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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de junho de 2016. Atualizado às 23h51.

Jornal do Comércio

Internacional

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terrorismo

Notícia da edição impressa de 30/06/2016. Alterada em 29/06 às 20h46min

Atentado na Turquia pode dar indícios de nova estratégia do EI

Força-tarefa de limpeza realizou trabalhos por cinco horas, e aeroporto Ataturk reabriu para alguns voos

Após uma força-tarefa de limpeza, aeroporto reabriu depois de cinco horas


OZAN KOSE/AFP/JC
Caso a organização terrorista Estado Islâmico (EI) tenha sido de fato responsável pelo atentado ao aeroporto internacional de Istambul, na terça-feira, terá dado assim novos indícios de que hoje se dedica mais a ataques de grande magnitude do que à administração de territórios. Ao menos 240 pessoas ficaram feridas e outras 41 morreram durante a ação de três suicidas no terminal internacional do Ataturk, cuja autoria o governo turco credita ao EI, apesar de não ter havido uma reivindicação formal por parte da milícia radical.
Entre os mortos identificados no atentado ao aeroporto - considerado o terceiro mais movimentado da Europa, atrás de Heathrow (Londres) e Charles de Gaulle (Paris) - estão 23 turcos e 13 estrangeiros (cinco sauditas, dois iraquianos, um chinês, um jordaniano, um tunisiano, um uzbeque, um iraniano e um ucraniano). Dos estrangeiros mortos, três tinham dupla nacionalidade. Ontem, depois de cinco horas fechado e da operação de uma força-tarefa de limpeza, o aeroporto reabriu, mas não para todos os voos.
Os atentados de grande porte no exterior eram, até recentemente, considerados mais a marca da Al-Qaeda do que do EI - e uma das razões para a divisão entre essas organizações terroristas. Quando o EI declarou seu califado em territórios da Síria e do Iraque, há exatos dois anos, sua liderança divergia da estratégia implementada pela Al-Qaeda de primeiro atacar alvos no exterior para, em um futuro distante, consolidar o seu domínio e criar um Estado.
O autoproclamado califa Abu Bakr al-Baghdadi preferiu pular os meios e ir direto aos fins, dedicando-se à gestão de uma espécie de governo religioso, montado a partir da burocracia local e administrado por seus próprios ministérios e instituições. Não tardou, no entanto, para que o EI se dedicasse a uma série de ataques externos, como o de Paris, em novembro, e o de Bruxelas, em março. O de Istambul pode ser o episódio mais recente dessas operações, que têm a mira nas primeiras páginas dos jornais e no debate público.
 

Derrotas na Síria e no Iraque são responsáveis por mudança de rumo

O Estado Islâmico é, em parte, forçado a uma mudança de estratégia devido às derrotas sofridas na Síria e no Iraque, onde hoje os governos locais e a coalizão internacional dizimam seus militantes e reduzem seu poder. "Eles estão respondendo à perda de território e ficando mais parecidos com a Al-Qaeda", afirmou o diplomata norte-americano Alberto Fernandez.
"É, de alguma maneira, uma substituição à vitória militar e à expansão do califado. Eles agora se expandem por atos de terrorismo de grande magnitude no exterior", prosseguiu Fernandez. Assim como outros especialistas, ele descarta a tese de que o aeroporto tenha sido atacado por ser incapaz de defender-se. "Estive ali há uma semana, e havia segurança pesada."
Para Karim Hauser, especialista na Casa Árabe, "Istambul viveu uma trégua temporária com o EI devido ao fato de que fechou os olhos para a passagem ilegal de armas e de pessoas por suas fronteiras com a Síria". Ainda não está clara qual é a motivação por trás do ataque. Hauser cita, por exemplo, a posição turca no conflito sírio - ao mesmo tempo contra o regime de Bashar al-Assad e contra o EI - e a crise doméstica com alguns movimentos curdos.
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