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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de junho de 2016. Atualizado às 22h30.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 28/06/2016. Alterada em 27/06 às 21h06min

Opinião econômica: Vamos curtir a Olimpíada

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa


Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Na semana passada, o governo federal garantiu recursos de R$ 2,9 bilhões ao estado do Rio para uso na segurança da Olimpíada. É bastante dinheiro, mas não cabe crítica a essa decisão. Qualquer governo responsável faria isso.
Estamos todos tão enrolados com nossos problemas políticos e econômicos que pouco valor temos dado aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, que começam daqui a 38 dias com participação de 168 países.
Olimpíada é um evento espetacular, cobiçado pelas grandes nações. É um desfile de talentos que representam todos os povos e raças do mundo em competição pacífica e civilizada, que se realiza há 120 anos a cada quadriênio. Pela primeira vez, o Brasil tem a honra de ser a sede desses jogos.
Vivemos um momento conflituoso na política e de enorme insegurança econômica. Mas isso não pode fazer com que deixemos de aproveitar esse grande momento de protagonismo do Brasil. O Rio de Janeiro conquistou o direito de ser a sede da Olimpíada com todos os méritos. Foi naquele momento em que o Cristo Redentor decolava na capa da The Economist. E que o Brasil era a estrela dos Brics e causava inveja ao mundo emergente pelo seu desempenho econômico e social.
Para chegar ao ponto em que está hoje, pronto para receber cerca de 11 mil atletas, o Rio batalhou muito. Dezenas de milhares de trabalhadores foram contratados e mais de R$ 36 bilhões foram gastos, sendo R$ 24 bilhões em obras que ficarão como legado e já tornaram a cidade ainda mais maravilhosa. Durante 15 dias, o Rio atrairá cerca de 500 mil turistas e será o centro do mundo "isso não é uma figura de linguagem", observado por 5 bilhões de telespectadores dos cinco continentes.
Infelizmente, não podemos esperar grandes resultados e a conquista de muitas medalhas de ouro. As vitórias de atletas brasileiros, com certeza, continuarão sendo mais decorrência de determinação e perseverança individual do que de organização e apoio oficial ao esporte.
Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, o Brasil conquistou ao todo 17 medalhas, sendo três de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Não foi um bom desempenho, o País ficou em 22º lugar na classificação dos países participantes e mais uma vez decepcionou no futebol.
Perder ou ganhar, de qualquer forma, é uma contingência do esporte. Haverá, naturalmente, um peso maior de responsabilidade sobre os ombros dos atletas brasileiros, que acabarão sendo mais cobrados por resultados pelo fato de a competição ser no Brasil.
Sim, os problemas brasileiros são graves. Temos recessão, desemprego, inadimplência, aperto fiscal, juros na lua, falta de crédito e, agora, o efeito Brexit. Nada disso vai mudar se os atletas brasileiros fizerem um bom papel na Olimpíada. Mas é bom lembrar que conquistas esportivas são importantes porque trazem autoestima e despertam o nacionalismo sadio, algo que o País precisa muito neste momento de crise.
Tempos atrás, não muito distantes, eram as vitórias militares e as conquistas de territórios que traziam afirmação nacional. Atualmente, as grandes nações são respeitadas por avanços econômicos e tecnológicos, democracia, civilidade, sustentabilidade e, também, por conquistas no esporte.
Não é um sonho: a Olimpíada, a partir de 5 de agosto, será no Brasil. Vamos trabalhar para que não haja problemas de segurança, esquecer um pouco as crises e curtir esse momento.
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa.
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