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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de julho de 2016. Atualizado às 00h23.

Jornal do Comércio

Economia

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empréstimos

Notícia da edição impressa de 28/07/2016. Alterada em 27/07 às 21h06min

Crédito encolhe 2,8% no primeiro semestre

Recursos direcionados, como para habitação, devem crescer na segunda metade do ano

Recursos direcionados, como para habitação, devem crescer na segunda metade do ano


ANTONIO PAZ/JC
Pela primeira vez desde que o Banco Central (BC) passou a fazer a compilação dos dados na forma atual, o volume de crédito do mercado brasileiro encolheu no primeiro semestre de um ano. A atual série da instituição teve início em março de 2007. De acordo com o BC, esse segmento apresentou recuo de 2,8% de janeiro a junho de 2016, para R$ 3,130 trilhões. No final do ano passado, o estoque de empréstimos somava R$ 3,219 trilhões. Na primeira metade de 2015, o crédito havia avançado 2,75%.
A previsão do BC para a expansão deste ano é a pior dos últimos tempos também, de 1%, mas ainda segue no terreno positivo. Isso significa que a instituição embute em sua projeção um reaquecimento desse mercado na segunda metade de 2016, que sazonalmente ganha mais impulso com o aumento dos negócios, em especial no fim do ano, com o Natal. Até porque, como lembrou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a segunda metade de 2015, que já começava a sentir os efeitos da crise atual, é uma base baixa de comparação.
Pelos cálculos da autoridade monetária, o crédito direcionado (empréstimos do Bndes, crédito rural, financiamento da casa própria e à exportação) é o que puxará o mercado, com a previsão de alta de 3%. Já os recursos livres para financiamento (linhas para o consumo) devem ter retração de 1% este ano.
Nem em 2008 e 2009, anos da crise financeira internacional, o mercado de crédito doméstico sentiu tanto a fragilidade da economia como agora. Em 2008, o crescimento desse mercado foi de 14,08% no primeiro semestre do ano. Com o baque da turbulência internacional, a expansão de 2009 foi bem mais modesta, de 3,97%, mas ainda no terreno positivo.
A estimativa do Banco Central é a de que o Produto Interno Bruto (PIB) apresente retração de 3,3% em 2016 na comparação com o ano passado. Em junho, o mercado de crédito representava 51,9% do PIB. A expectativa do BC é de que se mantenha assim até o final do ano, quando essa relação deve atingir 52%.
Escasso e com baixa demanda, pela diminuição da renda, da confiança dos empresários e o temor com o desemprego, o financiamento também sofreu ao longo deste ano com o aumento dos juros. Isso, apesar de a taxa básica Selic estar estacionada em 14,25% ao ano desde julho do ano passado. Como identificou Maciel, o encarecimento do crédito se deu basicamente pelo aumento dos spreads.
Dois acontecimentos atípicos contribuíram para a queda de 0,5% do estoque de crédito em junho, segundo avaliação do economista Everton Gomes, do Banco Santander. Pela ordem, a valorização do real na passagem de maio para junho e o ajuste em curso no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), expõe o economista.
A valorização cambial, que levou o dólar para R$ 3,20 em junho, de R$ 3,60 no mês anterior, representou uma queda de R$ 10 bilhões no estoque de crédito. Este valor resulta da soma de R$ 5,2 bilhões referentes às operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC) e R$ 4,9 bilhões em repasses externos, explicou Gomes, ressaltando se tratar, neste caso, de pessoas jurídicas. "O resto ficou por conta do Bndes, que no geral já reduziu em R$ 13 bilhões as suas linhas de investimentos", observou.
 

Retração econômica, custo, confiança e câmbio explicam recuo

O recuo do crédito no primeiro semestre de 2016, tanto na modalidade livre quanto na direcionada, foi resultado principalmente de quatro fatores, afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel. O primeiro deles é a retração da atividade econômica no País, que limita a busca por crédito tanto por empresas quanto pelas famílias.
"Com a retração econômica, há menor demanda por crédito pelas empresas", citou Maciel. "Do lado das famílias, o recuo do PIB significa menor renda e isso também é um desestímulo para a tomada de crédito." Além da retração da atividade, Maciel citou a elevação do custo do crédito como um dos fatores para a queda no primeiro semestre do ano. "Houve aumento desse custo no primeiro semestre, puxado fundamentalmente pelos spreads", afirmou.
Outro fator citado por Maciel foi a confiança. "Claro que a gente não pode deixar de mencionar o ambiente de incertezas que predominou nos últimos meses, desde o fim do ano passado, com baixa confiança dos agentes. Os indivíduos ficam mais avessos a comprometer a renda futura. Foi isso o que predominou", avaliou. Por fim, o dólar impactou as operações atreladas à variação cambial.
Especificamente sobre o mês passado, quando houve recuo de 0,5% do saldo de crédito na margem, Maciel afirmou que a retração em meses de junho é rara, tendo ocorrido antes apenas em 2001. Segundo ele, as empresas puxaram o resultado, com retração de 1,3% em junho ante maio deste ano.
Maciel ressaltou que houve expansão do volume de crédito imobiliário para as famílias no primeiro semestre deste ano, mas em um patamar bem inferior ao de igual período de 2015. De janeiro a junho deste ano, o financiamento imobiliário apresentou alta de 3,4%.

Inadimplência média no crédito livre diminuiu para 5,6% no mês de junho

A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 5,6% em junho ante 5,8% do mês anterior, segundo informou o Banco Central (BC). Em junho de 2015, a taxa estava em 4,6%. Para pessoa física, a taxa de inadimplência passou de 6,3% para 6,1% na comparação mensal. Em junho de 2015 estava em 5,3%. Para as empresas, recuou de 5,3% para 5,1% de um mês para o outro. Estava em 3,9% um ano antes.
A inadimplência do crédito direcionado passou de 1,6% de maio para 1,4% em junho. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 3,5% em junho, ante variação de 3,7% vista em maio. Um ano antes, a taxa estava em 2,9%.
No cheque especial, o volume de calotes voltou a recuar, apesar de os juros dessa modalidade se situarem na maior marca desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Estava em 14,8% em maio e passou para 14,6% em junho.
No caso de aquisição de veículos, o volume de calote recuou de 4,7% em maio para 4,5% em junho. No encerramento de 2015, estava em 4,2%. Já no cartão de crédito, cedeu de 8,4% para 8,3% de maio para junho.
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro passou de 43,9% em abril para 43,4% em maio. A instituição começou a fazer o levantamento em janeiro de 2005 e o retrato sobre o nível de dívidas brasileiras passou a ser incorporado na nota de crédito pelo BC em agosto de 2015.
O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses e incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento apresentou uma baixa em maio, ficando em 24,8% da renda anual. Em abril, estava em 25,2%.
Ainda segundo o Banco Central, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) caiu de abril (22,3%) para maio (21,9%). Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda passou de 19,7% em abril para 19,3% em maio.
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