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Porto Alegre, terça-feira, 27 de dezembro de 2016. Atualizado às 17h19.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 09/06/2016. Alterada em 27/12 às 18h23min

A mulher merece respeito e representatividade

O caso do estupro coletivo de uma menina de 16 anos no Rio de Janeiro mexeu com os brios de todos os brasileiros. E com muita razão, mesmo que não seja o primeiro e, provável e infelizmente, não será o último.
As manifestações de rua mostraram o gênero feminino irritado, com palavras de ordem e pedindo que acabe a chamada cultura do estupro no País. Para alguns, um exagero semântico, embora a gravidade e a frequência dos casos de abuso sofridos pelas mulheres.
Líderes de movimentos de defesa dos direitos da mulher lembraram que há toda uma sequência de atitudes toleradas pela sociedade e que desembocam, verdadeiramente, em uma cultura do estupro.
Seja como for, é algo intolerável que aconteça, e as mulheres são vítimas duplamente. Primeiro, pela violência em si e, segundo depoimentos, após, quando se sentem constrangidas ao narrar o fato, geralmente em delegacias onde a maioria é masculina, senão todos os agentes e o delegado.
O pior é que metade das mulheres mortas vítimas de estupro no Brasil tem menos do que 19 anos, segundo o Ministério da Saúde. E das meninas menores de 13 anos que deram à luz em 2015, 6% foram vítimas de estupro. Sabe-se que, entre 2011 e 2015, ocorreram 77.845 estupros notificados ao sistema de saúde. Desse total, pelo menos 226 mulheres morreram, sendo 117 menores de 19 anos.
Outro avanço a ser conquistado está no campo do trabalho. Dados sobre a discriminação das mulheres quanto a salários em empresas mostram uma realidade que está em pauta nos dias atuais, eis que a regulamentação trabalhista indica que a tarefas iguais e horários idênticos devem corresponder salários iguais.
Desde que as mulheres passaram a assumir várias profissões, ganharam o mercado de trabalho e entraram na política. Elas têm galgado postos os mais diversos segmentos. Atualmente, há previsão do ingresso, em 2017, de mulheres em alguns cursos da Academia Militar das Agulhas Negras. Na Força Aérea Brasileira (FAB) temos mulheres como oficiais aviadoras de caças a jato, o mesmo ocorrendo na Marinha do Brasil, na área de serviços, e na nossa Brigada Militar, onde chegaram ao oficialato e a cargos de comando.
Nos últimos 30 anos, a situação das mulheres evoluiu na maioria dos países do mundo. Geralmente, para melhor. Porém, em muitos casos, sobre os seus ombros foi colocada uma carga pesada, pois além da jornada de trabalho no emprego formal, ainda precisam cumprir sozinhas os afazeres domésticos.
Evidentemente, essa situação está mudando. As exigências da vida moderna impedem, e tornam cada vez mais rara, a figura da mulher que pode se dedicar inteiramente aos afazeres domésticos. As mulheres estão no mercado de trabalho e, cada vez mais, mostram competência e assumem os postos de chefia.
Nas instituições públicas, em governos e cargos eletivos, passando pelo Legislativo, Judiciário e Executivo, as mulheres também se destacam. Por isso, não foi surpresa a repercussão negativa do ministério de Michel Temer (PMDB), que não escalou mulheres para o primeiro escalão.
O próprio Temer admitiu o equívoco e prometeu corrigi-lo em breve. Também é preciso avançar no Legislativo. Poucos partidos cumprem a quota mínima de 30% para candidatas mulheres. É preciso mudar essa prática, o que se refletirá em Parlamentos mais representativos, algo merecido e salutar para a sociedade.
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