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Porto Alegre, terça-feira, 27 de dezembro de 2016. Atualizado às 17h30.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 09/06/2016. Alterada em 27/12 às 18h30min

Migrante

O Rio Grande do Sul tem sido, em sua história, um estado acolhedor. Sua constituição demográfica traz a marca da migração europeia para o Sul do Brasil, durante o século XIX e início do século XX.
O Brasil sempre atraiu grandes contingentes de imigrantes. O tecido social brasileiro constitui-se de pessoas que têm suas origens em diferentes povos e culturas. Tal constituição marca a cultura brasileira.
Recentemente, temos assistido à chegada de novos imigrantes, desta vez vindos de países da África, como Senegal, Gana, Congo, e da América Central, especialmente do Haiti. São, sobretudo, jovens que procuram melhores condições de vida. Não faltam também refugiados!
"Os emigrantes (...) procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos" (Papa Francisco).
Não são raras as situações dos que chegam praticamente sem nada. Por vezes, são vítimas de atravessadores que forjam situações de dependência financeira seja de quem aqui chega, seja de familiares que ficaram no país de origem.
Há os que migram de cidade em cidade, buscando melhor emprego e condições de vida mais favoráveis. Trata-se de situações desafiadoras e graves.
Não são raras as manifestações de xenofobia! Elas são incabíveis e inaceitáveis em uma sociedade que almeja ser plural e madura. A xenofobia é uma atitude anti-humana.
É também verdade que o diferente e o estranho - acentuadamente no momento sócio-histórico em que vivemos - produzem apreensão e medo. Ora, o medo turba, aprisiona, leva ao autofechamento, produzindo a falsa ilusão de que assim se está mais seguro. É oportuno recordar que etnocentrismos e egoísmo cultural ou racial produziram, ao longo da história, não poucas tragédias.
Diante desta realidade cruel, o Papa Francisco, atento, convida a alargar o olhar: "Ninguém pode fingir que não se sente interpelado pelas novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas que vendem e compram homens, mulheres e crianças como trabalhadores forçados na construção civil, na agricultura, na pesca ou noutros âmbitos de mercado. Quantos menores são, ainda hoje, obrigados a alistar-se nas milícias que os transformam em meninos-soldados! Quantas pessoas são vítimas do tráfico de órgãos, da mendicidade forçada e da exploração sexual! Destes crimes aberrantes fogem os refugiados do nosso tempo, que interpelam a Igreja e a comunidade humana, para que também eles possam ver, na mão estendida de quem os acolhe, o rosto do Senhor, 'o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação' (2 Cor 1, 3)".
O poder público não tem dado a devida atenção a essa realidade desafiadora e cruel. A questão dos migrantes e dos refugiados certamente não está entre as prioridades do governo.
Constatam-se, todavia, sinais expressivos de solidariedade! São comunidades, Igrejas, ONGs, universidades, empresas que se empenham em oferecer condições de subsistência a essas pessoas.
A construção da paz social passa pela aceitação e pela acolhida do estrangeiro, do migrante ou do refugiado. O estranho, o migrante não vêm tirar ou subtrair coisa alguma. Eles são seres humanos que, com sua peculiar expressão de humanidade, somam e enriquecem a sociedade.
A nossa própria vida nos atribui a característica de sermos migrantes e peregrinos. Somos todos viandantes. Não possuímos morada definitiva. Buscamos insistentemente um "lugar" que sacie nossa sede de estabilidade e de conforto.
Pela perspectiva da fé cristã, temos consciência de que acolhendo, somos acolhidos: "eu era forasteiro e me recebestes... Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes" (Mt 25, 35.40).
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