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Porto Alegre, quarta-feira, 01 de junho de 2016. Atualizado às 19h22.

Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

01/06/2016 - 19h22min. Alterada em 01/06 às 19h22min

Ronaldo Caiado critica visita de José Rainha a Temer

A ida do ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST) José Rainha Júnior ao gabinete do presidente em exercício Michel Temer, nesta quarta-feira (1º), causou desconforto na base aliada do governo no Congresso Nacional.
O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) classificou como "inadmissível" a visita de Rainha. "Se eu ocupasse um cargo no Executivo amanhã, como presidente da República, eu não poderia admitir que bandido nenhum sugerisse nada a mim. Isso é impensável", declarou. Após a visita, que ocorreu nesta manhã, Rainha afirmou que pediu a Temer que fosse criado o ministério da Reforma Agrária.
Caiado, que desaprova a medida, não poupou o sindicalista de ataques. "Se Zé Rainha diz ao presidente o que deve ser feito, estamos perdidos", disse. "Um cidadão desse não tem qualificação mínima para poder ter acesso ao Planalto e muito menos para dizer ao presidente quais são as suas reivindicações. Ele não tem nem condições de estar junto da sociedade brasileira, pois está cumprindo pena", continuou.
Caiado rebateu o comentário do deputado Paulinho da Força (SD-SP), responsável por intermediar a visita, que disse que Temer não pode governar só para os ricos. "Não é o problema de liderar só para os ricos, mas tem que presidir para os brasileiros de bem. Tem que se governar no Brasil dentro das regras", afirmou.
O senador evitou dizer que Temer cometeu um erro ao receber Rainha, mas sugeriu que o presidente em exercício precisa ter "cautela" para filtrar quem entra no seu gabinete. "A sociedade brasileira está estarrecida", afirmou o senador. No ano passado, Rainha Júnior foi condenado a 31 anos e cinco meses de prisão por crimes de extorsão, formação de quadrilha e estelionato.
Ele foi investigado pela Polícia Federal na Operação Desfalque, em 2011, que descobriu um esquema de extorsão de empresas e desvios de verbas para assentamentos rurais. O sindicalista recorre à decisão em liberdade, pois conseguiu a concessão de habeas corpus. Segundo o Ministério Público Federal, ele usava trabalhadores rurais ligados ao MST como massa de manobra para invadir terras e exigir pagamentos.
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