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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de julho de 2016. Atualizado às 23h53.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 21/07/2016. Alterada em 20/07 às 21h06min

Pergunta que não cala

Em manifesto recente, no início do mês, no Aeroporto Internacional Tom Jobin, o Galeão, no Rio de Janeiro, agentes das forças de segurança diziam: "Nós estamos morrendo. Os criminosos olham para a nossa identidade e nos matam. Como uma cidade que não tem segurança pode sediar os Jogos? Para a Olimpíada tem tudo, para a gente, nada".
A declaração aponta uma situação crítica da realidade não só do Rio de Janeiro, mas também de outras unidades da federação. A violência tem alcançado índices tais que colocam o Brasil entre os países mais violentos do mundo. Tal situação é expressão de uma realidade muito mais complexa. Ela tem sua origem na família, passa pela educação, culminando com a dificuldade, sobretudo dos jovens, de encontrar um curso universitário qualificado e viável para quem sente a necessidade de também encontrar um lugar de trabalho digno.
As Olimpíadas são expressão da sempre rica possibilidade de integração dos povos e culturas através da prática esportiva. Nesse sentido, é uma honra para o Brasil poder sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Há um esforço enorme de muitos para que tudo corra da melhor forma possível. Um evento deste nível representa uma oportunidade ímpar para promover as belezas naturais locais, as ricas tradições culturais, a boa cozinha brasileira, o espírito alegre e acolhedor da população.
Entretanto, o evento olímpico também desmascara uma realidade nacional grave que alguns teimam em esconder. O enorme fosso existente, e que persiste, entre ricos e pobres, expressões da classe política e a população, bem público e privado, ética e antiética, decência e indecência, legalidade e ilegalidade.
O próprio estado do Rio de Janeiro decretou recentemente calamidade pública, pois a grave crise financeira que enfrenta "vem impedindo o estado de honrar com os seus compromissos para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016". Embora os recursos financeiros para a conclusão das inúmeras obras necessárias à realização dos jogos já tenham sido garantidos, sobretudo por meio de incentivo (renúncia fiscal), resta uma grande insatisfação relativa a tantos outros aspectos da vida social que necessitam urgentemente de atenção.
Os Jogos Olímpicos têm seu início e conclusão. Todavia, a população solicita atendimento urgente das necessidades básicas. Não basta favorecer um belo cenário para a realização do evento. É preciso responder às reais situações que o povo honesto e trabalhador enfrenta no dia a dia.
Há temas que se tornaram cansativos, mas não insignificantes. O que dizer da desconstrução paulatina dos valores familiares? E os índices de violência? Como obter assistência à saúde à altura de quem honestamente luta para conseguir o pão de cada dia? Como justificar a baixa qualidade do ensino público? Por que, então, não favorecer também o ensino privado? Por que tanta necessidade de rever orçamentos? Seriam os projetistas incompetentes? Como agir diante de informações de tanta corrupção?
Os Jogos Olímpicos representam uma ótima chance para mostrar ao mundo o que o Brasil tem de melhor. Ao mesmo tempo, porém, é oportunidade para, mais uma vez, teimosamente denunciar as mazelas de conglomerados de todo tipo que agem como detentores de um poder indigno: corrupção, falcatruas, desonestidade, ausência de espírito cívico.
O legado da Copa do Mundo recentemente celebrada foi de obras inacabadas, estádios deslocados, denúncias de desvios financeiros de todo tipo. Se há dinheiro para tais obras - embora os respectivos orçamentos necessitem de frequentes revisões - não haveria também o necessário para suprir as necessidades básicas da população, especialmente dos menos favorecidos?
 
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