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Porto Alegre, terça-feira, 05 de julho de 2016. Atualizado às 14h23.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

05/07/2016 - 14h23min. Alterada em 05/07 às 14h23min

Alta em alimentos no IPC surpreende e não deve aliviar nas próximas semanas

A alta de 1,17% do grupo Alimentação no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho surpreendeu até mesmo o coordenador do indicador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas, que esperava taxa de 0,73%. Apesar de imaginar que os preços continuariam sofrendo os efeitos do clima desfavorável e da quebra de safra de alguns produtos, a intensidade da alta não era esperada. "Já era para observamos algum alívio. Alguns produtos estão com taxas elevadas e atrapalhando o índice de desacelerar", disse.
Ao contrário das frutas, que cederam 6,31% em junho, e tiveram desempenho dentro da sazonalidade, o encarecimento do feijão, do leite longa vida e de água e esgoto pesou no bolso do consumidor. De acordo com Chagas, as altas apuradas no grão (39,47%), leite (13,58%) e na tarifa de água (10,97%) responderam por três quartos da inflação de 0,65% no IPC do sexto mês do ano. O resultado superou o teto das expectativas do Broadcast Projeções, de 0,52%, que tinha piso de 0,28% e mediana de 0,45%. A Fipe esperava 0,55%. "Subiram fortemente, sofrendo efeitos do clima extremo", afirmou.
Enquanto o IPC acumulou variação de 5,00% no ano e de 10,18% em 12 meses até junho, o grupo Alimentação atingiu 8,07%, de janeiro a junho, e 13,92% em 12 meses.
Segundo Chagas, o grupo Alimentação ainda deve continuar apresentando resultados elevados nas próximas semanas, podendo diminuir o ritmo de alta somente no fim do mês. Porém, o alívio pode não ser substancial. Conforme ele, dificilmente o feijão, que já subiu 93,56% no acumulado de 12 meses terminados em junho e de 74,91% só neste ano até junho, pode reduzir a velocidade alta de forma expressiva. Isso porque, explica, o que está em relação ao grão é "estrutural". Segundo ele, a cada ano a área plantada da cultura tende a diminuir, pois o produtor acaba por optar pelo plantio de itens alimentícios considerados mais rentáveis, como soja, por exemplo. "Esse patamar, claro, não é de equilíbrio. Deve diminuir com as importações, mas dificilmente o preço (carioca), que está acima de R$ 10,00, cairá de maneira muito forte", estimou.
Nos cálculos do economista, o grupo de Alimentos pode acelerar de 1,17% no fim de junho para 2,02% na primeira leitura de julho, ir a 2,16% na segunda e a 2,13% na terceira. Já na quarta medição, espera que a taxa desacelere para 1,37%. "Vai começar a devolver um pouco a alta, mas não será tão forte. O tomate, que ainda caiu em junho (-4,95%), vai aparecer entre os vilões e pressionar a inflação. Carne bovina ainda está com variação contida (-1,53%), mas diminuindo o ritmo de queda", contou.
Conforme a Fipe, a redução média de 7,30% na conta de luz da Eletropaulo e a redução na cobrança de PIS/Cofins a partir deste mês devem permitir um efeito negativo de até 0,27 ponto porcentual no IPC de 2016. O maior impacto, segundo Chagas, deve ser observado no índice fechado de agosto, com o item energia elétrica mostrando queda de 5,19% e alívio de 0,19 ponto porcentual no IPC do oitavo mês do ano.
A despeito dessa expectativa de queda em energia, o economista elevou a projeção para o IPC fechado de 2016, de 7,10% para 7,36%. "O recuo na tarifa ajuda, mas não interfere muito na expectativa, pois alimentos estão com preços elevados. "O choque de alimentos distorceu um pouco as coisas. Imaginamos que será passageiro, mas é um passageiro que não quer descer do carro. Teima em ficar", avaliou.
Para julho, Chagas acredita que o IPC pode desacelerar para 0,52%, após 0,65% em junho. Se confirmada a estimativa, ficará acima do índice do sétimo mês de 2015, de 0,85%.
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