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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de agosto de 2016. Atualizado às 01h22.

Jornal do Comércio

Colunas

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 18/08/2016. Alterada em 17/08 às 21h13min

'...Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus!'

Na continuidade do mês vocacional, celebramos no domingo, 21 de agosto, a vocação à Vida Consagrada. O Vaticano II ensina que, na Igreja, todo batizado é consagrado e todos são chamados à santidade (cf. LG 39-42). Há, porém, cristãos que sentem-se chamado/as a uma consagração especial, tendo por inspiração e modelo o próprio Jesus em seu estado de vida - pobre, casto e obediente, vivendo dons e carismas doados pelo Espírito Santo à própria Igreja (cf. LG 43-47). Pessoas que se permitiram possuir pelo Mestre Jesus deixam tudo para trás. Consagram-se para a oração, para o serviço missionário e apostólico, e, no meio do mundo, assumindo profissões comuns como consagrados.
Poderíamos fazer um percurso histórico passando pelas inúmeras Congregações, Ordens e institutos de vida consagrada ao longo da história. Pode-se ainda sublinhar seu aspecto teológico e espiritual. Ficamos com o "rosto" da vida consagrada, para assim visualizarmos sua presença em nosso meio e perceber que é uma força viva que se esconde no tecido social e eclesial; homens e mulheres que, pela sua vida, dão sabor e perfume do amor misericordioso de Deus no mundo.
Homens e mulheres que vivem no silêncio e momentos de solidão, mas habitam a plenitude do amor na vida de contemplação nos mosteiros, abadias e conventos. Falam pouco do mundo, mas com ele rezam e dialogam com Deus apresentando suas dores e sofrimentos. Mulheres e homens que parecem ter "fugido" do barulho e se refugiaram na calmaria e no sossego rotineiro, quase incompreensível às pessoas "de fora", mas lá se fortalecem na vida espiritual, não sem lutas com sua humanidade interior, fortificando seu ser no amor concreto e vivo do Deus-Amor. Na aparência de estar "atrás das grades" desde o olhar de fora, vivem a liberdade de filhos e filhas de Deus, cuja alegria brota de poder estar com Ele na intimidade da oração (Lc 10, 41).
A vida consagrada tem o rosto de jovens e adultos que deixaram tudo - família, cultura, país, projetos pessoais - para se aventurarem na missão do amor doação. Estão nas fronteiras missionárias arriscando a própria vida a serviço do evangelho e doando-se ao próximo. São profetas muitas vezes calados, como a Ir. Dorothy Stang.
Vida consagrada é a irmã religiosa que se curva para se fazer mãe de órfãos e menores aos quais a pátria não lhes é mãe amorosa e cuidadora. Órfãos de pais e da pátria. Vida consagrada é o rosto de Deus misericordioso junto aos doentes, aos portadores de HIV, aos dependentes químicos, aos encarcerados, aos que vivem "das sobras" das cidades, aos refugiados, aos migrantes...
A vida consagrada se faz presente em escolas, colégios, universidades e centros de saber e pesquisa científica. Ela está na favela e no bairro nobre. Está no campo e nas cidades, está nas metrópoles e está junto às populações ribeirinhas de nossa Amazônia e nos vários continentes. Ela está inserida nos ambientes como presença comum e diferente.
A vida consagrada se mostra no hábito das religiosas, que se distinguem pela sua congregação ou instituto construindo e administrando hospitais, escolas, creches ou obras sociais. Está escondida e disfarçada num médico, numa professora, numa advogada, numa enfermeira e em tantas outras profissões de "pessoas comuns" que vivem nos institutos seculares, vivendo uma consagração silenciosa e testemunhando o evangelho como "fermento na massa".
A vida consagrada são as pessoas que, cativadas pelo chamado do Senhor, dizem sim à sua voz colocando sua vida a serviço de Deus e da humanidade, no despojamento pessoal e na humildade da entrega do vazo de perfume (Mt 26, 6-13) - sua vida - ao Senhor e sua Igreja.
 
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