Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 06 de julho de 2016. Atualizado às 09h23.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Agronegócios

Notícia da edição impressa de 06/07/2016. Alterada em 06/07 às 08h37min

MP-RS prende representante do setor lácteo em nova operação

Investigações foram iniciadas há três meses contra duas empresas localizadas em São Pedro da Serra

Investigações foram iniciadas há três meses contra duas empresas localizadas em São Pedro da Serra


fotos MARJULIÊ MARTINI/MPRS/DIVULGAÇÃO/JC
Marina Schmidt
Iniciada há três anos, a série de ações contra fraude em leite e derivados comandada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) atingiu, pela primeira vez, um representante do setor. Clóvis Marcelo Roesler teve a prisão preventiva decretada nesta terça-feira, durante a 11ª fase da Operação Leite Compensado, realizada simultaneamente com a 4ª Operação Queijo Compensado.
As investigações que culminaram na ação de ontem foram iniciadas há três meses, tendo como foco as empresas Laticínios Roesler Ltda. e Laticínios Campestre Ltda. (de São Pedro da Serra), além dos estabelecimentos comerciais Calábria Casa de Queijos (Caxias do Sul) e Nei Casa do Queijo - Produtos Coloniais (Novo Hamburgo), que vendem os produtos dos dois laticínios. Os crimes identificados envolvem a venda irregular de produtos fora do município (as indústrias estavam limitadas pela inspeção municipal), adulteração de leite e derivados, falta de higiene e irregularidades fiscais. Os itens eram comercializados com as marcas Granja Roesler e Campestre.
Sócio-administrador da empresa Laticínios Roesler Ltda., Clóvis, atualmente, é membro de três entidades: é secretário do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), integrante do Conselho Administrativo da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do RS (Apil) e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Salvador do Sul e São Pedro da Serra. Porém, os vínculos do executivo com o setor são mais amplos. Entre 2005 e 2006, foi secretário executivo do Sindilat, além de ter presidido a Apil entre 2007 e 2013.
Segundo interceptações telefônicas feitas durante as investigações, Clóvis tentava coibir a atuação do MP-RS e da Secretaria de Agricultura do Estado. "Em um momento, um diz para o outro que eles tinham que derrubar o secretário Ernani Polo (da Agricultura). Em outro momento, disseram, literalmente, em colocar um dedo no Ministério Público", descreveu o promotor de Justiça Mauro Rockenbach, que coordena em conjunto com o promotor Alcindo Bastos da Silva Filho o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Segurança Alimentar). Até o momento, não foram divulgados os nomes dos interlocutores das conversas.
As gravações demonstraram também que Clóvis organizava uma manifestação em frente ao Palácio Piratini com a derramamento de leite e soro de queijo. O objetivo, relata Rockenbach, era "chamar a atenção do governo do Estado no sentido de que estavam sendo desatendidos nas postulações junto à Secretaria da Agricultura quando, na realidade, não poderiam ser atendidos por uma série de irregularidades que constatamos".
A convicção dos promotores é a de que a movimentação para derrubar o secretário da Agricultura visa minimizar o apoio às ações do MP-RS, já que a secretaria estadual vem, desde o início, colaborando com as operações. "Quando era presidente da Apil, ele conseguiu o afastamento de duas fiscais estaduais que estavam na chefia da fiscalização de leite muito próximas de nós do MP-RS", recobrou Rockenbach.
Também foram presos preventivamente César Moacir Roesler (irmão de Clóvis e sócio da Laticínios Campestre) e sua esposa, Anete Maria Roesler. As duas empresas implicadas nas operações são do mesmo grupo familiar. Outras prisões preventivas foram deferidas contra os queijeiros que trabalham para a família, Antônio Germano Royer e Selvino Dietrich. Em Caxias do Sul, foi preso em flagrante por acondicionar para a venda queijo das marcas investigadas e outras em péssimas condições de conservação o dono da Calábria Casa de Queijos, Guilherme Scussiato. O responsável pelo Serviço de Inspeção Municipal de São Pedro da Serra foi suspenso do exercício da função. Bastos ressalta que é a segunda vez que as operações identificam participação de fiscais municipais.
O IGL, a Apil e o Sindilat emitiram notas reforçando o apoio às ações do MP-RS. Durante a coletiva de imprensa, o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais da entidade, Fabiano Dallazen, frisou que as operações continuam. "Eu quero ressaltar que esse trabalho vai contar com todo apoio institucional, e que a fiscalização continua, com tantas fases quantas forem necessárias."
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Sergio 06/07/2016 09h20min
O facínora era secretário executivo do Sindilat? Pode? Agora a credibilidade do setor leiteiro foi atingido no coração! Parem tudo! Limpem a própria casa. Vejam o que estão fazendo com a saúde da população gaúcha. Chega.