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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de julho de 2016. Atualizado às 09h15.

Jornal do Comércio

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saúde

Notícia da edição impressa de 28/07/2016. Alterada em 27/07 às 21h25min

Vacina brasileira contra a dengue será oferecida em 2018

Mil gaúchos receberão as doses do produto pesquisado

Mil gaúchos receberão as doses do produto pesquisado


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
A vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, deverá ser disponibilizada aos brasileiros a partir de 2018. O produto está passando por sua terceira e última fase de testes, agora com seres humanos, em 14 centros do Brasil. O Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) sediará a pesquisa na região Sul. Mil voluntários de 18 a 59 anos participarão do estudo no Estado.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, veio ao Rio Grande do Sul acompanhar o início da vacinação. "A dengue, como toda doença virótica, é de tratamento muito difícil. Portanto, o caminho é a prevenção, através da vacina", observa. Essa poderá ser a primeira vacina contra a dengue do mundo a combater os quatro sorotipos da doença em uma única dose.
Dezessete mil pessoas serão vacinadas voluntariamente em todo o Brasil. Dessas, dois terços receberão a imunização e um terço receberá placebo (doses sem o medicamento). Depois, será feita a análise da resposta imunológica. Os pacientes serão monitorados por pelo menos cinco anos, mas até 2018 já deverá ser possível ter essa resposta e começar a fabricação industrial. "Estamos otimistas, pois o Instituto Butantan é o maior centro soroterápico da América Latina. Poderemos concluir o trabalho em menos de um ano e, aí, todos os países tropicais e subtropicais poderão ter essa tecnologia brasileira", afirma Alckmin.
O custo do projeto será de R$ 300 milhões, sendo R$ 100 milhões de recursos federais e R$ 200 milhões através de financiamento junto ao Bndes e à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Nas fases 1 e 2, foi identificada eficácia das vacinas acima de 80%. Daqui a seis meses, um grupo internacional de pesquisadores mostrará se os dados, do ponto de vista estatístico, se confirmam na fase 3.
"Se for confirmado, passaremos para a etapa de produção, quando a fábrica do Butantan estiver pronta, daqui a um ano", relata o secretário estadual de Saúde de São Paulo, David Ewerson Uip.
Além de ser usada pelo Ministério da Saúde, a vacina será comercializada internacionalmente. A população-alvo envolve 2 bilhões de pessoas no mundo. "Pela primeira vez na história do Brasil, há uma inversão de tecnologias. Normalmente, os medicamentos surgem no hemisfério Norte e vêm para o Sul. Desta vez, irão do Sul para o Norte, graças à competência do Butantan", destaca Uip.
O secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, João Gabbardo, teme que a população deixe de lado a prevenção com a vacina. "Se relaxarmos na prevenção, teremos um aumento de casos de zika vírus e febre chikungunya, transmitidos pelo mesmo vetor."
A imunização poderá ser aplicada inicialmente em pessoas de dois a 59 anos. A restrição etária é menor do que a vacina que está sendo comercializada no Brasil, do laboratório francês Sanofi Pasteur, que só pode ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos. Além disso, a vacina testada pelo Butantan necessita de dose única, enquanto a francesa precisa de três doses, e a eficácia estimada do produto brasileiro está acima de 80%, contra 50% a 60% da Sanofi Pasteur.
 
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