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Porto Alegre, domingo, 24 de julho de 2016. Atualizado às 21h24.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura Internacional

Notícia da edição impressa de 25/07/2016. Alterada em 25/07 às 00h48min

Estado quer se aproximar do Mercosul

Governador José Ivo Sartori discutiu assunto durante encontro com o ministro José Serra

Governador José Ivo Sartori discutiu assunto durante encontro com o ministro José Serra


LUIZ CHAVES/PALÁCIO PIRATINI/JC
Marina Schmidt
O Rio Grande do Sul quer ficar ainda mais perto da Argentina. A aproximação pretendida pelo governo gaúcho vai muito além das fronteiras geográficas e tem um foco no mercado em comum que o Estado e o país vizinho compartilham. A ideia, claro, não é nova: essa é a mesma lógica que deu origem ao Mercosul, há 25 anos. E é justamente por intermédio do bloco econômico que o governo gaúcho quer estreitar o relacionamento.
Sob o comando de Maurício Macri, a Argentina quer reconstruir o Mercosul, intenção compartilhada pelo governador José Ivo Sartori. Em maio, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Alfredo Magariños, designado pelo presidente argentino, fez sua primeira visita oficial ao Rio Grande do Sul.
O diplomata aproveitou o encontro para pedir o apoio de Sartori na reestruturação do bloco, citando que a parceria com o Estado é importante "pela proximidade e pela identidade étnica e cultural". O governador não apenas aceitou a incumbência de auxiliar nessa interlocução como manifestou a intenção de reconstruir a "relação econômica entre o Brasil e a Argentina". "O Rio Grande do Sul ocupará um papel de protagonismo nesta tarefa", declarou na ocasião.
Agora, o desafio é consolidar ações nesse sentido. A primeira delas será uma missão à Argentina. Quem comanda a iniciativa no Estado é a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect), em parceria com entidades empresariais, como Fiergs, Farsul, Federasul, Sebrae e Fecomércio-RS. O secretário adjunto da Sdect, Renato Oliveira, detalha que a pasta está organizando uma visita do governador ao presidente Macri e, possivelmente, a passagem por uma ou duas capitais de provinciais argentinas.
Essas tratativas têm como foco principal a melhoria do ambiente de negócios, sinaliza. "O governo quer definir um novo patamar de relacionamento econômico e começar a estudar possibilidade de exploração conjunta de novos mercados utilizando as similaridades entre o Rio Grande do Sul e a Argentina para isso", sinaliza. Um mercado que pode ser buscado é a Ásia, exemplifica, que demanda alimentos e bens de infraestrutura - áreas em que o Estado e o país vizinho se destacam. "É uma questão em aberto, mas temos que colocar isso na agenda de discussões", comenta Oliveira.
Sobre o bloco econômico, de maneira mais abrangente, o secretário adjunto cita que é preciso superar o estágio de uma união aduaneira e trabalhar uma agenda para uma atuação econômica propriamente dita. "Nós sempre utilizamos o exemplo da comunidade europeia, que começou a se solidificar como um bloco na medida em que construiu projetos de tecnologia avançada comuns", recobra. "Nós não temos isso no Mercosul e, se pensarmos nas similaridades, podemos colocar isso como uma possibilidade para a relação do País."
A ideia é consolidar projetos e parcerias mais robustos, acrescenta. "O governador, quando esteve no Uruguai, apresentou o projeto de construção de um parque tecnológico comum, e há possibilidades concretas para isso." O fortalecimento das relações pode culminar em uma linguagem tecnológica comum, porém voltada para resultar em oportunidades de mercado. "O Brasil e a Argentina têm uma comissão comum na área de biotecnologia, mas que ainda não gera negócios", sublinha.
Na semana passada, Sartori se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, José Serra, para tratar da questão. Destacando a iniciativa como positiva, Serra declarou que sua equipe está à disposição do governo para avançar no diálogo e na realização de missões gaúchas à Argentina. Segundo Sartori, uma primeira visita deve ocorrer em agosto, antes da Expointer. O governador projeta que, em outubro, seja enviada outra missão para fortalecer parcerias multissetoriais com Alemanha, França e Itália.
"Quem conduz esse processo de aproximação entre os países do Mercosul é o governo federal, mas nós queremos ser protagonistas nesse processo, de auxiliar, ajudar e de buscar um caminho que seja importante para o Rio Grande do Sul, inclusive no relacionamento e na integração com o mercado argentino", declarou Sartori após o encontro.

País precisa evoluir nos acordos comerciais, avaliam representantes empresariais

Sperotto defende a liberação para que os países-membros possam firmar acordos bilaterais
Sperotto defende a liberação para que os países-membros possam firmar acordos bilaterais
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Para o setor produtivo gaúcho, é nítida a percepção de que o Brasil precisa retomar negociações internacionais, sobretudo no atual contexto econômico, deve ser prioridade, assinalam representantes empresariais do Estado. "O Brasil, nos últimos 15 anos, só andou para trás no que diz respeito a acordos comerciais", avalia o coordenador do Conselho de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiergs, Cezar Müller. Segundo ele, não foi feito nenhum acordo importante nos últimos anos. "É um fato que lamentavelmente nós, da indústria, temos dito. O País talvez tenha tido a década perdida da exportação, pela questão da valorização cambial e pela falta de competitividade da indústria no mercado internacional."
Da mesma forma, o Mercosul também evoluiu muito pouco, ressalta Müller. "Mesmo que possamos dizer que os números não foram tão ruins, a expectativa era muito maior do que o que realmente aconteceu." O coordenador da Fiergs critica o fato de o bloco ser orientado mais pela política do que pelas necessidades comerciais. "O que estamos vivendo hoje é uma predisposição governamental de discutir novos acordos comerciais de uma forma diferente. Tínhamos uma politização muito forte do Mercosul até então."
A mudança destacada por Müller é, sobretudo, um caminho para fazer frente ao desaquecimento do mercado interno. "Hoje, tanto o governo estadual quanto o federal concordam que, realmente, a exportação é prioritária, é uma estratégia de governo e uma saída para crise." Nesse contexto, abre-se a oportunidade para que as empresas exportadoras voltem a se inserir no mercado internacional.
Sobre as possibilidades em aberto para o bloco, Müller recupera o possível acordo Mercosul-União Europeia, uma pretensão antiga. "O Mercosul precisa estar melhor preparado para fazer esse acordo, vai ser bom para o bloco. Precisamos efetivamente avançar no tema negociações comerciais."
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, observa que hoje há um direcionamento das prioridades do Brasil. "Estamos caminhando a passos largos para conseguir a liberação para que cada país possa desenvolver suas ações de acordos bilaterais, uma vez que o Brasil já definiu e deveremos defender essa tese de forma coesa, não só por parte da produção, mas também no que diz respeito ao governo."
Sobre a missão gaúcha à Argentina, Sperotto relata que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia está fazendo análises com objetivos múltiplos. "Estamos participando e vamos levar nosso sentimento de como colaborar, também queremos ver qual é o objetivo de governo e quais posições pretende defender."
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