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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de junho de 2016. Atualizado às 22h29.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 17/06/2016. Alterada em 16/06 às 22h15min

Economia cresce após 15 meses de queda

Dado mensal, porém, é o pior já registrado no IBC-Br desde 2009

Dado mensal, porém, é o pior já registrado no IBC-Br desde 2009


PEDRO LADEIRA/AFP/JC
Depois de 15 meses em queda, a economia brasileira apresentou uma leve recuperação em abril. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do quarto mês deste ano, conhecido como a "prévia do PIB", teve alta de 0,03% ante março, com ajuste sazonal. Em março, havia registrado baixa de 0,36% - também na margem, com ajuste. O desempenho positivo da região Sul do País foi determinante para a elevação, o índice da região avançou 3,43% no período, sendo o sexto mês seguido de alta. Mesmo com a interrupção da trajetória de retração, o índice atingiu em abril o patamar de 134,45 pontos, o pior resultado para o mês desde 2009. Naquele momento, pela série livre de influências sazonais, o dado ficou em 123,62 pontos.
O índice de atividade calculado pelo Banco Central passou de 134,41 pontos em março para 134,45 pontos em abril, na série dessazonalizada. O resultado do IBC-Br ficou pior do que a mediana positiva de 0,21% estimada, com base nas estimativas do mercado, mas dentro do intervalo das expectativas colhidas com 32 agentes de mercado, que iam de uma queda de 0,94% a uma alta de 0,56%.
Na comparação entre os meses de abril de 2016 e 2015, houve baixa de 4,99% na série sem ajustes sazonais. Na série observada, o IBC-Br ficou em 135,68 pontos em abril, ante 140,51 pontos de março. O indicador de abril de 2016 ante o mesmo mês de 2015 mostrou retração maior do que a apontada pela mediana (-4,6%) das previsões dos 28 analistas do mercado financeiro, mas dentro do intervalo, que estava entre -4,00% a -6,14%.
Em abril, o Banco Central promoveu uma revisão metodológica na apuração do IBC-Br. De acordo com o BC, a nova série incorpora a estrutura de produtos e avanços metodológicos do Sistema de Contas Nacional - Referencia 2010, do IBGE. Destacam-se também a incorporação da Pnad Contínua em substituição à Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). "A despeito das modificações implementadas, as séries do IBC-Br antes e após as alterações descritas apresentam evolução similar", segundo o BC.O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) estava em -3,6%. O IBC-Br registrou baixa de 1,03% no acumulado de fevereiro a abril, na comparação com o resultado dos três meses anteriores, pela série ajustada do Banco Central. Na comparação de fevereiro a abril com idêntico período de um ano antes, o resultado do índice foi de queda de 5,39% pela série observada. Já no acumulado de 12 meses até abril, pelo dado sem ajuste, a queda é de 5,41%.
Como de costume, o Banco Central revisou dados do Índice de Atividade Econômica na margem, na série com ajuste. Em março, o percentual foi mantido em -0,36%. Em fevereiro, o índice passou de -0,33% para -0,30%. Em janeiro, o percentual passou de -0,67% para -0,65%. No ano passado, o resultado de dezembro foi alterado de -0,21% para -0,19%. Em novembro, o dado passou de -0,90% para -0,87%. Em outubro, mudou de uma queda de 0,11% para baixa de 0,15%. Em setembro, a retração foi mantida em 0,76%. Em agosto, a redução passou de 0,40% para 0,41%. A taxa de julho foi de -0,39% para -0,37%. Em junho, foi de -0,78% para -0,79. Em maio, o IBC-Br foi de -1,13% para -1,09%. Em abril, a queda de 0,34% ficou no lugar da de 0,38%. Em março, a nova taxa é de -0,36%, e não mais de -0,40%.

Desaceleração da queda da atividade indica a chegada ao fundo do poço, diz FGV

A desaceleração do ritmo de queda da atividade econômica em abril, apontada pelo Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV), é mais um sinal de que a economia pode ter parado de piorar, após chegar ao fundo do poço. A avaliação é da economista Juliana Cunha, pesquisadora da equipe responsável pelo indicador no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.
Nesta quinta-feira, a FGV informou que o Monitor do PIB apontou queda de 0,86% no PIB no trimestre até abril ante o trimestre móvel imediatamente anterior, o melhor resultado em quatro trimestres. No trimestre encerrado em janeiro, o Monitor do PIB havia apontado recuo de 1,23%. Em relação a igual período de 2015, o indicador apontou queda de 4,6% no trimestre encerrado em abril, enquanto no primeiro trimestre havia recuado 5,4% ante os três primeiros meses do ano passado. "Pode ser um sinal de que o fundo do poço já chegou. Agora, a maior preocupação é com a velocidade da saída desse poço", afirmou Juliana. A economista sugeriu cautela antes de se pensar em recuperação da economia. A inflação pressionada e a tendência de alta no desemprego (e queda na renda) seguirão derrubando o consumo das famílias, enquanto o movimento de estabilização da queda da atividade está sendo puxado pela indústria da transformação.
Pelo Monitor da FGV, o PIB da indústria de transformação encolheu 8,4% no trimestre encerrado em abril, em relação a igual período de 2015. No primeiro trimestre do ano, a queda foi de 10,5%, na mesma base de comparação, enquanto no quarto trimestre de 2015 houve recuo de 12%. "A indústria da transformação alavanca praticamente todas as atividades, especialmente no setor de serviços", disse Juliana. O problema é que a melhora na indústria da transformação dificilmente terá efeito positivo sobre o consumo das famílias, ponderou a economista da FGV. Com grande ociosidade, a indústria tem espaço para produzir mais sem gerar empregos nem melhoria na renda. Tanto que a projeção para o consumo das famílias melhorou menos. No trimestre móvel encerrado em abril, o consumo das famílias encolheu 5,8% ante igual período de 2015. No primeiro trimestre fechado, a queda foi de 6,3%.

Projeção de inflação na ata do Copom sobe em cenário de referência e segue acima da meta

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) informou que a projeção de inflação da instituição para 2016 no cenário de referência aumentou ante a ata anterior e se situa acima do centro da meta. O BC não divulga qual a taxa prevista na ata, mas pelo Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março, a estimativa estava em 6,6% para o fim deste ano pelo cenário de referência. Uma nova edição desse documento está prevista para o fim deste mês.
No caso em que o BC usa variáveis de mercado para desenhar seu cenário, a estimativa da autoridade monetária também aumentou, continuando acima do centro da meta. No RTI, por esses mesmos parâmetros, a previsão do BC estava em 6,9% para este ano. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas dos analistas para o IPCA de 2016 subiram para 7,19%. A ata traz o detalhamento sobre a decisão da semana passada de manter, pela sétima vez consecutiva, a taxa básica de juros em 14,25% ao ano em decisão unânime. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e está em 4,5% para 2016 e 2017. Em 2017, a margem de tolerância será reduzida dos atuais 2 pontos percentuais para cima ou para baixo para 1,5 pp. No fim deste mês, o CMN pode referendar ou mudar o objetivo do ano que vem e vai estipular a meta de 2018. A ata desta quinta-feira ressalta que o cenário de referência leva em conta uma taxa de câmbio de R$ 3,60 e Selic em 14,25% ao ano. No documento anterior, o BC trabalhava com a cotação do dólar em R$ 3,55. Já o cenário de mercado considera estimativas para câmbio e juros de analistas de mercado às vésperas do encontro da diretoria.
Em meio às especulações sobre um ajuste sobre a meta de inflação do ano que vem, o BC informou que sua expectativa para a inflação de 2017 caiu no cenário de referência e deixou de estar ao redor da meta de 4,5% para agora atingi-la. No caso do cenário de mercado, a projeção da autoridade monetária para o ano também caiu, mas permaneceu acima do centro da meta.
No Relatório Trimestral de Inflação de março, o BC informou que sua previsão para o IPCA de 2017 estava em 4,9% no cenário de referência e em 5,4% no de mercado.
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