reforça que as negociações de fusões e aquisições só se concretizam após alguns meses. "Por isso, o resultado atual foi motivado pelo período de instabilidade que o Brasil passou, o que fez com que os investidores repensassem as estratégias", detalha. "Os números mostram bem isso. As transações domésticas tiveram uma queda de 19%, e as de estrangeiros comprando brasileiros caíram 18% em relação ao ano passado."
Com 380 operações concretizadas nos primeiros seis meses deste ano, o número de fusões e aquisições registrou uma queda de 5% se comparado ao desempenho do mesmo período do ano passado. De acordo com o levantamento realizado trimestralmente pela KPMG, no período entre abril e junho, foram registradas 170 transações, o pior segundo trimestre desde 2009.
O setor de tecnologia de informação (TI) foi o grande destaque do período, com 52 transações concretizadas, seguido por empresas de internet, que registrou 42 operações. Serviços para empresas e alimentos, bebidas e tabaco, com 33 cada, tiveram um semestre aquecido. Destaque também para instituições financeiras, com 29 negociações, sendo que 15 delas no segundo trimestre.
É por conta da atual conjuntura que Herlo sublinha que a internacionalização de empresas brasileiras pode ser uma opção mais interessante para fazer frente à recessão, especialmente para companhias que têm capital para expandir operações. "O mercado interno está retraído. É o momento de começar a focar fora do Brasil", assinala. Uma das grandes vantagens para organizações que estão fazendo esse movimento, de expandir operações para fora do País seja por meio da instalação de filiais em outros países ou da exportação, é ganhar maior visibilidade, além de conquistar uma fatia maior do mercado consumidor.
"O PIB da Califórnia já é superior ao do Brasil", sublinha Herlo. Segundo o Escritório de Análise Econômica dos Estados Unidos, em 2015, o PIB da Califórnia alcançou US$ 2,46 trilhões. Se comparado com as maiores economias do mundo em 2015, o estado americano figuraria como a sexta economia mundial, à frente da França (com PIB de US$ 2,42 trilhões). O Brasil é a nona economia do mundo, com PIB de US$ 1,77 trilhão.
Ainda assim, Herlo assegura que o Brasil é e continuará sendo um País atrativo para o investidor estrangeiro. Mesmo que a instabilidade cause certa preocupação no momento, ele demonstra que há processos importantes sendo construídos, que devem ser observados. "Há o benefício da atuação do Ministério Público Federal, mostrando que há instituições fortes e que há penalidades nos casos das ações ilícitas", reforça.
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