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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de junho de 2016. Atualizado às 22h31.

Jornal do Comércio

Política

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ditadura militar

Notícia da edição impressa de 28/06/2016. Alterada em 27/06 às 21h25min

Marcas da Memória revela mais um local de tortura na Capital

Placa traz depoimento de sobrevivente que esteve preso na 'cela do boi preto'

Placa traz depoimento de sobrevivente que esteve preso na 'cela do boi preto'


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Marcus Meneghetti
No prédio do 18º Regimento de Infantaria (RI) do Exército, havia um cárcere conhecido como "cela do boi preto": as paredes eram negras, o ambiente era escuro, não havia janelas - o que, durante a ditadura militar (1964-1985), levava os prisioneiros a perderem a noção do tempo, já que não sabiam quando era dia ou noite.
O edifício não existe mais (ficava na avenida Bento Gonçalves), pois, depois de uma negociação com a Pucrs, o Exército cedeu o terreno à universidade, que o demoliu, construindo no local o TecnoPuc.
Com o objetivo de lembrar dos abusos cometidos pelos militares durante a ditadura, o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), em parceria com a prefeitura de Porto Alegre, fixou a sexta placa do projeto Marcas da Memória na calçada em frente ao local. A iniciativa demarca espaços onde ocorreram violações dos direitos humanos.
O prefeito José Fortunati (PDT) reforçou a necessidade de "lembrar a parte sombria da nossa história para que nunca mais se repita". "Ainda mais nesse momento em que, durante os atos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), alguns grupos pediram a volta do regime militar, como se tivesse sido uma época de prosperidade, sem violações dos direitos humanos."
Fortunati e o presidente do MJDH, Jair Krischke, entre outras autoridades, retiraram simbolicamente o pano verde que cobria a placa de bronze, com a seguinte inscrição: "Neste local onde havia o quartel do 18º RI, a ditadura militar manteve como prisioneiros, entre outros, os combatentes da Guerrilha de Três Passos, militares e civis submetidos a torturas com 'torniquetes nos dedos e na garganta'. Na Cela do Boi Preto, o supliciado perdia a noção do dia e da noite. 'Se existe inferno, eu ali estive', relatou sobrevivente".
O grupo armado mencionado na placa - também conhecido como Movimento 26 de Março - foi o primeiro a reagir ao golpe de 1964. Sob o comando do coronel do Exército Jefferson Cardim de Alencar Osório, 23 homens ligados aos ideais defendidos pelo ex-governador Leonel Brizola (na época, PTB), tomaram o quartel da Brigada Militar e uma rádio de Três Passos, em 26 de março de 1965. 
"O coronel Jefferson dizia o seguinte: 'não vou deixar que o golpe comemore um ano sem um movimento de resistência sequer'. Aí ele comandou outros 22 homens, civis na maioria, do Interior do Rio Grande do Sul. Mas era um grupo despreparado, pois treinaram apenas uma semana. Apesar disso, tomaram a cidade de Três Passos", explicou Krischke.
Ao longo de nove dias, o grupo marchou em direção ao Norte, passando por cidades de Santa Catarina e Paraná. Foram localizados por aviões da Força Aérea Brasileira em Capanema (PR), que acompanhavam o esquema de segurança do então presidente Castelo Branco - que estava hospedado em Foz do Iguaçu para inauguração da Ponte da Amizade. Em terras paranaenses, eles foram perseguidos, cercados e finalmente presos na cidade de Leônidas Marques.
O comandante da Guerrilha de Três Passos ficou preso alguns dias em Foz do Iguaçu e depois foi transferido para Curitiba. Os outros 22 prisioneiros foram enviados a Porto Alegre. "Eles permaneceram entre seis e oito meses no 18º RI. Ficaram na cela do boi preto. Também foram torturados com torniquetes, feitos com fio de náilon, nos dedos e no pescoço. Depois, foram transferidos para a Sesme (Serviço Social de Menores, que hoje se chama Fase), ali perto do estádio Beira-Rio, onde inclusive já existe uma placa do Marcas da Memória", afirmou o presidente do MJDH.
 
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