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Porto Alegre, terça-feira, 27 de dezembro de 2016. Atualizado às 17h24.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 09/06/2016. Alterada em 27/12 às 18h27min

Cisão evidencia crise entre setor lácteo e IGL

Heineck alega que a cobrança feita atende ao cumprimento da lei

Heineck alega que a cobrança feita atende ao cumprimento da lei


ANTONIO PAZ/JC
Marina Schmidt
O segmento lácteo gaúcho - que já enfrenta desafios amplos como o de provar a sua qualidade diante de sucessivas operações de combate à adulteração ou o de ganhar mercado para exportação - vive um momento de divergência entre importantes entidades da área. O conflito está centrado na atuação do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), entidade criada em fevereiro de 2014 para promover e fortalecer a cadeia leiteira do Estado.
Criticado pela incisiva cobrança da taxa obrigatória que incide sobre a fabricação do leite, no valor de R$ 0,0004 (quatro milésimos de centavos) por litro de leite industrializado e que compõe o Fundoleite/RS, o IGL é alvo de contestações também quanto ao uso dos recursos. As discussões saíram da esfera interna do setor e ganharam divulgação com o anúncio de que a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS), uma das entidades associadas ao IGL, sairia do instituto, conforme o Jornal do Comércio noticiou na quarta-feira.
Da parte do IGL, que faz a gestão dos recursos do Fundoleite, a queixa é a de que grandes empresas do setor estariam em débito com o fundo. Com orçamento para 2016 previsto em R$ 3,2 milhões, o instituto calcula que o montante inadimplente chegue a quase R$ 2 milhões.
Uma das empresas que desde o início se posicionou contra a cobrança é a CCGL, que está questionando a taxação na Justiça. "As empresas que não concordam com a cobrança não concordam com a aplicação dos recursos", revela o presidente da Central de Cooperativas, Caio Vianna. "Entendemos que existem entidades demais com atuação na cadeia do leite. Portanto, não temos problema de entidade e temos problemas sérios na cadeia", acrescenta, exemplificando a importância, por exemplo, da assistência técnica nas propriedades.
A CCGL investe, atualmente, na assistência direta a 1.180 produtores. Segundo Vianna, a empresa aporta mais de R$ 4 milhões nesse trabalho. A métrica para avaliar o retorno desse investimento é o ganho de renda por hectare. "Obtivemos vários graus de aumento de ganho: produtores elevaram suas rendas em 40%, 400% e até 1.000%", demonstra. "Uma família que recebia R$ 490,00 por hectare/ano, hoje está ganhando mais de R$ 5 mil por hectare por ano." Essa evolução de renda, aponta, cria um ciclo virtuoso na economia do Estado, melhorando arrecadação tributária, economia local e o próprio padrão de consumo.
"Infelizmente o IGL não trouxe o benefício esperado", sinaliza. De acordo com o presidente da CCGL, o produtor não tem conseguido enxergar a importância do instituto. "Eles nos cobram por isso", diz. "O que não queríamos é que se desperdiçasse esse dinheiro com cargos, salários e eventos que não estão ao alcance do produtor, pois ele não pode se deslocar para ir participar, precisa estar diariamente na propriedade, nos horários certos, a partir das 5h da manhã, fazendo a ordenha", sustenta.
Outra crítica é a de que o IGL não está promovendo o setor, mas promovendo o próprio instituto, esse posicionamento vem na direção da recente campanha de marketing. "Não é uma propaganda do leite gaúcho quando o slogan é 'A gente faz bem para o leite' e é assinado pelo IGL". O diretor executivo do instituto, Oreno Ardemio Heineck, contesta, dizendo que a campanha foi elabora com a participação da equipe de marketing das indústrias. "As ações que têm tomado o IGL, no entendimento das cooperativas, é mais em promoção do IGL do que do leite gaúcho", declara o presidente da Fecoagro/RS, Paulo Pires.
Uma figura que ganhou destaque em meio ao imbróglio, o secretário de Agricultura, Ernani Polo, que foi notificado judicialmente a informar para a Fazenda quais empresas não estão pagando a contribuição para o Fundoleite, presidido pelo secretário. Questionado, Polo justifica que já fez o encaminhamento três vezes à Fazenda, que está no seu prazo de avaliação. "O Estado não está perdendo dinheiro porque a cobrança será feita da forma que tiver de ser feita", aponta. O fato, esclarece, é que há empresas com contestações judiciais, que diante do prazo judicial têm a permissão de pagar por meio de depósito judicial.
O IGL rebate. "É um processo instituído por lei que nós temos que executar", alega Heineck. "Se ele fez ou não fez, ele não nos mostrou isso ainda", reclama, instando o secretário a comprovar que o encaminhamento foi feito. "Está se espalhando uma corrente de solidariedade de dois, três, poderosos em cima de quem está infringindo a lei."
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Comentários
Sergio 09/06/2016 08h37min
É muito simples resolver esse impasse; chamem o juiz Sergio Moro. Viu, está resolvido. Agora, procurem com os políticos, quais foram os indicados nessa "teta". Sempre, quando tem dinheiro envolvido procurem os indicados, os CCs, e por ai adiante. E nós consumidores tomando agua com sabor de leite, queijos estragados e pagando 40% mais caro.