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Porto Alegre, domingo, 21 de agosto de 2016. Atualizado às 19h02.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 22/08/2016. Alterada em 19/08 às 18h36min

Mercado vai ditar futuro da erva-mate

Entrevista com o sócio-diretor da ervateira Rei Verde, Alfeu Strapasson

Entrevista com o sócio-diretor da ervateira Rei Verde, Alfeu Strapasson


ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
O setor de erva-mate vive um momento complicado. Excesso de produção e queda do consumo levaram à desvalorização dos preços no comércio. E tudo indica que a situação deve piorar, avalia o sócio-diretor da ervateira Rei Verde, Alfeu Strapasson. "Estamos vivendo um ciclo negativo que poderá contribuir para que, em um período de três anos, falte produto no mercado", admite. Mas a conjuntura não desanima o empresário, que, junto com o também proprietário da marca, Otávio Luis Vier, tem planos de ampliar o negócio ainda neste ano, desta vez com foco nas exportações.
Casado e pai de dois filhos, Strapasson nasceu em Itatiba do Sul, há 49 anos. Formado em Direito e em Ciências Contábeis, é pós-graduado em Contabilidade, o que ajuda no dia a dia administrativo do grupo. Desde que entrou para o ramo, já presidiu entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Erva-Mate (Abimate), o Instituto Brasileiro de Erva-Mate (Ibramate) e o Sindicato das Industrias do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate). Atualmente, é diretor da Fiergs.
JC Empresas & Negócios - Como a Rei Verde tem trabalhado para manter as vendas de erva-mate no atual cenário?
Alfeu Strapasson - Estamos buscando mercados onde tenha consumo. Para isso, participamos de algumas feiras, com vistas a ampliar as vendas de nosso produto no exterior. Procuramos enxergar oportunidades nas dificuldades. Exemplo disso é que, recentemente, lançamos no Estado a erva-mate em cápsulas, em parceria com a Redemed. Em breve, este produto estará sendo comercializado em 78 lojas da principal varejista gaúcha do ramo de medicamentos e perfumaria. Essa foi uma alternativa que encontramos para tornar a erva-mate ainda mais popular.
Empresas & Negócios - Qual volume de produção que a empresa exporta atualmente e quais são os principais destinos?
Strapasson - As vendas externas ainda representam apenas 10% de nossa produção, que gira em torno de 500 toneladas por mês. Dentro do País, temos distribuidores em todos os estados consumidores: Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Tocantins, Piauí e Rondônia, além do Rio Grande do Sul, é claro. Em nível nacional, o maior consumo ocorre na região Sul, com ênfase no Estado. No exterior, nosso principal comprador é o Uruguai, onde o consumo se equivale à média do mercado gaúcho (12kg de erva-mate per capita/ano). Recentemente, enviamos um lote experimental para um cliente nos Estados Unidos e estamos acertando uma remessa para o Chile. É importante frisar que a Rei Verde foi criada há 31 anos, mas só passamos a exportar erva-mate em 2005. Na época, vislumbramos que nossa empresa precisava atuar também no mercado externo, e criamos a Industrial do Mate Vison. Percebemos que, a partir daí, surgiriam novas oportunidades, pois já sentíamos a necessidade de buscar novos clientes.
Empresas & Negócios - Existe muita concorrência no mercado interno?
Strapasson - O Brasil produz em torno de 220 milhões de quilos de erva-mate/ano, e o Paraná representa 45% desta produção. O Rio Grande do Sul vem em segundo lugar (com 35% do volume total), seguido por Santa Catarina (em torno de 20%). Uma quantidade muito pequena é plantada e industrializada fora da região Sul, de onde sai 99% do produto. No Rio Grande do Sul, a região de Ilópolis e Arvorezinha (no Alto Vale do Taquari) responde por 50% do que é distribuído no mercado. Está tudo meio concentrado, e são 250 empresas, um volume que excede a demanda. Mas o que mais tem interferindo na concorrência atualmente tem sido a conjuntura, em vista dos custos. Para se ter uma ideia, as fabricantes estão tendo que se adaptar fortemente às normas do Ministério do Trabalho (a exemplo da NR 6, NR 9 e NR 12). Há uma grande pressão em relação ao cumprimento de todos estes ajustes, e isso exige bastante investimento por parte das indústrias. Neste sentido, esperamos que todas cumpram, porque o consumidor não sabe distinguir, e isso gera uma concorrência desleal, por causa da diferença de preços nas prateleiras do varejo.
Empresas & Negócios - Além da cápsula de erva-mate, estão previstas outras novidades nas metas para o futuro?
Strapasson - O principal será ampliar as exportações. Para isso, estamos automatizando praticamente todos os processos de produção, e trabalhando forte a erva mate a vácuo, que é uma forma de envasamento onde a planta terá maior durabilidade e melhor qualidade nos aspectos de cor e sabor. Além da compra de máquinas, estamos investindo em parcerias, realizando o envasamento de marcas terceirizadas. Estamos constantemente buscando inovar na embalagem e na pesquisa de produtos novos. E temos um diferencial também na estratégia de distribuição. Apesar de nossa matriz estar em Erechim, temos filial em São Mateus do Sul, no Paraná, em Arvorezinha e em Ilópolis (o município líder em produção de erva-mate no Rio Grande do Sul). Ou seja, estamos presentes nas principais áreas produtoras do Estado, o que nos permite manter a qualidade e sentir menos a oscilação de matéria-prima que ocorre durante o ano.
Empresas & Negócios - Como resolver a questão do excesso de empresas produzindo um volume que supera a demanda e quais os principais gargalos para o setor?
Strapasson - O consumo está retraído, por conta da crise econômica do País. Estamos vivendo um ciclo negativo que poderá contribuir para que, em um período de três anos, falte produto no mercado. É um momento semelhante ao que ocorreu há seis anos, quando houve excedente de oferta, que influenciou na queda dos preços, desmotivando os produtores. Por conta disso, muitos desistiram da atividade, chegando a arrancar os ervais, o que levou à falta do produto no varejo. No mais, além de aprender a lidar melhor com a legislação trabalhista, que é complexa, precisamos enxergar toda a região Sul para planejar o setor a longo prazo, buscando novos mercados, para que toda esta produção tenha demanda. Outro ponto a ser resolvido, e que está sendo estudado via diretoria do Sindimate, é o pleito para que sejam repassados às empresas os recursos do Fundomate. Nos últimos anos, estamos passando por uma grande dificuldade para que os recursos oriundos de arrecadação do que é produzido pelas ervateiras retornem e sejam aplicados em políticas para promover o setor.
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