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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de junho de 2016. Atualizado às 00h05.

Jornal do Comércio

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Educação

Notícia da edição impressa de 22/06/2016. Alterada em 21/06 às 20h49min

Falta de padrão curricular prejudica crianças pobres

É preciso alinhar a BNCC com formação e mudanças de gestão, diz Guiomar

É preciso alinhar a BNCC com formação e mudanças de gestão, diz Guiomar


FREDY VIEIRA/JC
Isabella Sander
Em construção desde setembro de 2015, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) proposta pelo Ministério da Educação orientará o currículo das escolas de todo o Brasil. A apresentação final está prevista para novembro deste ano. Quando implementado, o documento definirá quais objetivos os educadores precisarão levar em conta quando forem elaborar o currículo de sua instituição. A base determinará 60% do conteúdo a ser ensinado, deixando 40% para serem discutidos regionalmente. Para debater o assunto, o Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) promoveu ontem palestra com uma das maiores especialistas em currículo escolar do Brasil, a diretora da Fundação Victor Civita, Guiomar Namo de Mello. Em entrevista ao Jornal do Comércio, Guiomar destacou a necessidade de alinhar a BNCC com a formação de professores, a alteração nos materiais didáticos e mudanças na gestão curricular e pedagógica nas instituições. Além disso, apontou as crianças pobres como as mais prejudicadas pela falta de equidade gerada pela ausência de um padrão curricular no País.
Jornal do Comércio - Quais as principais questões a serem reavaliadas com a BNCC?
Guiomar Namo de Mello - A BNCC é um fator de alinhamento das políticas educacionais, porque lida com aquilo de mais importante que existe na escola, que é o que deve ser aprendido. Para que ela seja efetiva, tem que estar alinhada com a formação de professores, com os materiais didáticos e com um tipo de gestão curricular e pedagógica que promova as condições para que essa base exista dentro das escolas.
JC - Esses três pontos que a senhora apontou... É possível alinhar tudo isso em um país como o Brasil?
Guiomar - É uma questão complexa, mas eu não tenho dúvida de que é possível. Se outros países já fizeram, nós podemos fazer. Partimos da premissa de que é preciso fazer, de que ter a BNCC é um bem que promoverá a melhoria da educação. Isto posto, temos que ver como faremos, porque é difícil, mas não impossível. Envolve um conhecimento pedagógico das estruturas epistemológicas dos estudos e conhecimentos a serem aprendidos, do desenvolvimento das crianças, de quais operações mentais e cognitivas elas são capazes de acionar em cada etapa de desenvolvimento, e, obviamente, envolve um valor. Queremos uma BNCC ambiciosa, que seja padrão mundial, pois ter uma BNCC para fazer o que já fazemos não precisa, é trabalho demais.
JC - Ter maior compreensão sobre as etapas de desenvolvimento do aluno é o principal desafio na formação dos professores?
Guiomar - Não, essa é só uma questão. A mais complicada é que a formação dos professores não é clara, não diz ao professor como ensinar, não aponta quais estratégias, técnicas, comandas e rubricas têm que ser trabalhadas no seu plano de aula e depois no manejo de sua sala de aula para que essa criança aprenda. Se não houver esse trabalho do professor, dificilmente a BNCC será bem-sucedida.
JC - O que é preciso mudar nos materiais didáticos?
Guiomar - Os materiais terão que ser revistos, se adequar em cada etapa, série, disciplina ou área de conhecimento, ao que está previsto pela base. Isso dependerá de, quando ela estiver pronta, ser feito esse cotejamento e ir se promovendo a adequação dos materiais.
JC - O Brasil nunca teve o ensino baseado em um só currículo. No que isso resulta, dentro da educação?
Guiomar - A questão mais séria é a da equidade. Na medida em que não há clareza sobre o direito que todas as crianças têm de aprender, a tendência é que as crianças pobres sejam sempre prejudicadas. A equidade é a filosofia mais importante da BNCC. A base deixa claro o que cada criança precisa saber, para que a família ou a sociedade cobrem. Para a sociedade acompanhar como a língua portuguesa, por exemplo, está sendo ensinada, ela precisa saber quais são os objetivos dessa matéria, o que está determinado que se ensine. Hoje, é um caos. Cada estado, município, escola, material de ensino tem uma sequência, uma lógica, uma coerência e um tipo de progressão diferentes. O assunto já é complicado. Se você tiver um monte de gente fazendo esse tipo de coisa, vira uma cacofonia.
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