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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de junho de 2016. Atualizado às 22h29.

Jornal do Comércio

Economia

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Energia

Notícia da edição impressa de 17/06/2016. Alterada em 16/06 às 21h06min

CPFL fecha acordo para adquirir a AES Sul

Jefferson Klein
A maior movimentação no setor de distribuição de energia no Rio Grande do Sul desde a privatização de cerca de dois terços da área de abrangência da CEEE, em 1997, foi anunciada nesta quinta-feira, quando a CPFL Energia (que já controla a gaúcha RGE) divulgou que fechou acordo para a compra da AES Sul. A CPFL pagará ao grupo AES Corp. o valor de R$ 1,403 bilhão pela totalidade das ações da AES Sul, que será acrescido de um montante de R$ 295,455 milhões referente a um aumento de capital realizado na concessionária, totalizando R$ 1,698 bilhão. Soma-se à transação cerca de R$ 1,1 bilhão em assunção de dívidas.
Quando, há 19 anos, houve o leilão da CEEE, em valores da época, a operação que hoje consiste na AES Sul foi arrematada por R$ 1,51 bilhão e a da RGE por R$ 1,6 bilhão. Quanto à negociação atual, o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Junior, detalha que a compra da AES Sul somente será concluída com a aceitação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), além dos credores da companhia. O executivo estima que isso deverá ocorrer ainda neste segundo semestre. Mais da metade do dinheiro aportado virá de financiamento e o restante através de recursos do caixa da CPFL.
Conforme o dirigente, a estratégia do grupo consiste em, através da compra de concessionárias de energia, ganhar escala. A aquisição da AES Sul marca a quarta ação nesse sentido da CPFL no setor de distribuição nos últimos 10 anos. Anteriormente, a companhia havia comprado a própria RGE (2006), a CPFL Santa Cruz (2006) e a CPFL Jaguariúna (2007), essas duas últimas localizadas no interior de São Paulo. O novo nome da AES Sul ainda não foi decidido, o que está confirmado é que não usará mais a identidade antiga. A partir do fechamento da negociação, a CPFL terá até 120 dias para substituir as imagens da AES Sul em contas de luz, agências, uniformes dos trabalhadores etc.
Ferreira Junior enfatiza que as concessões da AES Sul e da RGE, por enquanto, serão separadas. "A AES Sul tem um CNPJ diferente e vai continuar assim, pelo menos em um primeiro momento", diz. Contudo, o dirigente admite que a CPFL avaliará, posteriormente, unificar as concessões. A RGE atende à região Norte-Nordeste do Estado, e a AES Sul, a Centro-Oeste. A área de concessão abrangida pela primeira é de cerca de 90,7 mil quilômetros quadrados, e a segunda, de aproximadamente 99,5 mil quilômetros quadrados.
Sobre a atual diretoria da AES Sul e seus funcionários, Ferreira Junior adianta que, mais à frente, é possível que ocorra a racionalização desses quadros. Quanto à possibilidade do aproveitamento de sinergias das duas companhias, como, por exemplo, uma equipe técnica atuar na área da outra empresa, o executivo argumenta que é viável adotar essa prática, porém de acordo com regras da Aneel.
Em nota, o presidente da AES Brasil, Julian Nebreda, frisou que o acordo não afeta demais ativos da AES no País (entre os quais a termelétrica AES Uruguaiana). O dirigente salientou ainda que a mudança acionária está prevista para acontecer até o fim deste ano e, até lá, a AES continuará operando a distribuidora, mantendo o planejamento e investimentos previstos.
O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos, considera o atendimento da RGE superior ao da AES Sul. Sendo assim, o empresário espera que, com a experiência da CPFL, o serviço de fornecimento de energia no Estado melhore. O empresário concorda que é uma tendência a consolidação do setor elétrico no Brasil. "E como é um mercado regulamentado, não há preocupação quanto à concentração das empresas distribuidoras", aponta Deitos.
Hoje, o Grupo CPFL detém market share de 13% do mercado nacional de distribuição, fornecendo energia para 7,8 milhões de consumidores em 571 municípios nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais por meio de oito concessionárias. Com a compra da AES Sul, o seu market share neste mercado alcançará 14,3%.
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Grupo vai elevar investimentos na concessionária para cerca de R$ 400 milhões ao ano

Ferreira Junior não descarta reunificar as concessões no Estado
Ferreira Junior não descarta reunificar as concessões no Estado
CPFL ENERGIA/DIVULGAÇÃO/JC
Segundo o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Junior, a AES Sul dispendia, em média, investimentos anuais entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões. Após a concretização da absorção da empresa, a estimativa é que esses aportes cresçam para aproximadamente R$ 400 milhões ao ano.
Em entrevista coletiva concedida na quinta-feira, Ferreira Junior foi indagado sobre um possível interesse na compra da área de distribuição do Grupo CEEE. O executivo afirmou que faria muito sentido, no futuro, realizar também essa aquisição e reunificar as concessões no Estado. "Finalizada a assimilação da AES Sul, certamente a gente vai olhar com muita atenção o tema da CEEE", revela.
Em março, Ferreira Júnior, em teleconferência de resultados da CPFL, foi questionado sobre uma investida na CEEE e na AES Sul. Ele indicou que, por serem concessões com áreas contíguas à da RGE, esses ativos, se colocados à venda, poderiam interessar.
Na ocasião, o grupo AES disse que não comentaria especulações de mercado. Em nota, acrescentou que a AES Sul acabava de receber aporte de capital de mais de R$ 300 milhões, como parte do processo de reestruturação. O presidente do Grupo CEEE, Paulo de Tarso Pinheiro Machado, comentou que o assunto passaria pela formalização de um projeto financeiro, e, no caso da estatal, até a discussão de um processo de privatização.
A respeito de uma privatização do restante da área de distribuição do Grupo CEEE, o coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos, considera que seria uma iniciativa positiva. O empresário lembra que a recente renovação da concessão da estatal e as medidas que foram adotadas pela atual diretoria para recuperar a companhia, valorizaram esse ativo. Para Deitos, a ação permitiria que o Estado saísse de uma atividade que não é o seu foco e entraria recursos para os cofres do governo.
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