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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de julho de 2016. Atualizado às 22h39.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 05/07/2016. Alterada em 04/07 às 21h42min

Brasil será o maior produtor de soja até 2025

Fronteira de plantio será maior no mundo graças a expansão das terras agricultáveis no Brasil e na Argentina

Fronteira de plantio será maior no mundo graças a expansão das terras agricultáveis no Brasil e na Argentina


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
O Brasil será o maior produtor de soja do mundo nos próximos 10 anos e irá superar os EUA. Mas os exportadores nacionais não devem esperar por mais uma era de preços elevados de commodities. A constatação faz parte do informe sobre o futuro da agricultura no mundo até 2025 produzido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), que destaca que o Brasil responderá por uma parte significativa da expansão agrícola nos próximos 10 anos. A desvalorização do real deve permitir um aumento das vendas no curto prazo. Mas será compensada por uma estagnação de preços por uma década em diversos setores.
O abastecimento do mercado global dependerá em 80% de um aumento de produtividade no campo. A projeção aponta, no entanto, para a ocupação de 42 milhões de hectares de terras extras no mundo para a produção agrícola até 2025, uma expansão de apenas 4% em relação ao montante utilizado em 2015. E isso ocorrerá em grande parte por conta da expansão da fronteira agrícola no Brasil e na Argentina. Juntos, os dois países serão responsáveis por perto de 20 milhões de hectares extras plantados.
"A América Latina continua sendo a maior fonte de expansão de área agrícola no mundo, com um total de aumento de 25% e com a soja liderando a maioria dessa expansão", indicou a FAO. "O Brasil vai se transformar no produtor mais importante de soja até 2025, com a produção atingindo 135 milhões de toneladas", disse a entidade, apontando que o volume será suficiente para abastecer tanto o setor de óleos vegetais como proteína para animais.
No Brasil, a aquacultura deve sofrer uma expansão de 40% até 2025, enquanto o algodão promete ser um dos destaques da década. "As exportações do Brasil devem dobrar de 700 mil toneladas de algodão para 1,5 milhões, fazendo do Brasil o segundo maior exportador", disse a entidade. Segundo a FAO, a China continuará sendo o maior importador do mundo.
Para a FAO, a queda do real deve ainda ajudar o segmento do açúcar no Brasil. "O setor tem sofrido problemas financeiros por anos, mas irá se beneficiar da debilidade do real", indicou. A entidade estima que a proporção da produção nacional que irá para o etanol deve ser reduzida, para cerca de 57%. No mundo, a proporção do açúcar ao combustível, porém, deve aumentar de 20,7% para 22,3% até 2025. Num primeiro momento, a FAO estima uma queda da participação do Brasil no mercado mundial de açúcar. Mas, até 2025, o País voltará a ocupar 41% do mercado.
A entidade aponta que, com a queda na produção desde 2013, o superávit mundial no setor deve acabar, também levado pelo aumento do consumo. Se no Brasil, Austrália e Rússia a produção continuará a se expandir, vai sofrer uma redução na Índia e União Europeia.
No segmento do etanol, o mercado mundial deve continuar a ser dominado por EUA e Brasil. Por conta da demanda doméstica, a produção nacional deve ser elevada em 25%, enquanto os EUA devem ter uma queda. A FAO prevê uma expansão maior nos preços do etanol na próxima década. Mas isso graças à recuperação nos preços do barril do petróleo.
A FAO também destaca como a participação do Brasil nas exportações de carne deve chegar a 26%, "contribuindo por quase metade da expansão esperada nas vendas de carnes no mundo durante o período projetado".
Se em vários segmentos as projeções são positivas para o campo no Brasil, a entidade também estima que, no mercado global, a era de preços elevados para o setor agrícola não deve voltar até 2025. "A principal razão é a desaceleração nas taxas de crescimento em economias emergentes."

Maggi quer País responsável por 10% do comércio mundial

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou durante o Global Agribusiness Forum 2016, realizado em São Paulo, que tentará resolver, à frente da pasta, os problemas que o "incomodavam". "Um deles é a burocracia. O servidor público é mais importante quando ajuda a resolver os problemas", disse Maggi. "Estamos fazendo em todos os setores da agricultura reuniões para simplificar regras."
Conforme o ministro, o presidente da República interino, Michel Temer, lhe deu autonomia para comandar a pasta e se disse muito honrado por ter sido convidado para liderar o ministério. "Estamos fazendo um trabalho à frente do Ministério da Agricultura que é olhar para o cidadão. Minha obrigação e compromisso é atender e defender a agricultura brasileira."
Para o ministro, o Brasil tem potencial para ampliar e ser "mais forte" do que é hoje em termos de agricultura, mesmo em um momento de crédito escasso. "Se o governo não tem dinheiro neste momento, temos de fazer mais com menos." Para Maggi, o objetivo é tornar o Brasil responsável por 10% do comércio agrícola global "em cinco anos, e não mais em 10 anos". "Temos condições de aumentar muito a participação brasileira na produção de proteínas animais", exemplificou.
Ainda segundo Maggi, o saldo da balança comercial mostra que há espaço para a agricultura ter maior participação e atenção por parte do governo. "O Ministério da Fazenda tem suas preocupações, mas agricultura não é despesa, é investimento", frisou.
Maggi afirmou ainda que o Plano Safra 2016/2017, aprovado ainda na gestão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), foi colocado em prática no último dia 1 de julho e está sendo executado. "Iniciamos com o que temos e, com o passar do tempo, se precisarmos de mais recursos para o Moderfrota ou para outros programas, vamos olhar individualmente. Se precisar, vamos colocar mais recursos", disse.
Maggi afirmou também que o governo vai regular o mercado no que for possível, desde que as medidas não sejam contestadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). "Como política de regra geral, não deve haver subsídios. Não haverá subsídio a prêmios de opções. O mercado definirá."
O ministro também destacou a atuação do Banco do Brasil (BB) no agronegócio nacional. "O BB está lançando nova modalidade lastreada em LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) que ajudará o produtor a complementar o financiamento. O BB está sendo muito proativo" junto aos produtos que foram prejudicados por problemas climáticos, explicou.

Federarroz contesta posição da Abiarroz sobre preço do cereal

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) lamentou, em nota, as manifestações da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) a respeito das variações dos preços do cereal, "ligado ao suposto movimento especulativo do setor primário". Além de considerar as afirmações uma verdadeira "afronta" aos bons costumes e ao trabalho harmonioso da cadeia produtiva, a Federarroz entende que elas, claramente, "faltam com a veracidade e contextualização dos fatos".
"Ao contrário do afirmado pelo presidente da entidade, Mário Pegorer, os preços pagos ao produtor de arroz subiram meramente 16,99%, na comparação da média de preços do primeiro semestre de 2015 para o mesmo período de 2016 (Cepea/Esalq), muito aquém dos injustificáveis 67% afirmados pelo presidente da Abiarroz", diz a nota da Federarroz. "Ainda assim, considerando pontualmente a última cotação do dia 3 de julho de 2016 com a mesma data de 2015, o aumento foi de 45,17%. Entretanto, a vigorosa diferença tem origem na queda de preços no período da safra em 2015, oportunidade em que a saca do arroz chegou a
R$ 30,00 em algumas regiões do estado do Rio Grande do Sul."
A Federarroz contesta ainda a acusação de "movimento especulativo do setor de produção de arroz", esclarecendo que "a afirmação evidencia certa pretensão e total indiferença ao trabalho coletivo e harmonioso que vem sendo buscado pela cadeia produtiva nos últimos anos".
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