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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de junho de 2016. Atualizado às 23h30.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

27/06/2016 - 23h13min. Alterada em 27/06 às 23h30min

'A curadoria de dados se tornou uma atividade central desta década', afirma Pierre Lévy

Usuários em rede, computação em nuvem e big data são os elementos que permitem a evolução tecnológica destaca por Pierre Lévy

Lévy crê que a tecnologia pode levar a uma era de grande progresso nas ciências humanas


Luiz Munhoz/Fronteiras do Pensamento/Divulgação/JC
Paulo Serpa Antunes
A cibercultura voltou ao centro do debate do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento. O filósofo francês Pierre Lévy, autor de obras de referência para a compreensão dos impactos na tecnologia na sociedade, como O Que é o Virtual? e Cibercultura, voltou a Porto Alegre nesta terça-feira (27), no Salão de Atos da Ufrgs, para falar sobre o novo foco de suas pesquisas, a curadoria colaborativa de dados.
Partindo conceito de curadoria dos museus, Lévy está interessado na criação, organização e filtragem dos conteúdos digitais, um trabalho que com as redes sociais se tornou coletivo e que para ele é uma das atividades mais interessantes que acontecem na internet. "A curadoria de dados se tornou uma atividade central desta década", afirmou.
Para explicar o novo cenário, Lévy conduziu o público para uma viagem histórica, mostrando os avanços da civilização da criação e coleção de símbolos, com a automação da transmissão de signos proporcionados com criação do alfabeto, até a ampla reprodução de mensagens com o surgimento da prensa tipográfica. A nova etapa desta evolução é proporcionada na opinião do palestrante pela transformação da informação através de algoritmos. "Estamos no início deste transformação econômica, cultural e científica", afirmou.
Se a organização proporcionada pela era da tipografia levou a uma grande avanço nas ciências naturais, Lévy aposta que esta era de algoritmos, usados para o tratamento de dados, será de grande crescimento na área das ciências humanas. Com uma grande massa usuários em rede, a computação em nuvem e o uso do big data, a perspectiva do pensador é que "faremos grandes progressos na sociologia, na psicologia social e na economia".
Lévy destacou mudanças que já ocorrem atualmente na sociedade, com questionamentos sobre a propriedade intelectual – destacando o licenciamento via creative commons, o software livre e a ciência aberta. Com cada vez mais informação circulando livremente, o que vemos na Internet é um novo cenário, em que campos que funções que eram restritas a especialistas na área das ciências sociais – escritores, críticos, editores, bibliotecários, publicitários – agora podem ser feitas por qualquer cidadão.
Fazer a organização desta informação, no entanto, é exercer um poder e exige responsabilidade. Lévy encerrou sua palestra destacando algumas das competência que precisamos desenvolver para exercer este trabalho: trabalhar a inteligência pessoal, a inteligência crítica e a inteligência coletiva.
Pierre Lévy não está apenas teorizando sobre como deve ser a curadoria coletiva de conteúdo. Na Universidade de Ottawa, onde leciona, ele está desenvolvendo uma linguagem de computador, a IEML (Information Economy Meta-Language), que pretende ser um instrumento para a categorização de dados na internet. Enquanto sua linguagem não chega ao público, a curadoria a que se refere, no entanto, já acontece o tempo todo na rede: ao marcarmos nossas conteúdos com hashtags no Instagram, ao indicar para os amigos reportagens para ler no Facebook, ao avaliar serviços no Foursquare.
No espaço para perguntas, mediado por Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, Lévy falou acreditar que o Brasil tem boas condições de se destacar nesta era de informação, por ter um perfil de usuário altamente conectado nas redes sociais.
A próxima conferência do Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre acontece no dia 29 de agosto, tendo como convidado o escritor francês Michel Houellebecq.
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