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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de julho de 2016. Atualizado às 22h41.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Notícia da edição impressa de 29/07/2016. Alterada em 28/07 às 21h42min

Sem milagres

Maria Rosa Fontebasso
Durante muitos séculos da Idade Média foi atribuído à mulher um poder ligado ao demônio, por isso muitas foram chamadas bruxas, perseguidas e queimadas na fogueira. Na verdade, escondidos estavam motivos religiosos e econômicos, os quais serviram para o homem e a Igreja exercer sobre ela um papel de dominação. Mas nem sempre foi assim. Hoje não temos a fogueira e, apesar de grandes avanços na conquista da igualdade entre os gêneros, continuam a existir práticas para mantê-la em segundo plano no mundo do trabalho, na participação social e política e na própria família. As formas de perpetuação da desigualdade e, muitas vezes, também a brutalidade com que é tratada, existem não apenas nas camadas mais pobres onde a visibilidade é maior. Das formas de violência, a mais degradante e inconcebível é o estupro.
Apesar dos avanços das ciências e com eles a compreensão maior do mundo e da vida, a cultura machista ainda permite uma visão maligna da mulher travestida de menosprezo, e o justifica na sua agressão. Apesar do movimento de denúncia, há estudos que declaram não serem conhecidos 90% dos casos, apesar da estatística de um estupro a cada 11 minutos no Brasil. Antigamente, a queima da mulher em praça pública era um espetáculo punitivo, mas também educativo. Hoje, o espetáculo é diverso, ela é agredida privadamente e silenciada pela vergonha, pelo medo e pela impunidade. Às vezes, atos coletivos de insanidade emergem na mídia e, mesmo assim, encontram subterfúgios para a não punição dos agressores.
O desvario de hoje contra a mulher parece atualizado pela exacerbação do individualismo, do consumo desenfreado e da coisificação de tudo, especialmente dela. Um monstro insaciável permanentemente sendo alimentado e preso num labirinto da estupidez humana. O Minotauro do século XXI. O fio de Ariadne para matá-lo, e alcançar o fim da violência contra a mulher, seria necessariamente um modo de viver que estimulasse o que há de melhor no ser humano. Outros caminhos serão apenas paliativos.
Professora universitária aposentada
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