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Porto Alegre, terça-feira, 14 de junho de 2016. Atualizado às 22h44.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 15/06/2016. Alterada em 14/06 às 21h48min

PIB gaúcho retrai 4,3% no primeiro trimestre

Agronegócio prejudicou desempenho com uma redução de 8,1%

Agronegócio prejudicou desempenho com uma redução de 8,1%


VALMIR MENEZES/DIVULGAÇÃO/JC
Guilherme Daroit
A economia do Rio Grande do Sul ficou 4,3% menor nos primeiros três meses de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, revertendo tendência que vinha sendo percebida, o resultado foi melhor do que o nacional, que registrou, por sua vez, uma redução de 5,4% no primeiro trimestre. Uma das explicações para a relativa melhora no indicador regional passa pelo resultado menos drástico da indústria, puxado principalmente pelas exportações. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
No primeiro trimestre, mesmo com queda de 6,3% na indústria, seis setores industriais registraram crescimento. "Desde 2014, não víamos tantos setores operando no positivo", argumenta o coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, Roberto Rocha. Celulose e papel ( 94,4% no volume produzido), Produtos do fumo ( 27,6%), Produtos alimentícios ( 3,9%), Couro e calçados ( 1,0%) e Produtos químicos ( 0,3%) contaram com aumento na exportação para compor o resultado positivo. Ainda que não de forma direta, os Derivados de petróleo ( 6,4%) também se beneficiaram do efeito cambial, graças à substituição de importações no segmento.
O empurrão dado por esses setores ajudou a indústria gaúcha a, mesmo em queda, ter um resultado melhor do que a brasileira, que caiu 7,3% no período. "Uma real retomada da atividade, porém, depende do crescimento do País, já que 70% das exportações gaúchas são para os outros estados", projeta Rocha. Na transformação, o destaque negativo foi, novamente, a indústria metalmecânica, que encolheu 30,2% no primeiro trimestre. A eletricidade também foi mal, se reduzindo 4,8%; enquanto, no Brasil, o setor cresceu 4,2%. A situação, porém, é vista como normal, já que houve redução na geração térmica, e não sofremos efeitos da estiagem em 2015.
É a terceira queda consecutiva do PIB gaúcho, e a sétima registrada nos últimos oito trimestres - desde abril de 2014, apenas o segundo trimestre de 2015 foi positivo, graças à supersafra agrícola. O setor primário, aliás, que vinha puxando o indicador nos últimos tempos, dessa vez teve impacto negativo. A diminuição no trimestre foi de 8,1%, ante apenas 3,7% no País. O maior responsável foi o arroz, principal cultura do início do ano, que teve uma produção 5,4% menor por conta do excesso de chuvas. A quebra de mais da metade da safra da uva também complicou o resultado.
Já nos serviços, o resultado continuou sendo melhor do que o nacional, mas pior do que o visto nos últimos trimestres no Estado. A atividade teve queda de 2,5% nos primeiros três meses; enquanto, no Brasil, a redução foi de 3,7%. O pior índice foi o do comércio, que encolheu 8,4% no Rio Grande do Sul. A única atividade comercial que cresceu foi a de artigos farmacêuticos e cosméticos, que aumentou em 7,9%. "Tem sido sempre a atividade de melhor resultado, pela sua essencialidade e por ser menos influenciada pela restrição no crédito", analisa Rocha. Assim como na indústria, os veículos também tiveram o pior resultado no comércio, com queda de 28,1% nas vendas.
Embora não faça previsões oficiais, o coordenador da equipe que faz o levantamento afirma não ver ainda indícios de uma retomada do crescimento no Estado. Rocha argumenta que apenas a exportação cresce no Rio Grande do Sul, enquanto o consumo das famílias, do governo e a formação bruta de capital fixo seguem caindo. "Quem passou a exportar o fez porque já tinha capacidade ociosa, não vemos investimentos", defende Rocha. A partir do segundo trimestre, o PIB gaúcho também deixará de ser impactado positivamente pela grande expansão da CMPC Celulose Riograndense, inaugurada em maio de 2015 e que vinha inflando o crescimento do Estado.
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