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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de julho de 2016. Atualizado às 12h46.

Jornal do Comércio

Economia

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aviação

04/07/2016 - 12h38min. Alterada em 04/07 às 12h46min

Gol encerra oferta de permuta de notes; resultado reduzirá dívida em US$ 101 milhões

Empresa afirmou que sua dívida total será reduzida em US$ 101,2 milhões

Empresa afirmou que sua dívida total será reduzida em US$ 101,2 milhões


Marcelo G. Ribeiro/JC
A Gol informou, após várias prorrogações, o encerramento da oferta de troca de bonds antigos por novos, a chamada oferta de permuta, cujo prazo final era 1º de julho. No comunicado ao mercado divulgado na manhã desta segunda-feira (4) a companhia aérea diz que contatou mais de 150 detentores de notes antigas.
Sem revelar quantos credores participara, a Gol afirma que, até o vencimento, as ofertas válidas alcançaram US$ 174,745 milhões (cerca de R$ 564,391 milhões), divididos em US$ 27,036 milhões no vencimento de 2017, US$ 41,039 milhões de 2020, US$ 46,270 milhões de 2022, US$ 14,301 milhões de 2023 e US$ 46,099 milhões nos perpétuos.
Agora, haverá uma nova emissão, que será de US$ 73,5 milhões como valor principal agregado, sendo US$ 14,1 milhões para o vencimento de 2018, US$ 41,3 milhões em 2021 e US$ 18,1 milhões em 2028.
O resultado final das ofertas de permuta será anunciado após a liquidação, prevista para o dia 7 e no máximo 11 de julho. Com isso a Gol afirma que sua dívida total será reduzida em US$ 101,2 milhões (R$ 326,9 milhões), com um uso de caixa de US$ 13,9 milhões. Também o resultado da oferta permitirá uma economia com despesa anual de juros de US$ 9,3 milhões, segundo o comunicado.
A companhia aérea propôs, inicialmente em 3 de maio, desconto no valor de face dos títulos que vencem em 2017, 2020, 2022, 2023 e bônus perpétuos, com pagamento de prêmio aos credores. Conforme fontes, a troca seria de US$ 780 milhões bônus existentes por novos papéis em outras condições, mas diante da recusa de credores, algumas condições foram alteradas desde então.
"Junto com a renegociação dos contratos de arrendamento de aeronave, as alterações nos termos das debêntures brasileiras e outras importantes medidas de liquidez, as Ofertas de Permuta vão proporcionar melhorias para a estrutura de capital da Gol e ajudar a garantir que a Companhia saia da crise política brasileira e econômica atual com a melhor posição competitiva. Estas melhorias são particularmente importantes para ajudar a Gol a continuar a executar as medidas necessárias para redução de capacidade e de custos até que a economia e a indústria aérea brasileira se recuperem", diz a empresa no fato relevante.
A Gol diz que vai pagar, na data de liquidação, todos os juros acumulados e não pagos com relação às Notes Antigas trocadas por novas, e que estas terão garantia "areal", ou seja, alienação fiduciária, avaliada em US$ 222,7 milhões "por uma empresa de avaliação independente, representando um índice de cobertura do principal maior que 3 para 1", explica a Gol.
A empresa lembra que tomou "uma série de iniciativas para abordar de forma abrangente as suas preocupações com liquidez e com estrutura de capital" e que na fase final ocorreu a renegociação de uma parcela substancial das dívidas e de obrigações decorrentes de arrendamento, especificamente a conclusão das Ofertas de Permuta, a renegociação dos contratos de arrendamento e os novos termos das debêntures brasileiras. "Por meio da execução destas importantes medidas, a Gol poderá se concentrar em medidas operacionais para ajudar a superar os efeitos da crise econômica e da crise no setor aéreo do Brasil", conclui.

Satisfeita com troca de dívida, aérea diz que agora vai negociar debêntures

A Gol está satisfeita com o resultado da troca de bônus proposto a investidores estrangeiros e acredita que a adesão inferior ao considerado adequado não irá afetar as negociações com seus demais credores, disse Edmar Lopes, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da companhia aérea.
"Estamos satisfeitos, conseguimos diminuir nossa dívida em US$ 100 milhões, o que, em reais, é relevante. E com isso também nosso uso de caixa será reduzido", afirmou Lopes em conference call com a imprensa.
Lopes reiterou que o formato da troca não foi negociado com os "bondholders" e que os parâmetros da oferta foram os que "cabiam no bolso" da companhia. "Fomos consistentes. Eu, pessoalmente, conversei com mais de 150 investidores europeus, norte-americanos, da Rússia e dos Emirados Árabes", disse.
O executivo acredita que a adesão inferior ao esperado não deve afetar a negociação com os bancos, a qual dependia do sucesso dessa troca. "Vamos conversar com os bancos sobre renegociação das debêntures e dinheiro novo nos próximos dias", disse, sinalizando que o resultado da troca não romperá essas negociações.
Paralelamente à negociação das debêntures, a Gol pleiteia um novo empréstimo de R$ 300 milhões. "O impacto do resultado da troca dos bonds sobre as outras medidas de liquidez será pequeno e administrável", previu. Lopes afirmou ainda que a companhia não está buscando um aporte adicional por meio da venda de participação.
As negociações com os bancos dependiam da adesão à troca porque, com isso, a companhia conseguiria enquadrar o "covenant" de suas dívidas. Lopes explicou que os "covenants" foram favorecidos pela queda do dólar em relação ao real. "Com a queda do dólar para o patamar de R$ 3,20, fechamos o mês de junho com uma redução no estoque de nossa dívida de R$ 1,4 bilhão", disse.
O vice-presidente Financeiro afirmou que a retração do dólar frente à moeda brasileira também ajudou a aumentar a adesão à troca dos bonds. No entanto, o executivo frisou que, apesar do efeito positivo da apreciação do real, a grande dificuldade da empresa é a volatilidade do câmbio. "O novo patamar do dólar não está incorporado em nossas projeções e teremos de refazer tudo. Com a volatilidade, nosso fluxo de caixa tem de ser revisitado a todo o tempo", destacou.
Segundo ele, o eventual otimismo com câmbio não altera a estratégia de adequação da companhia. "Entendemos que em 2016 e 2017 teremos muitos desafios do ponto de vista de demanda", disse. "Manteremos nosso plano de redução de capacidade e todas as outras frentes de negociação, incluindo com outras partes, como Boeing e Delta", acrescentou.
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